segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Coligados na exploração da morte

Domingo triste de Dezembro. Estou afastado das notícias desde sexta-feira ao final da manhã.Levanto-me tarde, ainda na ressaca de dois dias intensos e bem vividos, mas a tempo de ver as notícias das 13 e voltar a conectar-me com a realidade.
Na primeira notícia que me cai em sorte vejo PPC com um ar compungido- que não o impede de lançar um olhar para a câmara, para ter a certeza de que está a ser filmado- a prestar uma homenagem a Sá Carneiro. Não consigo perceber a razão da homenagem (ainda não realizei que é dia 4 de Dezembro e há 30 anos a queda de um Cessna marcaria a ascenção de Cavaco Silva) mas, horas mais tarde, ao ler a entrevista do PM ao "Público" os meus neurónios agitam-se, tocam campainhas e as palavras "hipócrita" e "oportunista" aparecem-me, em maiúsculas intermitentes, na janela da memória.
Segundos depois aparece Paulo Portas. Está num jantar de natal da família democrata-cristã, a mostrar aos fiéis que ainda está vivo e a reafirmar a sua lealdade com a coligação. Atrás de si uma enorme tarja evoca Adelino Amaro da Costa.( Presumo que lá para a Páscoa de 2013 o palco seja ocupado por Judas e a tarja evoque outra personagem, mas isso são contas de um outro rosário).
Nos actos do PM e do líder do parceiro de coligação há um óbvio e sinistro aproveitamento de duas figuras políticas que- estejamos ou não de acordo com as suas ideias- enobreceram a política em Portugal. PPC e PP decidiram aproveitar a data da morte de dois líderes carismáticos ( nada melhor do que uma morte trágica para transformar políticos em heróis nacionais) para se aproveitarem dela e tentar transmitir aos portugueses que são seus legítimos herdeiros.
Foi um dos momentos mais tenebrosos, hipócritas e oportunistas que presenciei nos últimos tempos. Nem PPC é herdeiro de Sá Carneiro, nem PP de Adelino Amaro da Costa. Eles são apenas dejectos de uma geração construída na febre consumista construída durante o cavaquismo. Quando se perderam os ideais e a compostura, para dar lugar ao oportunismo e à incompetência.
A acção conjunta dos dois líderes partidários do governo de Vítor Gaspar foi uma manobra mediática certamente germinada na mente escabrosa de Paulo Portas, que PPC comprou como uma boa ideia. Aproveitar a memória dos mortos para fortalecerem a sua imagem, foi mais um momento aberrante desta coligação de infames. Infelizmente, não será o último.

8 comentários:

  1. Carlos
    Do ponto de vista ideológico nada me ligava a Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. No entanto estou de acordo quando diz que estas dua figuras enobreceram a política.
    De facto viveram em tempos em que se militava para defender ideais e estes dois homens (tal como outros) fizeram-no com coragem e dignidade, mesmo que como diz não estivessemos de acordo.
    Estas figurinhas (e outras, mesmo noutros quadrantes) mais não fazem do que defenderem os lugares "conquistados" à custa de ligações e apoios obscuros.

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  2. Ainda bem que não vi nada disso!
    É nojento este aproveitamento!

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  3. E são estas cenas trágico/cómicas por parte dos actuais protagonistas que vão sendo notícia para papalvo consumir!
    (não desdenho da morte trágica dos supostos homenageados, como é eviudente!)

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  4. Dentro de duas semanas também chega este filme a Düsseldorf e, não quero deixar de o ver.

    A política é uma porca onde todos querem chupar, TODOS, não interessa a cor do partido.

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  5. Sá Carneiro e Amaro da Costa,concorde-se ou não com os seus ideais, como dizes, amigo Carlos; foram realmente FIGURAS da nossa democracia.
    PPC e PP são apenas figurinhas elevados a figurões...

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  6. Não vi, estive enfiada na cama todo o santo domingo, com uma laringite...fruta da época :)))Mas sou franca, quando essa gente aparece na TV faço logo zapping já não há c.... pachorra...

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  7. Não vi, mas chegaram-me uns zunzuns! Vergonhoso, é a única palavra que me ocorre...

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  8. Culigados (sim, foi propositado) em exorcizar fantasmas.

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