quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cul de sac

António José Seguro está num beco sem saída. Quer abster-se na votação do Orçamento para mostrar que está disposto a colaborar com o governo, mas enfrenta uma oposição interna que exige o voto contra.

A abstenção sem ter conseguido que o PSD ( o CDS não interessa nada, porque só está no governo para fazer número e aguentar a coligação) ceda em alguns pontos do OE, poderá recolher ainda mais simpatia da direita, mas fá-lo-á perder uma grande parte da sua base de apoio interna que exige o voto contra do PS. Os eleitores da esquerda também nunca lhe perdoarão, o que ameaça o PS de sofrer, em 2015, uma derrota humilhante. No PS ninguém quererá passar por essa provação, pelo que Seguro será um líder a prazo que, certamente, nem chegará a concorrer a eleições .
Se votar contra será acusado pela direita de falta de solidariedade e se encostar à extrema esquerda. Argumento pífio, mas que MRS já se encarregou de invocar numa das suas homilias dominicais. O guru "esqueceu-se" de dizer que as medidas de austeridade avançadas por este governo vão muito além das exigidas pela troika, razão mais do que suficiente para justificar o voto contra do PS. Resta saber se Seguro estará mesmo interessado em votar contra, mas isso é outra história...

Num ou noutro caso, Seguro está em maus lençóis. O meu palpite é que Seguro, de mãos a abanar, apareça a dizer que conseguiu introduzir alterações no OE na especialidade, apresentando umas migalhas como vitória. Poderá, com isso, calar algumas vozes dissonantes, mas não será por muito tempo. Com grande pena da direita, Seguro será sempre um líder a prazo. Venha o próximo!

4 comentários:

  1. Carlos
    Tenho ao longo dos tempos travado uma batalha contra uma ideia crescente na nossa sociedade de que os “políticos são todos iguais”. Sou dos que acredita que há muita gente séria na política. Tenho a sorte de conhecer alguns.
    Agora na verdade desconfio daqueles que meteram um dia na cabeça que ainda haviam de ser qualquer coisa de importantes na política e vir a ocupar cargos de relevo. Claro que o resultado está à vista e o futuro com carreiristas por opção também não promete nada de bom.
    Um bom político não é quem o quer ser. É quem tem condições para o ser. Não basta aparentar ser bom “rapazinho”. Apetece-me dizer mais qualquer coisa, mas não quero começar o dia com palavrões.

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  2. Deixou de ser dilema...passou a trilema ou a quadrilema...

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  3. Com este não vamos a lado nenhum.

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