quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Forte Apache? É uma favela em Buenos Aires...


Imagem do Bairro Forte Apache em Buenos Aires (Internet)



Tenho lido por aí algumas teorias sobre a origem do nome do novo blog Forte Apache , reduto dos acólitos do passismo.

A minha teoria diverge bastante das que li. Inclino-me para que a opção dos autores pelo título “Forte Apache” não esteja relacionada com o filme, mas sim com um bairro dos arredores de Buenos Aires construído no final dos anos 60 , na primeira fase da ditadura argentina.

O objectivo não era albergar apenas espanhóis, mas sim todos os residentes em bairros de lata ilegais que viviam na zona do Retiro (na sempre muito lembrada Villa 31)

Inicialmente, o bairro de gente humilde e pacata a quem as autoridades tiveram de ensinar a usar os sanitários, chamava-se Bairro Padre Mugica, clérigo argentino ligado aos movimentos populares (e mais tarde conotado com o peronismo) , envolvido no processo de realojamento.

Nos anos 70, quando o projecto de urbanização sofreu um forte incremento, para alojar os habitantes de outros bairros ilegais, devido à realização do Mundial de Futebol de 78, milhares de argentinos e imigrantes de diversas nacionalidades foram viver para Mujica, descaracterizando por completo a sua teia original. Sugestivamente, a ditadura rebaptizou-o de Barrio Ejercito de Los Andes!

O nome de Forte Apache viria a ser da responsabilidade de um jornalista (José Keizer) que se alistara como combatente na Guerra dos Seis Dias, mas acabou por desertar…

Anos mais tarde, quando fazia uma reportagem no Barrio Ejercito de Los Andes, assustou-se com uma cena de tiros e baptizou-o de Forte Apache, nome que recebeu a adesão da esmagadora maioria dos porteños.

Diga-se, em abono da verdade, que actualmente faz jus ao nome, pois é uma favela onde campeiam a droga e a criminalidade, sendo perigoso e desaconselhável lá entrar.

Em 2001, durante o Corralito, tentei fazer uma reportagem em Fuerte Apache para uma revista brasileira. Debalde. Se o centro de Buenos Aires era, à época, um barril de pólvora, Fuerte Apache assemelhava-se a um western ao vivo e a cores. A maioria da população, no entanto, até é pacífica e ali nasceu, inclusivé, o jogador argentino mais amado pela torcida porteña: Carlitos Tevez.

Dali saiu aos 18 anos rumo à glória para atingir o estrelato no planeta do futebol e se tornar um ídolo da Argentina, apesar de não ser um jogador de excelência.

Embora no Forte Apache blogueiro não exista gente assim tão jovem, não faltará quem esteja animado pelo espírito guerreiro de conquistar a glória, desfraldando a bandeira do Relvismo e apregoando pelo mundo virtual as maravilhas do Passismo.

5 comentários:

  1. Taí bacana! Não conhecia essa história do bairro.
    Valeu!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  2. Das favelas brasileiras também saem jogadores de futebol...o que é difícil de crer: que alguém sobreviva por lá. Principalmente depois das notícias da noite anterior que estampam cenas de faroeste no complexo do Alemão, tecnicamente "pacificado".Tá tudo errado!

    ResponderEliminar
  3. Caro Carlos
    Mesmo tendo lido o Crónicas, penso que a ideia do nosso Forte Blogueiro, é mais próxima do meu texto.
    Cavalaria gringa e índios pisteiros. Todos entrincheirados no forte à espera de que a Nação Apache lhes dê uma catrefada de porradas.

    ResponderEliminar
  4. CARLOS, pela foto e a descrição do lugar, tem todas as caracteristicas de favela.
    Aqui,infelizmente, temos muitas.

    ResponderEliminar