quinta-feira, 26 de julho de 2012

Knock, knock, who is there?


Enquanto em Itália começam a soar as campainhas de alarme anunciando o perigo iminente de um resgate, em Espanha Rajoy continua a fazer todos os esforços para ganhar tempo e, seguindo o exemplo de Sócrates, espera conseguir resolver o problema anunciando sucessivos PEC. Com a vantagem de ter uma oposição mais responsável do que a portuguesa no tempo do governo PS, admitia-se a possibilidade  de o PP controlar os danos. Merkel, o FMI, o BCE  e mesmo o PSOE apostavam fortemente nessa hipótese, mas os pedidos de resgate das regiões autónomas inviabilizam a estratégia.
Para disfarçar, Rajoy tomou uma medida candidata a "imbecilidade ibérica do ano": acabar com a "siesta"!
O homem deve viver noutro planeta e não percebe que a medida, além de impopular, tem os mesmos efeitos práticos da redução dos feriados que o Álvaro tirou da cartola: nenhuns!
Há quem ainda acredite que Merkel pode finalmente acordar e perceber que o resgate de Espanha determinará o fim do euro, cujos efeitos para a economia alemã serão devastadores. ( Custou-lhe a perceber mas Draghi, Hollande e Monti fizeram-lhe um desenho e ela finalmente viu o sarilho em que está metida a um ano de eleições).
 O resgate a Espanha- a concretizar-se- será obrigatoriamente feito em condições muito mais favoráveis do que as impostas aos outros países, mas isso implicará que Portugal, Irlanda e Grécia exijam condições idênticas às de Espanha. Conseguirão? 
O casal Merkel/Sarkozy  andou quatro anos a encanar a perna à rã e agora com o divórcio consumado compete à tiranete alemã penitenciar-se, se estiver interessada em evitar a implosão da zona euro. Mas, mesmo que isso implique o regresso à teoria de uma Europa a duas  ( ou mais) velocidades, não resta à Alemanha outra hipótese que não seja ceder, para evitar o descalabro europeu e o suicídio alemão?
Não estou muito certo disso.  Parece-me mais provável que, perante o naufrágio europeu, a decisão alemã passe pelo abandono  do euro, confiando que a sua forte economia lhe permita recuperar em dois ou três anos. É muito provável que o faça e… tenha sucesso. 

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