terça-feira, 30 de agosto de 2011

Portalegre. Ou será triste?

Fotografia de Majoca, seleccionada para o Google Earth




Tarde de sábado. No Alentejo, sente-se o calor que tem andado arredio do litoral. Estamos perto de Portalegre e, ao final da tarde, empreendemos uma visita à cidade. Estaciono no Rossio e começamos a subir até ao castelo, onde a câmara fez um grande investimento.
Vamos fazendo a escalada ( pouco íngreme) , trocando dois dedos de conversa aqui e ali. À falta de indicações, pergunto a um ancião, em gozo dos favores de uma sombra, se vamos no bom caminho. Afirmativo. Temos sede. Aproveito para perguntar se há alguma esplanada no castelo.
" Não me parece! Já houve lá várias, mas faliram todas. Quem é que vai almoçar ao castelo aqui em Portalegre?"
- "Então e os turistas?"
Sorri...



"Se estivéssemos à espera dos turistas morríamos de fome...isto aqui não há nada p'ra ver"
Dou-lhe razão. A cidade evoluiu muito pouco desde o tempo em que lá vivi, durante três meses, nos anos 70. Parece que o tempo por ali parou. Continuamos a subir. Cruzamo-nos com uma família espanhola e, num cotovelo da rua, com duas jovens escandinavas em sentido descendente.



Avistamos uma estrutura em madeira e vidro, que me parece de extraordinário mau gosto. Estamos no castelo. Como algumas mulheres meticulosamente maquilhadas, ao longe o castelo parecia mais bonito... a maquilhagem modernaça, principalmente quando vista de perto, desfeia-o e rouba-lhe fulgor. A visita, no entanto, valerá a pena porque de lá se podem desfrutar belas vistas.



Chegamos à porta do castelo. São 18h15m. Está fechado! Horário de funcionamento da parte da tarde? Das 14 às 18!



(Ó senhor presidente da Câmara! Acha que alguém vai visitar o castelo nessas horas num dia de Verão? Talvez aquela estrutura de madeira e vidro - que me faz lembrar a marquise da rua do Possolo- tenha ar condicionado, mas visitar um castelo, como se estivesse a viajar dentro de um casulo, não me parece boa ideia...)


Um casal de turistas, cuja nacionalidade não conseguimos identificar, mostra o seu desalento. Perscruta um mapa, quiçá pensando numa alternativa a onde ir.


Descemos outra vez até ao Rossio. Alguns velhos conversam à sombra de um plátano secular,em diálogos compassados. Sentamo-nos numa esplanada a tomar uma bebida.


Chegam três carros topo de gama: Mercedes, Audi e TT. Por esta ordem. De lá de dentro saem pessoas cuja indumentária sublinha, a cintilantes traços de ouro, a sua classe social. Dirigem-se para a Igreja. Provavelmente, para assitir à Missa. São todos de meia idade, deveriam ter pouco mais de 20 anos quando os cravos floriram numa longínqua manhã de Abril.


Acabamos a bebida. Regressamos a casa cantarolando canções de Abril, já o sol se começa a esconder no horizonte. Que nem para todos se abriu, apesar de Abril...

15 comentários:

  1. Se fosse só em Portalegre..., a mim acontceu-me coisa muito parecida não há muito tempo no Castelo de Beja, só que à hora de almoço. Voltamos depois do almoço, o expositor dos flyers estava desoladoramente vazio..., duas ou três brochuras, nenhuma em português, uma desgraça!

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  2. Estou desolada
    poeque quando fomos a Portugal fizemos muitos passeios e muitas visitas a cidades pequenas mas cheias de movimentos.
    comc arinho Monica

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  3. Nunca visitei sequer Portalegre, mas um amigo que lá vive também diz que a terriola é uma pasmaceira. Pelos vistos nem a câmara parece muito interessada em desenvolver e dinamizar a cidade... ;)

    Enfim, o Portugal profundo...

