segunda-feira, 28 de julho de 2014

Coisas que nunca se esquecem




Um tribunal da Florida condenou a Reynolds Tobacco Company a pagar 23,6 milhões de dólares à viúva de um fumador que acusou a empresa de não ter tomado as medidas  necessárias para informar os consumidores  sobre os reais perigos do tabaco. Em consequência  desse “desleixo” da tabaqueira o marido apanhou um cancro do pulmão e quinou. A viúva, apesar de ter de dar um bom quinhão ao seu advogado, não deixará de ser- presumo- uma viúva alegre depois de tão ditosa sentença.
Não é a primeira vez que uma empresa tabaqueira é condenada pelos tribunais americanos mas, sempre que leio uma sentença do género, vem-me à memória um exemplo que eu dava aos meus formandos do PNUD, nos anos 70, sobre a defesa dos direitos dos consumidores na “América”, para despertar a atenção de gente mais sonolenta.
Contava-lhes eu, então, que uma viúva americana apresentou uma queixa contra uma empresa de armas, acusando-a de ter sido responsável pela morte do marido. Alegava a extremosa  viúva, que estando a família  a atravessar um período financeiro complicado, o marido pegou um dia numa arma e apontou-a à cabeça. Depois premiu o gatilho e viu-se livre das dívidas e dos problemas. Que, obviamente, sobraram para ela.
Inconsolável, a viúva apresentou queixa em Tribunal, alegando que o livro de instruções não esclarecia que quando uma pessoa apontava uma arma à cabeça e premia o gatilho, fazia acionar um projéctil que o poderia matar.
O melhor desta história é que o tribunal deu razão à viúva e a empresa foi obrigada a pagar uma indemnização choruda.
Ai, América, América, ainda és o paraíso das viúvas!

4 comentários:

  1. Será ainda o sonho americano? Ou será pesadelo?

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  2. O sistema judicial americano tem muito de louvável, mas também há sentenças caricatas... como em ambos os casos que aponta! ;)

    Beijocas

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  3. Os Estados Unidos da América são uma terra contraditória.
    Um tipo pode armar-se até aos dentes, tirar a carta de condução aos 16 anos e pode alistar-se no exército aos 17 anos. Mas não pode comprar bebidas alcoólicas antes dos 21 anos e ninguém pode beber uma miserável cerveja na via pública sem a mesma estar coberta por um púdico papel de embrulho.

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