sábado, 23 de junho de 2012

Verdes são os campos... e as laranjas com bolor


As Cimeiras sobre o ambiente são sempre uma oportunidade de negócio mas, pela experiência que os mais de 30 anos de eventos deste género me permitem, estou em crer que  nenhum outro local do mundo é  tão apelativo para as empresas  propagandearem a sua aposta no “verde”, como o Rio de Janeiro.
Estima-se que, por estes dias, mais de um milhar de gestores tenham aterrado no aeroporto carioca. Na bagagem trazem projectos empresarias com a marca verde, promessas radiosas de compromissos com a sustentabilidade, reduções drásticas da emissão de gases com efeito de estufa, blá, blá, blá…
Comento com uma camarada peruana, que nenhum gestor  fala da pobreza como causa da poluição ambiental, nem se arrisca a proclamar que a redução dos salários é inimiga do ambiente. Responde-me que a culpa não é tanto das empresas, mas sim dos governos que apostam nos salários baixos para ganhar competitividade. Enfio a carapuça e remeto-me ao silêncio. Ela insiste: vê o que se está a passar na Europa!| Ok, não batas mais no ceguinho, já percebi, mas ouve lá o Ramos Horta, com um discurso ainda mais céptico do que o meu em relação à bondade do mundo dos negócios.
Nem de propósito, recebo um comunicado da Lusa informando que a Sonae Sierra irá aumentar em 3,5% o investimento em centros comerciais para garantir que são ambientalmente sustentáveis.Com salários de 500 euros , ou menos? Está bem abelha! A Responsabilidade Social soa bem, mas cheira a mofo, travestido de progresso.
Angola também anuncia o advento da economia verde como um dos factores de desenvolvimento e progresso do país. Pigarreio, olho para o lado e atiro-me a um sumo de acerola  para ver se a voz melhora.
Quem não melhora é o nosso primeiro ministro. Fez uma intervenção sobre as eólicas, ( "na plenária"- disse ele) e realçou  o desenvolvimento de Portugal  nesta matéria, provocando a admiração de alguns jornalistas. Só para que as coisas fiquem claras, esclareço que a grande aposta nas energias renováveis foi feita pelos governos de Sócrates e que o PM de Portugal sempre se manifestou contra as energias alternativas, tendo sido eleito com o apoio de dois homens que apostam fortemente na energia nuclear: Patrick Monteiro de Barros e Pedro Sampaio Nunes. as caras mais visíveis do lóbi nuclear.
Um mentiroso compulsivo nunca deixa de ser aldrabão, mesmo em plenários ( é assim que se diz em português de Portugal, senhor Pedro Coelho!) internacionais, onde veste a capa da hipocrisia.

4 comentários:

  1. Olá... Assim de pé para a mão, realmente não consigo vislumbrar qualquer outra utilidade deste tipo de cimeiras que não seja reunir os Gestores das Corporações que Controlam os Estados para que estes façam o que elas querem, tirando claro as viagens e os passeios... VIDA DO COSTUME

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  2. Como o comentário anterior não saiu conforme pretendido!!! 2ª Tentativa!!!

    Olá... Assim de pé para a mão, realmente não consigo vislumbrar qualquer outra utilidade deste tipo de cimeiras que não seja reunir os Gestores das Corporações que Controlam os Estados para que estes façam o que elas querem, tirando claro as viagens e os passeios...
    Aqui fica outro exemplo de como a máfia verde opera!
    Estas cimeiras servem principalmente para criar a Ilusão de que eles "estão preocupados" com os Ecossistemas que "vamos fazer algo", apenas com o objectivo de continuar com a VIDA DO COSTUME

    E como lhes correu tão bem a cimeira até brindaram com champanhe!!! foi lindo... de tão sustentável!!!

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  3. Pois... nada de novo na frente ocidental!!

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  4. " a plenária" é o espelho da completa vacuidade vocabular do coelho, já se torna fastidioso falar nesse meco

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