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  4. Carlos
    Já há um bocado que vi o seu post dedicado a Portalegre. Não comentei porque pensei que a nossa amiga Carlota o fizesse e justificasse as criticas que deixou.
    Há uns anitos(30 e muitos) tive que enveredar pela profissão de vendedor. A primeira volta que fiz pelo Alentejo começava no Gavião e acabava em Portalegre, onde tinha que arranjar um sítio barato para dormir. Ou seja o Primeiro lugar onde dormi no Alentejo foi na Cidade de Portalegre. Pela foto está mais ou menos igual. O jardim e presumo que ainda lá está o café/Restaurante no outro topo.
    Foram 3 Anos em que mensalmete lá dormia. Haveria muito para contar, mas já vai longo para comentario.

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  5. Até o mais singelo relato se torna no mais interessante dos textos,meu caro amigo!
    Admiro muito a forma como escreve...
    :)
    Nunca fui a Portalegre (triste?) mas pelo relato fiquei sem a menor vontade de lá ir,esses presidentes da câmara se estivessem mesmo disposto em reavivar a cidade e em incentivar o turismo podiam fazê-lo sem dificuldades,sendo uma das medidas mais óbvias o alargamento do horário de visitas a locais de interesse,como o amigo bem observou,mas infelizmente a vontade não é muita...

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  6. Ariel:
    Também me aconteceu há tempos em Serpa, mas com uma particularidade. Cheguei lá antes da hora do almoço, distraí-me a passear e, quando queria sair para ir almoçar não pude porque...estava fechado! Lá tive que aguentar até reabrirem da parte da tarde.

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  7. Monica
    Então andou por aqui e não disse nada? espero que tenha gostado...

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  8. Teté:
    Não consigo perceber a razão de Portalegre se manter assim parado no tempo, até porque é capital de distrito...

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  9. Flor
    Gosto muito e viajar pelo nosso país ( apesar de tantos desgostos me dar...)

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  10. Folha seca:
    como escrevi, vivi lá durante três meses ( embora ao fds viesse quase sempre para Lisboa). Tantos quantos vivi em Castelo Branco. Não percebo como Portalegre parou no tempo, enquanto Castelo Branco evoluiu imenso
    Além disso, perto está o Marvão e Castelo de Vide também é um saltinho.
    O restaurante do topo é agora uma pizzaria e tem também um ...chinês, claro...
    Também senti a falta da nossa amiga Carlota. Espero que não tenha ficado triste com o que escrevi...
    Talvez ainda apareça.
    Ah, +e verdade! Já fui muito feliz no Gavião :-)))

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  11. Me, myself...
    Obrigado pelas suas palavras. O post é apenas uma tentativa de chamar a atenção para algo que precisa de ser melhorado, mas que não é exclusivo de Portalegre. Aqui pelo cometário da Ariel e pela resposta que lhe dei,vê-se que há outros sítios onde sucede o mesmo.
    e dig-lhe uma coisa. Vá a Marvão e Cstelo de Vide, locaidades de que gosto muito e depois dê um saltinho a Portalegre. No Outono e Primavera, o castelo pode ser visitado às horas do expediente...

