quinta-feira, 26 de junho de 2014

Dos perigos do fundo do mar



Na segunda feira, depois de assistir ao jogo entre os “Caipirinhas” e os  Camarões, fui acabar de ler a edição fim de semana do jornal i.
Um dos artigos que deixei propositadamente para o fim foi a entrevista  de Nuno Garoupa, o  funcionário de Alexandre Soares dos Santos que substituiu António Barreto na presidência da Fundação Pingo Doce.
A chamada de capa “ Juizes do TC  pensam como funcionários públicos” deixara-me no sábado à beira de um ataque de nervos, pelo que decidi deixar a leitura para mais tarde. Fiz bem.
Depois de ver os canarinhos aviarem  4 caipirinhas para engolirem  um único camarão e antecipando o prazer de assistir ao fogo de artifício da noite de S. João, no Porto Canal, li a entrevista com mais calma, o que me permitiu constatar que a afirmação de Garoupa foi precedida de falta grosseira do jornalista: 
- Os juízes pensam como funcionários públicos? – pergunta o entrevistador.
Garoupa, o entrevistado, limita-se a confirmar a presunção do pacóvio jornalista. É certo que o facto de ter sido o jornalista a desencadear as hostilidades, sugerindo  que os funcionários públicos são uns merdas que não pensam e devem ser tratados como lixo social, não justifica o assentimento de Garoupa.  Daí, que dedique este post aos dois.
Começo por explicar a ambos que pensar como um funcionário público é ser o médico que vos atende nas urgências,  o enfermeiro que vos alivia as dores, o bombeiro que impede que as vossas casas sejam consumidas por um fogo ateado por delinquentes ao serviço de interesses obscuros,  o polícia que vos garante a segurança, o juiz que julga os vossos litígios.
Pensar como funcionário público é defender o SNS, prestigiar as instituições, garantir o funcionamento do Estado. 
Para o jornalista -  cujo nome não vou reproduzir aqui -  e para o sr Garoupa, ser funcionário público é colocar entraves ao progresso. É  ter  a ousadia de respeitar o juramento de cumprir a Constituição. É cometer o pecado de defender as populações.  
Pois, para mim, o jornalista é mais um daqueles merdas com carteira profissional que obedece à Voz do Dono e o sr. Garoupa  mais um exemplo ( depois do cherne que nadou para Bruxelas e dos camarões que se enfrascaram com caipirinhas) de que a vida no fundo do mar está demasiadamente poluída e nos devemos abster de consumir certos peixes, para evitar intoxicações.

2 comentários:

  1. Já nesta entrevista - (Sábado, dia 20 de julho, às 23:00H, na SIC Notícias
    ‘A PROPÓSITO’ – Com Nuno Garoupa conduzido por António José Teixeira
    Especialista em direito e economia, professor nos Estados Unidos, habituou-se a olhar Portugal à distância. Em tempo de crise e de procura de salvação, a palavra de um homem desassombrado, que diz que em Portugal “não há uma sociedade civil livre”
    ) - eu fiquei a saber que ele vinha substituir António Barreto pelas críticas que fez ao funcionamento da Fundação. Até disse que ele era um "desemigrante" e que ia abandonar a universidade de ilinnois. Calculo o que não lhe deram a mais para ele fazer isso! Pelos vistos também sempre contou com a ajuda da Fundação, porque já em 2011 tinha publicado o livrinho "O Governo da Justiça" em Portugal, com a ajuda da mesma fundação.
    Deve ser mais um professor tipo maduro.

    ResponderEliminar