sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Os Ser(m)ões de D. Benta


Agora que Fernando Moreira de Sá veio esclarecer aquilo que muita gente nos jornais sabia, mas fazia de conta não saber, há quem se atire ao homem por se ter calado tanto tempo. Há  quem o acuse de cobardia, delação e revanchismo.
Não vou discutir os epítetos. Interessa-me apenas  reflectir  sobre o comportamentos  dos que agora  se mostram indignados com o envolvimento de alguns jornalistas em todo o escabroso processo de promoção de PPC.
Espanta-me ver a indignação de jornalistas que trabalhavam ao lado de alguns desses energúmenos. Como é que eles desconheciam a actuação de seus colegas de redacção, se cá fora isso era discutido entre jornalistas e em jantares de bloggers?
Estranho, também, que os holofotes apontem, acusadores,  Fernando Moreira de Sá, mas simultaneamente  tenha caído um  manto de silêncio sobre o líder  e mentor da escumalha, ( onde - é sempre bom não esquecer- se integram indivíduos como Rodrigo Moita de Deus e Luís Paixão Martins) cujo nome é Pedro Passos Coelho, por acaso , actual PM.
Com excepção de Fernanda Câncio, ninguém parece dar muita importância ao papel desempenhado pela dupla Coelho/Relvas na manobra de intoxicação dos portugueses, levada a cabo graças à participação INTERESSADA de muitos jornalistas.
Não me espanto que assim seja.  Fernando Lima inventou - certamente com a conivência de Cavaco- a famosa intriga das escutas e o assunto caiu rapidamente no esquecimento da comunicação social.( Mas não de Belém, como se viria a provar, meses mais tarde, com os sucessivos ataques discursivos  do “okupa”, que acabariam  com o afastamento de Sócrates  e a ascensão de PPC).
Em vez de desferir sucessivos ataques a FMS, os indignados deviam interrogar-se sobre  o papel de alguns desses jornalistas noutros casos.  Resumiu -se à “entourage” de PPC, ou tem ramificações com os que inventaram a homossexualidade de Sócrates, criaram a inventona das escutas a Belém, alimentaram  e forjaram “provas” no caso Freeport, ou  divulgaram listas de “pedófilos”  no processo Casa Pia, onde constavam o nome de alguns políticos?
 E, já agora, poderiam ir mais longe e investigar  a participação de alguns desses jornalistas no processo de ascensão de Seguro à liderança do PS. 
Um dia- talvez mais cedo do que muitos esperam-  estas perguntas vão  ter respostas. Muito provavelmente voltará a haver muita gente indignada e o cerne da questão continuará por responder: quais são os interesses que utilizam PPC como  marionete na sua estratégia de estilhaçar o Estado Social? Que lugar ocupam na comunicação social? Quais são os jornalistas que  desempenham o papel de pivôs  destes interesses, em alguns  jornais, e qual a sua proeminência e visibilidade, no espaço televisivo?
A quem interessa fingir que a comunicação social portuguesa  não está envolvida, até ao tutano, com interesses económicos e financeiros que controlam o Centrão e o apêndice  Portas? Por que razão, já agora,  Pedro Correia enviou uma carta à Visão  a fingir-se de virgem ofendida? Querem ver que foi aos almoços enganado pela escumalha? Bem, mas mesmo assim, sem nada ter feito ( excepto o apoio expresso à manif  dos camisas brancas, indignados com a  asfixia democrática e os ataques de Sócrates à liberdade de expressão) foi contratado pelo Relvas. E nessa qualidade, por acaso, não terá servido de mensageiro em alguns encontros? Vá lá, Pedro, precisas que te avivem  a memória...
Ah, é verdade... eu já vos  disse que estranho a omissão dos nomes de Rodrigo Moita de Deus e Luís Paixão Martins? Já? Então agora apenas acrescento que as empresas destes senhores têm ganho balúrdios em ajustes directos com os governos. 
Resumindo: a intoxicação continua, apenas alguns protagonistas trocaram de posições. PPC continuará a ser promovido pelos do costume, com a amplificação  dos  media do costume, que utilizarão os argumentos do costume. São os mesmos que intoxicavam a opinião pública com o papão da asfixia democrática, no tempo de Sócrates, e  agora se remetem ao silêncio nos casos de Nuno Santos e Ana Leal, excomungados por...Delito de Opinião.
Já cá ando há muito para distinguir entre uma Virgem e uma prostituta de luxo, cujos encontros amorosos se rodeiam do máximo sigilo e discrição.

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