sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

10 anos é muito, ou pouco tempo? O leitor decide




Cenário 1- Furar um pulmão, em vez de um pneu? Acontece a qualquer um…
 Quando, naquela tarde de Verão de 2012, António vislumbrou um lugar para estacionar o carro na Praça da Alegria, pensou que estava no seu dia de sorte. Assim que iniciou a manobra,  aproximou-se um moedinhas  que começou a dar-lhe instruções.
António  estacionou , fechou o carro e preparava-se para ir à sua vida, quando o moedinhas o interpelou e pediu o pagamento do serviço.
António não terá reagido bem ao pedido. Terá mesmo dado um encontrão ao moedinhas que, por sua vez, reagiu pegando numa faca.
Segundo afirmou em tribunal, a faca era “só” para furar um pneu do carro de António, como represália por não lhe ter dado o óbulo pedido mas, por inexplicável capricho do destino, acabou  por se espetar no tórax de António e perfurar-lhe um pulmão. A convalescença prolongou-se por cinco meses.
“ Foi sem intenção!” reclamava esta semana o moedinhas Lopes perante a juíza, no Campus de Justiça.  Minutos depois ouviu a sentença: 10 anos de prisão efectiva.
Se António soubesse que o moedinhas  vem cumprindo sucessivas penas de prisão desde 1985, talvez não tivesse recusado a moeda e Lopes continuaria em liberdade durante mais algum tempo.

Cenário 2- Um funcionário com excesso de zelo
Estava calor naquela tarde de Maio de 2012, quando Pedro entrou num café em Sanfins. Por razões não esclarecidas, agrediu a proprietária e fez-lhe várias ameaças.
David, empregado do café, foi expedito a sair  em defesa da patroa.  Não terá, porém, escolhido o método mais racional: pegou na faca que tinha mais à mão e zás! Pedro foi num ápice prestar contas ao Criador ( O CR desconhece, ainda, a sentença…).
Quem ouviu esta semana a sentença terrena, proferida por uma juíza de carne e osso, foi David, o zeloso empregado: 10 anos  de prisão efectiva.

Epílogo: O leitor decide!
Face aos dados disponibilizados pela imprensa,  a motivação e o resultado da acção dos dois acusados apresentam  substanciais e visíveis diferenças. Assim,  não é perceptível a razão de ter sido aplicada uma pena exactamente igual a ambos os casos. Mas será mesmo assim?  Digam de vossa justiça! 

10 comentários:

  1. Justiça pouco justa!
    Um foi ataque (com antecedentes, outro foi em defesa de terceiros) mas os juízes estudam todos pela mesma cartilha.
    Talvez haja uma diferença o "moedinhas" tem que cumprir os anos de prisão a que foi condenado na totalidade, o David pode ter a pena atenuada, ao fim de algum tempo, ter direito à liberdade condicional.

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  2. Quando li o título do post, pensei que 10 anos pode ser muito e pouco tempo. Por exemplo, pouco tempo para se viver com alguém de quem se gosta e muito tempo para se viver sem essa pessoa.
    No 1º caso, ele tinha antecedentes, mas as consequências foram menos graves.
    No 2º caso, não teria antecedentes, terá ido ajudar a Patroa, mas as consequências foram muito graves.
    Por isso, só estando lá, podendo consultar o processo, ouvindo o que disseram os arguidos, se por exemplo demonstraram arrependimento, o que considero muito importante, o que disseram as testemunhas, etc. etc.,

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  3. Por alguma razão, a Justiça sempre se a/re-presentou cega.

    Agora, revela-se analfabeta, para além de muda e surda.

    Beijinho e bom fim de semana.

    Laura

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  4. Se a faca tiver sido a mesma a faca é que devia ser castigada
    Vinte anos, por pena acumulada...

    Carlos, não me peça para ser juiz, estou cumprindo pena por crime que nem consigo perceber qual nem se tenha sido eu a cometer. Estou numa prisão sem grades...

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  5. Carlosamigo

    Voltei do pesadelo e apoio totalmente esta troika. Mas que esta merda está copulada, lá isso tá.

    Quanto a dizer da justiça, mesmo que seja da minha, oké isso?

    Eu

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  6. É evidente que só lendo os processos podemos tirar conclusões mais abalizadas. Mas assim com esta sucinta explicação fica a ideia que no primeiro caso a pena até é curta: diga o arguido o que disser, não se confunde o pneu do carro com o tórax do outro, se a intenção não era matar, pelo menos a de infligir ofensas corporais era de certeza...

    Já no segundo caso, que resultou na morte do agressor, penso que está no limite da legítima defesa (de terceiros), pelo que suponho que a pena é demasiado dura. Se o juiz decidisse pela legítima defesa, nem teria pena nenhuma... ;)

    Mas pronto, tudo depende de várias questões que não conhecemos e que certamente estarão no processo!

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  7. Ponho-me muitas vezes esta questão: a Justiça não é cega. Depende de pessoas para avaliar as situações e para lhes aplicar a lei por isso os crimes serão mais ou menos punidos conforme as pessoas em cujas mão caem.
    Nos casos apresentados eu atrevo-me a dizer que no segundo caso a pena foi excessiva relativamente à primeira.

    Bom fim de semana.

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