terça-feira, 9 de agosto de 2011

"Cuidado com os sonsos"

Tenho lido muitas apreciações positivas ao ministro das finanças, algumas vindas de pessoas que até admiro e são inquestionavelmente de esquerda.


Confesso que sinto arrepios quando leio elogios ao discurso quadrado e por vezes irritante de Vítor Gaspar. O seu discurso exaspera-me, a sua relação com os jornalistas e os deputados, deixa-me apreensivo. Lembro-me logo de um outro ministro das finanças que no final dos anos 20 do século passado foi recebido pelos portugueses com grande optimismo. Angariou um grande capital de simpatia e nele depositaram os portugueses a esperança em dias melhores.Poucos anos depois, esse ministro tornava-se presidente do conselho e dava início a uma longa noite de trevas.


Dir-se-á que os tempos são outros e não se vislumbra qualquer hipótese de surgir em Portugal um novo Salazar. Embora uma ditadura salazarenta seja pouco provável, não sou tão optimista. “A ocasião faz o ladrão”, como diz o povo e é visível a esperança que muitos portugueses depositam neste governo, aceitando de bom grado os sacrifícios que lhes estão a ser pedidos.

A sociedade portuguesa parece adormecida e amorfa, o que dá oportunidade ao aparecimento de “salvadores bem intencionados” que vão apalpando o terreno e medindo o pulso à capacidade reactiva dos portugueses. Se ninguém lhe puser um travão, não sei até onde irá Vítor Gaspar. Por isso, alinho com o alerta de Braga de Macedo .“ Cuidado com os sonsos!”, alertou o ex-ministro das finanças de Cavaco, referindo-se a Vítor Gaspar.

3 comentários:

  1. Olhe Carlos, uma coisa é aceitar antes, ou seja, "quando nos pedem sacrifícios". Outra é aceitar depois, ou seja, quando já nos foram ao bolso. Quer-me parecer que lá para Janeiro, quando a boa disposição das férias já terá acabado há muito, depois do brutal aumento dos transportes em Agosto, depois da tourada que vai ser o início do ano lectivo, depois do corte no 13º mês e depois do que entretanto, não tenhamos dúvidas, aí virá, sempre quero ver se os "sacrifícios" serão aceites de bom grado. Nessa altura veremos.

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  2. Carlos
    A sonsice é coisa que se aprende. Há cursos especificos para isso. Podem até chamar-se de relações publicas, oratória e afins.
    Agora que aquela "calma" artificial já começa a chatear já.

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  3. Pois, também não morro de ampres pela criatura, não. Mas , pelo menos, assume a sua opção ideológica.

    Fique ebm

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