domingo, 24 de novembro de 2013

No escurinho do cinema



Os cinemas de Lisboa continuam a fechar a bom ritmo. As salas  livres de pipocas, colas e arrotos, frequentados por gente civilizada que se sabe comportar em público, não têm  espaço neste país.
Depois do encerramento do Londres, no Verão, chegou agora a vez do King, 
Das salas tradicionais resta o Nimas  e, a espaços, o S. Jorge. Ambos com programações direccionadas para públicos específicos. 
Problemas económicos da empresa Castello Lopes provocaram o encerramento do Londres. A nova Lei das Rendas - feita com os pés- obrigará Paulo Branco a encerrar o King.
Não faltará muito tempo até que as pessoas da minha geração tenham perdido todas as salas de referência da juventude. 
Os mais velhos não têm dinheiro para ir ao cinema, ou não estão dispostos a  partilhar o mesmo espaço com cheiros nauseabundos a pipocas e gente imbecil que nem sequer sabe sentar-se numa cadeira sem por as patorras nas costas da cadeira da frente. 
O cinema de centro comercial triunfou, mas ainda há esperança que exemplos como o do renovado Alvalade possam salvar o prazer de ir a uma sala de cinema cheia, onde as pessoas ainda sabem comportar-se. 

8 comentários:


  1. É uma pena! Detesto ir aos cinemas dos Centros Comerciais. O som é alto em demasia para o pequeno espaço, a educação do publico é, como tu dizes, de bradar aos céus. E, como já tenho de aturar muito na escola, falta-me a paciência para isso.
    Devo estar a ficar velha! :))

    Beijinho

    Laura

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  2. Meu amigo, adoro cinema desde a minha adolescência, ia muito ao saudoso Monumental, ao Nimas, ao Tivoli, enfim...
    O que me vale é a minha filha, também ela fâ de bom cinema que os "retira" da net, para os vermos no conforto da nossa sala :)
    Também devo estar a ficar velha :))

    beijinho e boa semana

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  3. Tive muita pena que o Londres tivesse fechado, gostava muito de ir lá...
    E agora o King, é lamentável!

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  4. É sempre uma tristeza quando mais uma das salas de outros tempos encerra portas... :P

    Beijoca

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  5. Do cinema Vox tenho uma recordação inesquecível. Ano de 1976, excursão de domingo em família: volta saloia por Malveira, Mafra, Ericeira, Praia das Maçãs, Cabo da Roca, Cascais e fim de tarde livre em Lisboa. Uns foram ao teatro, outros ao cinema. Eu, a Manela e umas amigas optámos por uma matiné de cinema. "Onde vamos? O que vamos ver?" E alguém diz: "Vamos ao Vox ver Marilyn e o Senador". Diz logo a D. Tonica, a mais velha do grupo, com idade para ser a mãe dos outros todos: "Vamos ver esse, vamos, que eu conheço a história. É sobre a Marilyn Monroe e um Kennedy!" E lá fomos. Sala quase cheia, mas lá conseguimos os seis ou sete lugares seguidos. Começa o filme: hard-core - 1º escalão, como se classificava na época. Lá nos aguentámos até ao fim. Quando terminou diz a D. Tonica: "Eu não sou nenhuma bota-de-elástico, mas isto foi um bocadinho demais".

    Mas ficámos todos bem dispostos. Está a Manela a lembrar-me que acabámos a noite com um jantar no Solar dos Presuntos. E lá regressámos a Mora ainda mais bem dispostos.

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  6. Tinha ouvido a (triste) notícia há bocadinho :(
    Aquele abraço e votos de boa semana !!

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  7. É tão triste! As saudades que eu tenho do Quarteto, as saudades que eu vou ter do King! E assim se vai dando cabo do nosso mundo...

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