domingo, 17 de junho de 2012

Una Giornatta Particolare*


Hoje realizam-se três eleições que podem modificar muita coisa num futuro próximo.
Se a vitória do PS na segunda volta das legislativas francesas não oferece dúvidas e irá permitir a Hollande aplicar o seu programa, no Egipto  e na Grécia as coisas são mais complicadas.
Desfeito o sonho da Primavera árabe que alguns lunáticos apregoavam como a grande vitória da democracia, o Egipto vai hoje às urnas para escolher entre dois males: Shafik, ex-primeiro ministro de Mubarak, ou Muhammed Morsi,da Irmandade Muçulmana. 
Centenas de mortes depois, os egípcios  preparam-se, então, para escolher entre o regresso do regime que derrubaram na Praça Tahrir e o fundamentalismo islâmico. Será, apesar de tudo, melhor para o mundo que Shafik vença, mas isso não trará paz ao país. A decisão do Tribunal Supremo de dissolver o Parlamento - onde os islamitas tinham maioria- significa que o presidente eleito governará durante uns tempos com rédea solta, sem ser fiscalizado.Há já fortes reacções populares. Os egípcios não aceitaram a decisão, nem  vão acatar pacificamente uma vitória do herdeiro de Mubarak.  Um foco de incêndio que poderá alastrar no extremo Oriente, com consequências imprevisíveis.
Na Grécia, a escolha será entre o Syriza e a Nova Democracia. A vitória da esquerda provocará um cataclismo na Europa. Se for a direita a vencer, significa que a morte da UE ficará adiada por algum tempo, mas será igualmente inevitável.Só não acontecerá se a senhora Merkel perceber, finalmente, que ou muda de atitude, ou o fogo será ateado mais tarde ou mais cedo. A Alemanha também sairá chamuscada, mas isso ela também ainda não percebeu...

Eh pá! Estou aqui a falar de política? Sou mesmo idiota! Que interessa isso, se daqui a umas horas os tugas vão defrontar a laranja mecânica e lutar pela passagem aos quartos de final do Europeu de futebol? Lembro-me de cada coisa!...
Tenham um bom domingo. Voltarei à noitinha para comentar os resultados.

:* Una Giornatta Particolare é o título de um fantástico filme  de Ettore Scola, com Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Passava-se num domingo, durante uma visita de Hitler a Itália.Fascismo já havia... a guerra viria poucos meses depois. Lembram-se?

7 comentários:

  1. CARLOS, como sempre as eleições, em toda parte,causam apreensão e um certo receio.
    Como são dificeis as escolhas!!!

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  2. A fita...particularmente desalinhada,mesmo na filmatografia deEttore Scuola...
    Quanto ao resto? Só me preocupa a Grécia...

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  3. DE tudo o dito apenas o futebol tem tempo de inicio e de fim com um resultado conhecido no fim do jogo. O resto, tudo é incerto... mesmo depois de conhecidos os resultados...

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  4. Não sei por onde pegar no teu post, tão rico ele é! Descarto já o futebol, que não me interessa, e espero pelas notícias de logo à noite relativamente às eleições na Grécia, desejando que comece de vez o cataclismo - ele aliàs já começou, tem é de se definir.
    No Egipto não houve primavera e muito menos árabe, e agora estão à beira de outro banho de sangue.
    Acabo com o belíssimo filme do Scola, que nunca esqueci:muitos sinais de mudanças o filme apontava - elas vieram, tristes e trágicas. Vamos ver o que nos espera...

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  5. E não é que queria saber do resultado das eleições gregas e na net só vinha o destaque do jogo de Portugal? Mas pronto, a malta lá se animou um bocado com o resultado da bola, quanto às eleições gregas, pelo que consegui ler até ao momento, parece que o impasse é semelhante, com uma vitória ligeira do ND! É esperar para ver...

    O filme não vi! ;)

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  6. E pronto! Na Grécia o cataclimo europeu foi evitado, por hora, e "nós" passámos aos quartos de final! :)
    Quanto à jornada particular, não vi, apesar de conhecer muitos filmes desses dois monstros sagrados da sétima arte.
    Beijinhos e tem uma noite descansada, Carlos!

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  7. Deixo a política em banho Maria e relembro um dos mais belos filmes italianos dos últimos tempos: Sofia Loren, fabulosamente sofrida, seduzida por um homossexual comunista, perfeito à maneira de Mastroianni. Já não se fazem filmes assim...

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