terça-feira, 17 de junho de 2014

Uma democracia moderna

Ontem, depois de tomar a bica nocturna a horas tardias*, peguei nos jornais da manhã que ainda não tivera oportunidade de ler. 
Já ando farto dos noticiários televisivos prenhes de notícias da bola, esquecidos que há mais mundo para além de um campo de futebol. o mundo que, felizmente, ainda vem nos jornais e nos informa de coisas a que devíamos dar mais atenção. Como, por exemplo, o corte do fornecimento de gás à Ucrânia, ordenado por Putin. Temo, a propósito, que se Merkel insistir em ligar o esquentador ( Juncker) a Bruxelas, a falta de gás nos gasodutos europeus provoque uma explosão de grandes dimensões. 
Mas a notícia que me levou a escrever este post vem de Israel. 
Três jovens israelitas que pediam boleia na estrada que conduz a Hebron, desapareceram na tarde de domingo.  As causas poderão ter sido várias mas o radical pm israelita, Benjamim Netanyahu, não teve quaisquer dúvidas. Tem a certeza que os jovens foram raptados e  acusou de imediato o Hamas pelo desaparecimento. Vai daí, como a justiça israelita é rápida e eficiente, em menos de duas horas foram presos oitenta palestinianos suspeitos de envolvimento no alegado rapto. Provas? Não há. Em Israel bastam as suspeitas fundadas no ódio para prender palestinianos e libertar soldados israelitas autores de crimes bárbaros. 
Não ouvi, nem li, notícia de uma reacção do Ocidente face à actuação do governo de Israel. Não sei se tal se deve ao facto de estes casos serem tão banais, que já nem merecem reparo, ou se os governos ocidentais continuam a pensar que Israel é uma democracia. Moderna e ao gosto dos mercados, certamente...
Também não vi notícia sobre as meninas nigerianas raptadas pelo Boko Haram, nem sobre as diligências que estão a  ser efectuadas por EUA e UE para as resgatar. 
O futebol funciona como uma esponja limpa vidros. Não retira a porcaria, mas dá a sensação de que o vidro ficou lavado.

 *Depois do desastre de S. Salvador, nem liguei a televisão para não ter de ouvir os comentadores que andaram com Paulo Bento ao colo durante meses, a zurzirem no seleccionador, culpando-o pela derrota e por ter insistido numa selecção de velhos, onde alguns notoriamente não têm lugar, por ser muito conservador, blá, blá, blá.

2 comentários:

  1. Publico hoje um texto de Anselmo Borges que procura uma réstia de esperança para a situação no Médio Oriente depois da iniciativa do Papa Francisco

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