terça-feira, 20 de novembro de 2012

Para mim vens de carrinho...


O governo espanhol decidiu reduzir a metade o número de automóveis do Estado. A partir de agora secretários de estado e directores gerais, por exemplo, partilham o mesmo carro.
Por cá, o governo mantém a frota do estado bem equipada, não abdicando de carros blindados. O ministro da Vespa (  responsável pela segurança social) não se coibiu mesmo de garantir para seu uso pessoal um Audi novinho em folha e o austero ministro Gaspar impediu o ministério da justiça de adquirir carros usados, obrigando Paula Teixeira da Cruz a comprar  viaturas novinhas em folha.
O líder parlamentar do PS, por sua vez, também se alambazou com uma frota da Audi para  servir o seu grupo parlamentar. ( ó p’ra ele a  criticar a Merkel!).
Não me atrevo a sugerir ao governo e ao vetusto partido líder da oposição que sigam o exemplo da Noruega, onde a ex- primeira ministra se deslocava sempre de bicicleta.
Nem sequer a apontar o exemplo de outros países europeus onde apenas o primeiro-ministro tem direito a carro do Estado,os  ministros quando se deslocam em serviço oficial têm de pedir ao líder do governo que lhes ceda uma viatura e os secretários de estado e directores gerais viajam em transportes públicos entre suas casas e os ministérios. Reconheço que num país latino, marcado pela ostentação do mais vale parecê-lo do que sê-lo, onde o  automóvel é um símbolo de estatuto social, é muito difícil pedir ao estado que se comporte em  consonância com os princípios que apregoa.
Limito-me, por isso, a pedir ao governo que corte para metade o número de veículos ao serviço dos membros do governo, que elimine a  prerrogativa  da atribuição de carros a directores gerais e deixe de colocar as viaturas do Estado ao serviço dos familiares e outros membros dos gabinetes quando se deslocam para os seus empregos ou vão fazer compras ao supermercado.
De igual modo, os administradores de empresas públicas ( nomeadamente das empresas de transportes) deveriam ser obrigados a prescindir dos automóveis que lhes são atribuídos. Um administrador do metropolitano, por exemplo, devia deslocar-se de metro, até porque isso lhe permitiria perceber melhor as deficiências de funcionamento da empresa que gere.
Pronto, está bem, estou a ser lírico. Ainda acredito que é possível em Portugal cortar nas gorduras do estado que não passam de ostentação e não percebo que é muito mais fácil cortar nos salários de quem trabalha.

5 comentários:

  1. Subscrevo!
    Não se percebe por que razão ainda não tomaram essa atitude...
    Só se é para darem o emprego de motorista, pago principescamente, a alguns "afilhados"!

    Abraço

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  2. Sendo que um ministro é menos volumoso que um elefante,
    Quantos caberiam num Fiat 600 (tirando o do volante?)

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  3. Há quanto tempo andamos a dizer isso? Imenso mas os fulanos continuam a querer fazer altas vidas e pouco importa que o povo passe fome. Espero que tudo isto tenha um fim muito breve porque todos aqueles que trabalhámos a vida toda estamos fartos e agora queríamos era descanso. Beijinhos

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  4. Subscrevo em absoluto!!!

    Neste caso, não são picadas de escorpião, são perguntas muito pertinentes.

    Muitos políticos alemães vão trabalhar de bicicleta. A Angie é um pouco pesada para este meio de transporte, mas ela é a pessoa mais forreta à face da terra.

    Nesta crónica o Carlos dá porrada em todos, que é como eu gosto!!!

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  5. Com tanta entrada de carrinho ainda se arriscam a sair de ambulância.
    Depois de verem cartão vermelho, claro!

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