sexta-feira, 23 de março de 2012

Knock, knock! Who's there?



Há certas práticas de vendas agressivas que pareciam estar mais ou menos erradicadas, graças aos múltiplos avisos das entidades competentes. No entanto, fruto da crise e da sensação de que as pessoas já estão  suficientemente avisadas sobre os contos do vigário, essas práticas estão a regressar em força. 
Voltei a ser acordado nas manhãs de sábado com telefonemas onde me convidam a ir levantar um prémio que ganhei num suposto concurso, ou por mero acaso de uma tômbola que escolheu o meu nome como feliz contemplado de um prémio surpresa. 
A minha reacção continua a ser a de sempre. Ou desligo de imediato recomendando para não me voltarem a acordar a um sábado às 10 da madrugada, ou deixo a pessoa do lado de lá da linha falar e quando me pergunta “então a que horas quer vir buscar o seu prémio”, respondo:
“Já acabou a lenga lenga? Então agora deixe-me continuar a dormir"
Tenho-me livrado dos vendedores porta a porta, graças ao sistema  video instalado no meu prédio, que me permite mantê-los à distância e evitar a sua subida até à porta de casa. 
A mesma sorte não teve, porém, a mãe de uma amiga minha, com 85 anos, que comprou uma enciclopédia por 1080€, sem se ter apercebido que assumira um compromisso. O que valeu, foi ter telefonado à filha a contar que tinham estado uns senhores muito simpáticos lá em casa e lhe tinham deixado um presente: uma calculadora que ela não sabia como utilizar, mas que estava convencida a filha muito apreciaria.
A filha percebeu a marosca e conseguiu, in extremis, anular o negócio dentro do prazo legal.
Este caso trouxe-me à memória um outro que já aqui contei, mas penso que a maioria dos meus leitores não terá lido, pois  relatei-o  em 2008, ainda nos primórdios do CR.
Assim sendo, aqui vai de novo, pois trata-se de uma história deliciosa.
Estava o país a ser invadido por uma avassaladora onda de empresas de venda de colchões ortopédicos, a que cada uma juntava as propriedades adequadas aos consumidores que pretendiam iludir. Um casal, de idade já avançada, foi atraído a um desses locais de venda pelos processos já sobejamente conhecidos, mas mantinha-se irredutível em desembolsar uns milhares de euros para comprar o colchão. O vendedor, perspicaz, mas sem sucesso no recurso aos habituais argumentos, invocou um novo: aquele colchão produzia efeitos iguais aos do Viagra!. O casal entreolhou-se, trocou em recato algumas palavras e passado algum tempo decidiu-se. Negócio fechado, a troco de cerca de 3 mil euros a pagar em prestações suaves, com recurso ao crédito. O problema surgiu quando o casal constatou que fora enganado e, invocando o prazo de reflexão de 14 dias, pretendeu anular o negócio!...

11 comentários:

  1. O problema é que há sempre um vizinho que abre a porta e depois lá os temos a tocar à nossa porta: invariavelmente da Meo ou Zon, ou um par de "jarras" a "vender" religião...
    EDUCADAMENTE, nem os deixo dizer algo, dizendo com muito PERSUAÇÃO que não estou minimamente interessado...

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  2. Também os ponho logo a andar e, confesso, muitas vezes até me esqueço de ser bem educada. É que já não há paciência!
    Quanto ao casal idoso, nem a auto-sugestão lhes valeu!

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  3. As técnicas de vendas tornam-se mais agressivas quanto maior a crise e a falta de capacidade das pessoas para comprar... é cíclico! Mas francamente não tenho a mínima pachorra para os aturar... enfim!

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  4. Eu, como moro numa aldeia e ninguém sabe se percebo desta técnicas diabólicas, sou assediada permanentemente.

    Felizmente, depois duma grande corrida em osso há cerca de duas semanas, tenho tido um certo período de paz. Vamos lá ver até quando.

    Um bom fds

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  5. Carlos fico chocada como tem gente que usa os velhinhos e os rouba sem menor escrúpulo.
    Uma pena.
    Beijinhos e um feliz final de semana.
    Beijinho

    Lucia

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  6. O grande problema são as pessoas idosas e sozinhas, que por mais avisadas que estejam, coitadas, dexam-se sempre apanhar.
    Beijinho Primaveril

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  7. Comigo não têm sorte. Digo imediatamente que não estou interessada e ponto final. Nem lhes dou tempo para começar a "vender o peixe".

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  8. Mais que tudo, faz-me impressão que tentem assim enganar os velhotes. Esse casal não é caso único, vários familiares meus mais idosos já caíram em esparrelas semelhantes. E não foi para comprar colchão que desse mais "energias"... ;)

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  9. Imagino como a sua amiga ficou apreensiva quando soube que a mãe tinha aberto a porta e deixado entrar esses “senhores simpáticos”! É que hoje em dia não se abre a porta a ninguém! : )
    Aqui esses telefonemas são também diários e à hora do jantar: entre as 18h e as 19h. A maioria tem uma pronúncia péssima (a mão de obra é muito barata na Índia! )! Tantas viagens ao México tenho ganho sem fazer nada por isso! Bem pergunto como foi que aconteceu mas nunca recebo uma resposta que me convença!

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  10. Modernos vendedores do templo:) Não há pachorra! :)

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  11. Comigo também não fazem farinha, mas ainda vão "levando" muitos incautos!

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