segunda-feira, 8 de agosto de 2011

De boas intenções, está o Inferno cheio...




Não duvido das boas intenções que presidiram ao Programa de Emergência Social. Apesar da vacuidade das medidas apresentadas ( é fácil enunciá-las, mas mais difícil pô-las em prática) reconheço que está lá uma ou outra boa ideia. O mais deprimente em todo o PES é o seu ADN, visível no assistencialismo vigente durante o Estado Novo.

A caridadezinha nunca resolveu problemas sociais. Normalmente,até os agrava. Um Programa de Emergência que não combate a pobreza, produz os mesmos efeitos que uma aspirina no combate ao cancro.

Uma das medidas boas ( a distribuição gratuita a idosos de medicamentos que estejam a seis meses do fim do seu prazo de validade) merece profunda reflexão. Por que razão é que os medicamentos iam para lixo seis meses antes de terminar o seu prazo de validade?


Quanto às más, a maioria,dou apenas um exemplo: retirar à ASAE o poder de fiscalização sobre as IPSS é o mesmo que dizer "deixem os pobrezinhos em paz, porque qualquer coisinha serve para lhes encher a barriga".


O PES está também impregnado de hipocrisia e fariseísmo e a propósito, até me lembrei deste episódio.


Este governo que protege os ricos e asfixia a classe média; que fomenta o desemprego facilitando os despedimentos; que faz negócios escuros com o grande capital; que privatiza sem critério; que paga ordenados principescos ao pessoal dos gabinetes; que aumenta cegamente o preço dos transportes; rouba metade do subsídio de Natal de quem trabalha e aumenta os impostos, mas não taxa as mais valias bolsistas, quer passar a imagem de ser bonzinho e preocupar-se muito com os pobres, dando-lhes migalhas do pão que lhes rouba. Se isto não é hipocrisia e fariseismo, o que lhe devemos chamar?

Prometeu o ministro Pedro Mota Soares uma avaliação semestral do programa. Se houver seriedade e transparência, não será preciso muito tempo para detectar os erros que o maculam. Duvido é que sejam corrigidos para melhorar o sistema. Para isso, seria necessário tomar medidas efectivas de combate à pobreza.

4 comentários:

  1. Carlos
    Como sabe, uso muito canções com o conteudo que na altura me parece adequado.
    Como comentário deixo aqui o endereço para uma canção de outros tempos mas que apetece voltar a ouvir.
    http://www.youtube.com/watch?v=VDNjIuY1Z2w

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  2. Todo esse PES é revoltante de caridadezinha beata e hipócrita!Ignóbil, tudo isto!!!
    A tua crónica está excelente, de crítica clara e de esclarecimento. E concordo totalmente com ela!Vergonhoso...

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  3. Carlos,

    Essa questão dos seis meses também me deixou a pensar. Então, seis meses antes de expirar o prazo do medicamento, ei-lo a caminho do lixo? Isso faz algum sentido?
    Cada vez ando mais afastada de tudo o que é notícia, isto porque a náusea vai num crescendo insuportável.
    Essa, por acaso (por mero acaso) ouvia-a.
    Não comento! Se me permites abstenho-me. Tudo isto é tão mau que já não tenho palavras.

    Abraço.

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  4. Carlos, apenas duas questões:
    - Não acham estranho que nunca se tenha ouvido falar de "medicamentos que iam para o lixo seis meses antes de findar a sua validade"? Vindo a "nova" de quem vem, não será de desconfiar e confirmar se era mesmo assim?
    - Depois de tanta aldrabice em pouco mais de um mês, não será este PES mais do mesmo? Mais uma aldrabice, esta de um aldrabão que no dia da tomada de posse do governo foi de scooter para ficar bem no boneco (há que poupar...)?
    Que se saiba o gajo arrumou a scooter e passou a andar de pópó como os outros.

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