sexta-feira, 11 de novembro de 2011

CR sub 30: do semáforo ao polícia sinaleiro

Hoje em dia o trânsito é regulado por semáforos que comandam veículos e peões. Como são máquinas, há muitos condutores que desrespeitam o sinal vermelho e, quando o verde passa a amarelo, em vez de abrandarem como manda o Código da Estrada, aceleram na tentativa de passar antes de cair o vermelho. Muitas vezes não o conseguem e o acidente é inevitável.

Já perdi um amigo que, regressando a casa de madrugada, confiou demasiado na sorte e morreu. Nessa altura os semáforos eram uma invenção recente e o trânsito nocturno no Porto diminuto. Por isso, ao passar no Marquês de Pombal, no Porto, pensou que àquela hora não devia vir nenhum carro e, em plena aceleração, passou com o sinal vermelho.

Dizem que “O destino marca a hora” e a hora dele devia estar marcada, porque da Rua da Constituição vinha outro carro que vendo o sinal verde avançou afoitamente e a colisão foi inevitável. Os semáforos deviam ser respeitados - por condutores e peões - tão escrupulosamente como a sinalética dos antigos reguladores de trânsito.

Chamavam-se polícias sinaleiros, também conhecidos entre jovens e menos jovens pelo nome carinhoso de chapéus de giz, pelas razões que a foto documenta. Todos respeitavam as suas ordens, sob pena de apanharem uma valente multa e ficarem com a carta apreendida. Hoje em dia, em certos cruzamentos onde o trânsito é regulado por semáforos existem câmaras de vigilância que permitem detectar o infractor, em caso de acidente. Mas não é a mesma coisa…Dir-me-ão que com o trânsito urbano caótico dos dias de hoje é impossível regular o trânsito com sinaleiros. Concordo em absoluto, mas isso não invalida que tenha saudades do tempo em que havia polícias sinaleiros. Uma profissão que a maioria dos sub-30 desconhece, ou apenas viu em fotografias.

O sinaleiro era mais justo que o semáforo. Hoje em dia, nos semáforos com temporizadores, podemos verificar que aos peões é dado para atravessar a rua, um terço do tempo que é dado ao condutor para atravessar o cruzamento. E mesmo quando o sinal está verde, os peões têm de se acautelar, pois não são raras a as vezes em que os automobilistas, vendo o sinal verde, mudam de direcção sem cuidar de saber se o sinal para os peões está encarnado ou verde.

Os semáforos têm outra desvantagem: são estáticos. Já o polícia sinaleiro era um animado regulador de trânsito que sabia escolher o semblante carregado ou uma postura mais descontraída, consoante as ocasiões.

Ainda recordo a coreografia que alguns ensaiavam em cima das peanhas onde se colocavam para dirigir o trânsito. Alguns eram verdadeiros mestres na arte gestual que ensaiavam , esforçando-se por dar prioridade equitativa ao automóvel e ao peão. Não raras vezes juntavam-se nos passeios por autênticas multidões para os observar e- imagine-se- chegavam a aplaudi-los!Digam lá… imaginam alguém a aplaudir um semáforo quando passa de vermelho a verde, ou vice –versa?




8 comentários:

  1. Ainda há aqui um sítio que as pessoas de mais idade chamam sinaleiro. Desde que me lembro de ser gente, só me lembro de ver os semáforos, mas o nome que dão ao cruzamento indica que houve lá um, de facto.

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  2. Ainda me lembro de ver os sinaleiros fardados a preceito :)

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  3. Sabes que, por vezes, sinto saudades do tempo em que o trânsito era regulado pelos polícias sinaleiros, Carlos?

    Só a presença da autoridade era motivo sificiente para se avançar ou parar à sua ordem.

    Hoje, o único sinal que se respeita rapidamente, nos semáforos, é o verde.

    E que dizer de certas passadeiras para peões em que o sinal verde é simultâneo, durante uns segundos, para veículos e peões?
    Aqui bem perto de minha casa há um exemplo do que digo.
    Abraço.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Não tenho a certeza se foi o último policia sinaleiro do Porto, mas recordo-me bem da divertida coreografia que o homem com uma farfalhuda bigodaça, luvas brancas, capacete "cabeça de giz" e, claro, um apito, fazia em frente dos condutores e peões que queriam sair ou entrar na cidade pelo tabuleiro inferior da Ponte Luis I. Rapidamente avaliava qual a fila maior, se vinha autocarro, se as pessoas queriam atravessar, e o trânsito fluia sem complicações. Não acredito que um semáforo fizesse melhor trabalho pois ali nunca houve um depois que o sinaleiro se reformou.



    fazia aos condutores e peões que queriam sair ou entrar na cidade pelo tabuleiro infeior da Ponte Luis I

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  6. Achei o trânsito de Lisboa uma doidera.Num dado momento me deparei com um entroncamento, não uma rotunda mas uma pacata rua, de onde vinham carros de 4 sentidos e todos pareciam querer ter a preferência.Eu fui no fluxo, sem saber se estava certa ou não, senão me passavam por cima.Fazia falta lá um sinaleiro!

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  7. Não sabia dos aplausos aos polícias sinaleiros.
    Lembrei-me de uns apanhados estrangeiros em que dois polícias sinaleiros davam sinais opostos...
    O pior dos semáforos é quando avariam, como uma vez na Rua Bento de Jesus Caraça para a Constituição, em que estava sempre vermelho, numa madrugada, quase sem trânsito. Alguns carros ficaram então parados,até que o 1º resolveu avançar cautelosamente e os outros seguiram-no.

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  8. Que saudades dos polícias sinaleiros ... !
    Mas será que nalgumas zonas não se poderia regressar à gestão do trânsito por tão simpáticas figuras...?

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