terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Os novos "estrangeirados"



Na sua última homilia dominical, Marcelo Rebelo de Sousa chamou “estrangeirado” a Carlos Moedas. Entendi, na expressão de MRS, que ministros como Gaspar ( cuja carreira foi desenvolvida em instâncias internacionais que se estão nas tintas para os interesses de Portugal) deviam ser incluídos nessa expressão mas, como sempre, MRS foi dúbio. 
Mais assertivo e abrangente, o presidente do Tribunal de Contas veio dizer, no dia seguinte, que o governo não se deve guiar por economistas visitantes. De uma só penada, Guilherme Oliveira Martins abrange a gentalha da troika e os   que governam o país em nome dos interesses do capital estrangeiro. Quer eles venham do BCE, da Goldman Sachs, ou de outra qualquer instituição a soldo dos mercados.
Convém lembrar que os estrangeirados do século XVIII ( Verney, Gusmão, ou  o marquês de Pombal) influenciaram profundamente o poder, numa época em que o analfabetismo em Portugal era esmagador e as Ordens Religiosas dominavam o ensino, com métodos da Idade Média. 
No século XXI , o índice de analfabetismo é residual ( embora o analfabetismo funcional deva atingir mais de 60% da população)  e estrangeirados como Moedas e Gaspar- apesar de fazerem  parte de um governo cujos expoentes máximos ( Coelho e Relvas) são parolos profundos  rendidos ao esplendor dos mercados- têm mais dificuldade em impor as suas ideias. Daí que recorram ao FMI para as “vender” como símbolo de progresso.
Portugal nunca teve, ao longo da sua História, um grupo de jovens tão qualificados como neste limiar do século XXI daí que, para impor o seu programa ideológico, a dupla de parolos tenha envidado todos os esforços para correr com a massa crítica do país, obrigando-a a emigrar.
Portugal poderá, nos próximos anos,  perder todo o investimento que fez na educação dos seus cidadãos ao longo de duas décadas e entregar a países estrangeiros o melhor capital que tinha para refundar o país, tornando-o europeu e moderno: o capital humano. Tudo em nome dos interesses destes novos estrangeirados que nada têm a ver com os do século XVIII.
 Como muito bem salientou Guilherme d’Oliveira Martins, estes estrangeirados são apenas “visitantes”. O futuro deles não passa por aqui, o seu país é apensa um estágio para progressão de carreira lá fora.
Estão, por isso, marimbando para Portugal. Não estão preocupados em desenvolver o país, mas tão só atirá-lo para a cauda da Europa e tornar a sua população escrava do poder financeiro internacional, enquanto eles se banqueteiam nas instituições europeias. 
O basbaque de S. Bento não percebeu nada disto. Acredita que ficará na História como salvador da pátria, mas não terá mais do que uma nota de rodapé a acusá-lo de chefe de um gangue de traidores que fez retroceder o país mais de meio século.

5 comentários:

  1. Brilhante e adquado o nome dado por Guilherme de Oliveira Martins.

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  2. eu sou estrangeirada (ou estrangeira mesmo) mas não me sinto minimamente ofendida. à uma não acho que estrangeiros de fora tenham de mandar palpites na vida portuguesa, à outra há estrangeirados decentes e outros enfim... o que me custa é que sejam os estrangeirados "enfim" que mandem nisto tudo.

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  3. Estrangeirados são todos os que defendem e praticam políticas
    contra a soberania do país
    que vendem a pátria
    o berço das nossas memórias ancestrais

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  4. Lamentavelmente, e em pleno sec. XXI, por cá, ainda se continua a admirar tudo o que vem de fora, seja ele ótimo, bom, assim-assim, medíocre, mau ou simplesmente asqueroso.

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  5. Mesmo muito longe sente-se um clima que se está a tornar irrespirável.
    Confesso que começo a ficar assustado, Carlos.

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