terça-feira, 18 de outubro de 2011

Prós e Contras

" Se tivéssemos um PR que não fosse só um conselheiro Acácio..." - dizia Carlos Carvalhas, em grande forma, no Prós e Contras de ontem onde, sozinho, teve de esgrimir argumentos contra Cantigas, Moreno e um Padre Vaz Pinto que devia ter vergonha na cara.


Gostei de rever Carvalhas. Com menos ironia do que lhe era habitual, mas com a mesma assertividade.


Reproduzo uma frase que me parece merecer alguma reflexão:


" Sejamos justos. Sócrates conseguiu reduzir o défice, o descalabro veio depois com a crise..."


Eu sei que vou ferir alguns leitores com o que vou dizer a seguir, mas é minha convicção que se Carvalhas ainda fosse líder do PCP, não teria chumbado o PEC IV. Não o digo apenas com base nesta frase, mas sim porque, em minha opinião, Carvalhas teria percepcionado o que está a suceder e não deixaria o governo cair. A ponderação dos "Prós e Contras" do chumbo do PEC IV teria sido um sinal de maturidade, teria evitado esta aventura trágica e o sofrimento de muitos milhares de portugueses nos anos que se avizinham, com a perda de poder de compra que nos faz recuar aos anos 70.


Agora vem aí uma greve geral, muitos gritos na rua, mas nada irá mudar ( porque 80 por cento vai trabalhar à espera que os outros 20 façam o trabalho por eles) e os trabalhadores é que sofrem. Sentados na sua maioria, com a aquiescência do PR e a cumplicidade de uns manjericos do Tribunal Constitucional, a direita vingar-se-á do 25 de Abril que nunca apreciou, mas que foi suportando infiltrada no PSD , à espera do momento ideal para agir.

Para que o cenário seja perfeito, só falta Seguro não votar contra o OE. Sendo essa a posição previsível, o líder do PS confirmar-se-á como o melhor abono de família da direita. Como, aliás, venho dizendo desde 2009.

9 comentários:

  1. Estou totalmente de acordo.
    E digo também que se Álvaro Cunhal estivesse à frente do PCP o chumbo do pec IV também não teria acontecido.
    Quanto a Seguro, foi um erro de casting!...

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  2. Carlosamigo

    Não vi; não vejo pulhítica; não vejo telejornais; não vejo debates pulhíticos, não vejo entrevistas a pulhíticos deixei-me dessas coisas, sou um jornalista auto-defenestrado, já não tenho pachorra, estou velho; vejo futebol, râguebi, snucker e coisas assim... Nem concursos, vê lá tu.

    Mas, pelo que escreves, concordo como habitualmente. E espero que o seguro não morra de velho... Ou será com caixa alta?

    Abç

    Já foste ver o meu post mais lindo? Um pai babado com os três filhos - em 1969...

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  3. Tanto quanto sei, Manuel Alegre já disse publicamente que era uma vergonha se o PS não se opusesse a este OE. Temo é que o tal Seguro, também se esteja nas tintas para o povo... :(

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  4. Falam como se acreditassem que o PECIV teria resolvido os problemas.Esquecem que o dinheiro estava esgotado e já nem dinheiro havia para pagar vencimentos.O reinado de Sócrates estava esgotado,foi gastar à larga e a vida só estava possível para os "amigos".Publico privadas,amigos,amigos,amigos,todos os outros sem hipotese de emprego,enfim só não via o que se passava quem estava bem instalado na vida.
    Zé, com três filhos licenciados e desempregados.

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  5. Espero que Seguro ouça as vozes esclarecidas do partido!

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  6. Não sei porquê mas este Seguro (não vai comigo à missa).
    (pronúncia do norte)

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  7. Se o Carvalhas fosse secretário-geral do PCP e... o PS quisesse virar à esquerda e José Sócrates não fosse tão casmurro

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  8. Também gostei de ver o Carlos Carvalhas e de o ouvir. Tocou muitas vezes no que é a verdadeira causa desta crise.

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  9. «Sejamos justos. Sócrates conseguiu reduzir o défice, o descalabro veio depois com a crise..."

    Não estou de acordo. Crise? Começou quando? Eu que já tenho uma idade respeitável sempre me lembro da crise. Já a minha falecida avó falava na crise. Eu até chego a pensar que o nome do nosso país devia ser crise e não Portugal, dado o permanente estado de crise em que sempre estamos.

    Mas o Sr Carvalhas não tem razão, Afinal quem é que em 2009 subiu os ordenados do funcionários públicos, contra todo o bom senso?
    Como é que a dívida pública passou de 64% para 103% entre 2008 e 2011?
    Se havia défice em 2005, era porque já havia crise. Enfim o Carvalhas gosta de falar para o que lhe dá jeito.

    Estou convencido, que se fosse ele o secretário-geral do PCP, o PECIV era chumbado na mesma.
    Também o PCP em 1987 ajudou a derrubar o governo do PSD, abrindo as portas do poder a «10 anos de governo de direita»...

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