terça-feira, 18 de outubro de 2011

A entrevista

Depois de 90 minutos a ouvir a exasperante conferência de imprensa de Vítor Gaspar, ainda tive de encontrar forças para assistir à entrevista dele à RTP ( Não foi masoquismo, foi dever de ofício, porque do lado de lá do Atlântico esperavam a minha crónica e uma rádio aprazara uma conversa comigo).

Devo dizer que não dei o tempo por mal empregue. Vítor Gonçalves foi acutilante e insistente nas perguntas, apenas deixando por uma vez – que me recorde- o ministro evadir-se. Penso que preferiu largar a presa, a desperdiçar aquela pergunta sobre Cavaco: “Como reage ao facto de o PR ter dito que era um erro penalizar ( não tenho a certeza se foi este o verbo) os funcionários públicos com a perda do subsídio de Natal ou de férias”?

Vítor Gaspar vacilou mas não foi ao tapete. Ao longo da entrevista ficou no entanto claro que ele não tem um plano B para o facto desta estratégia falhar e, daqui a seis meses, ser obrigado a pedir mais sacrifícios aos portugueses. Isso é alarmante, mas faz parte de uma estratégia governativa de que falarei em breve.

Preocupante, igualmente, ( pelo menos para mim que não sou economista) o facto de VG depositar uma fé enorme na venda das nossas empresas, como factor de desenvolvimento da economia. Mas se calhar, sou eu que estou a ver mal a coisa…

No que não estou enganado, é que VG teve o discurso típico de um ministro de Salazar. E, durante a entrevista, nem sequer faltou aquela mosca que sempre aparecia nas "conversas em família" de Marcelo Caetano.
Temos homem e temos governo, ao gosto dos senhores que pretendem o regresso de Portugal aos anos 60 do século passado.



Adenda: pelas três da manhã, o telefone tocou do outro lado do Atlântico. Perguntavam-me se Portugal estava próximo de um “ Corralito” .

“Já faltou mais”-respondi. “Infelizmente não se vislumbra por aqui um Gustavo Kirchner que nos tire do buraco”.

4 comentários:

  1. Carlos
    Gabo-lhe a paciência. Mas o dever de "ofício" assim obriga.
    Claro que não sou apologista de enfiar a cabeça na areia, mas aquela figura já me faz ter pesadelos. É o que diz, a forma como o faz e a insensatez que demonstra.

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  2. … mas o discurso e a entrevista já surgiram efeito, GRANDE empresa privada EXPORTADORA, hoje começou o corte ao supérfluo e ao despautério


    P.f. lê-a nas entrelinhas.


    Só me resta GRANDE ABRAÇO


    abraço

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  3. E não se pode extreminá-lo? não há forma de por cobro a esta selvajaria?

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  4. Acompanhei a conferência de imprensa e vi a entrevista. Resisti!
    Resisti não sem um nó na garganta e um arrepio na espinha, provocados pelo tom gélido, bárbaro e desumano, de tique nazi,com que o homem foi anunciando as medidas e respondendo às perguntas.
    Para ele as pessoas não passam de números incómodos, há que exterminá-las. Não cortar os subsídios? Não os cortar teria como contrapartida despedir de 50 mil a 100 mil funcionários públicos! Assim, de um número para o seu dobro, com o maior à vontade!
    Pensamento nazi...
    Pergunta a ariel se não se pode exterminá-lo, se não há forma de pôr cobro a esta selvajaria. Não nã há, enquanto os portugueses continuarem a reger-se pela cultura dos centros comerciais, de que tão bem falou Saramago.
    Um abraço, Carlos

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