segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O bode expiatório


Enquanto a austeridade apenas atingiu os funcionários públicos, a maioria das pessoas mostrava-se compreensiva, porque afinal os servidores do Estado são mandriões,ganham muito e é justo que sejam eles a pagar a crise. Em relação aos cortes nas pensões dos reformados, o silêncio da comunicação social e comentadores acoplados era a regra.
Qualquer pessoa com dois dedos de testa e um neurónio sabia que, mais tarde ou mais cedo, a austeridade ia tocar a todos,  mas o acórdão do Tribunal Constitucional veio precipitar os acontecimentos. No dia em que soube da notícia ( não estava em Portugal)  adverti que as ruas se iam animar, mas a intoxicação informativa desencadeada pelo governo acalmaria as hostes. 
Quando o governo aumentou brutalmente os impostos começou a cortar a torto e a direito, respaldando as suas decisões no acórdão do TC ou nas exigências da troika ( este governo tem a peculiar característica de nunca se responsabilizar e culpar outros pelas asneiras que faz...) as pessoas reagiram, mas o governo suspirou de alívio. Desde Maio que sabia ser impossível cumprir o défice e, bem feitas as contas, o TC veio dar-lhe uma ajuda em vez de lhe criar um problema. Como explicaria o governo os cortes, sem a "involuntária ajuda" do TC? Assim, passou a ter mais um bode expiatório para justificar a sua política de destruição do país.
Em 2013, a situação é idêntica. O governo não conseguirá cumprir o défice, as contas vão continuar a derrapar e o governo precisa de um bode expiatório para se desculpar da sua incompetência. Nada melhor do que o chumbo do OE 2013, para que Coelho, Gaspar e comandita venham para a rua dizer aos portugueses que vão ter de aguentar mais sacrifícios, mas a culpa é do TC.

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