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  12. Ora vamos lá às justficações.
    Não nasci em Portalegre, mas desde os meus 8 anos que cá moro. Por isso é a minha cidade.
    Amigo Carlos, a foto já tens uns belos anos, oportunamente colocarei uma no meu blogue como o Rossio está actualmente.
    Portalegre é uma cidade "morta". Vive muito os seus estudantes, os dias de semana, mas esquece os locais, os fins de semana. Mas como em muitas cidades do nosso Portugal, estamos numa cidade rica. Ao comércio local foi concedida uma autorização de abertura das lojas até às 22h na época de verão e quem as tem?? Ninguém.
    Não podemos culpar só os presidentes de câmara. Quantas vezes eles querem dinamizar a sua região, e o chefe lobo da capital lhes tira a comida?!
    As remodelações do castelo, foram a maior asneira, o maior deastre paisagístico feito na minha cidade. Onde está o gosto do arquitecto?? Deve ser lisboeta ehehehehhehh.
    O domingo é de facto um dia muito parado em Portalegre, cidade. Como alguém disse há Marvão, Castelo de Vide bem perto que têm outra dinâmica.
    É triste mas é o que temos. Mas também temos paisagens maravilhosas, podemos atravessar a cidade em hora de ponta e chegar a casa em 15 minutos. Conhecemos a vizinha do início da rua, e da outra rua também. Podemos pedir o sal emprestado à vizinha do lado. Ainda há quem deixe a porta aberta todo o dia. Moro num rés do chão e por vezes a janela da cozinha fica toda a noite aberta. Não temos Mc´Donalds, Zara´s. Mas temos a nossa comidinha regional.
    Nem tudo é mau. Mas sei reconhecer que aos domingos a minha cidade precisava de um empurrão para ficar mais alegre.
    A nível político poderia dizer muita coisa, mas a minha visão política por vezes é um pouco azeda, e o Carlos não merecia um comentário azedo.
    Quer dizer, andou pela minha cidade e não me disse nada, fiquei zangada!!! Eheheheh.
    Beijo

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  13. Carlota:
    Cara amiga, não entenda o post como uma crítica à sua cidade onde estive no Sábado e não no domingo...
    Como digo na resposta a um comentário, há outros locais do país onde sucede o mesmo e dei até o exemplo do que me aconteceu em Serpa. Como também escrevi, nos arredores de Portalegre, existem dois tesouros (Castelo de Vide e Marvão) de que gosto muito.
    O objectivo do meu post ( para além de chamar a atenção para horários que me parecem pouco consentâneos com a realidade alentejana...) era chamar a atenção para o facto de a cidade não ter evoluído muito, desde que aí vivi, há mais de 30 anos.
    E, como a minha amiga salienta (bem...) a culpa não pode ser atribuída apenas às autoridades. As pax tb não colaboram. Aliás, há tempos dei o mesmo exemplo sobre os comerciantes de Cascais que também eram renitentes em encerrar as portas depois das 19 h regimentais. alguns arrepiaram caminho, mas a maioria não...
    Tendo vivido em muitas capitais de distrito, por perídos de três meses( privilégios de um trabalho maravilhos que desenvolvi com comunidades locais nos anos 70) tenho tido curiosidade de as revisitar para perceber como evoluíram ( O meu trabalho de free lancer tb dá uma preciosa ajuda)
    Confesso que foi Portalegre aquela que me pareceu ter parado mais no tempo mas, como diz e concordo em absoluto, a culpa muitas vezes é dos habitantes locais e deste poder macrocéfalo sediado em Lisboa, que está a asfixiar o resto do país.
    Já aqui tecicríticas à minha própria cidade que evoluiu muito à vista, mas no conteúdo (as pessoas) pouco mudou.
    Conheço e aprecio as muitas vantagens de viver numa cidade pequena e, pudesse eu, já há muito tinha deixado Lisboa para ir viver para outra cidade.
    Duas notas finais:
    - Não lhe disse nada, porque a minha ida aí só foi decidida na manhã de sábado.
    - A fotografia roubei-a da Internet e , segundo os créditos, terá sido tirada em 2008.
    Escolhi-a porque não me pareceu muito diferente da realidade actual. Aliás, o plátano é secular...
    Muito obrigado pelo seu comentário e desculpe se a deixei triste, mas não foi essa a intenção. Aliás, tenho vários amigos aí na zona ( Alegrete, Castelo de Vide, Ponte de Sor, Mação e Gavião) a quem também não pretendi magoar...
    Beijinho

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  14. Carlos não estou magoada com o post.
    Tudo o que lá escreveu é verdade, infelizmente por um lado, felizmente por outro.

    Mas, para a próxima já sabe, avise para bebermos um cafezinho, como está tudo fechado, bebemos água na fonte do Rossio eheheheh.
    Estou a brincar!!

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