segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Conservadores? Talvez...

Este post suscitou diversos comentários que me proporcionaram uma enriquecedora reflexão: serão os portuenses conservadores?


Devo confessar que tenho muita dificuldade em lidar com a palavra conservador e em definir conservadorismo.Não nego que foi o conservadorismo do Porto dos anos 60 que me incitou a pirar-me cedo para Lisboa…no entanto, também sempre liguei a palavra conservador àquele que conserva relíquias que se perderiam no tempo, se ninguém cuidasse de as preservar. Conceitos diferentes, eu sei…mas é mesmo por aí que quero ir.


Quando alguém de Lisboa fala do conservadorismo dos portuenses, a minha reacção imediata é contrariá-la. Mas depois, pensando melhor, chego à conclusão que quem o afirma tem uma boa dose de razão. Os portuenses conservam alguns princípios que aprecio, mas que não deixam de ser conservadores. E até eu, que nos comportamentos sou mais alfacinha do que tripeiro, me deixo conduzir pelo coração e reconheço algumas vantagens nisso.


No Porto ainda se toma chá com naturalidade a meio da tarde, ainda se aproveita a hora do lanche para cavaquear à mesa de cafés com História e as pessoas preferem celebrar os aniversários recebendo os amigos em suas casas, em vez de irem para um restaurante…


São apenas alguns exemplos de conservadorismo que considero positivo. Enquanto reflectia sobre a outra ( menos boa…) vertente conservadora e procurava identificá-la com o comportamento actual das gentes do Porto, dei por mim a constatar que também guardo alguns tiques de conservador, apesar de ter abandonado o Porto há mais de 40 anos. Dou-vos apenas um exemplo:


Quando estou no Porto mais do que as 48 ou 72 horas habituais, gosto de visitar os pais de alguns dos meus amigos da velha guarda. Ora, sendo eu avesso às gravatas, que normalmente só uso quando a isso sou obrigado, dou por mim a vestir um casaco e pôr uma gravata para os ir visitar. Sem esforço e até algum prazer. Apenas porque sei que ( especialmente às mães) lhes vou agradar e enquanto tomamos chá , acompanhado de biscoitos e bolos caseiros, a conversa corre com fluência, como se fossemos da mesma geração.


Não era este o caminho que queria seguir quando comecei a escrever um post sobre o conservadorismo das gentes do Porto, mas deixei-me conduzir pelo movimento dos dedos sobre as teclas, comandados pelo cérebro e desaguei aqui. Nada a fazer. Fica para a próxima…

13 comentários:

  1. Porque será que me senti no "meio" desse seu "conservadorismo"?
    Sou "rebelde" mas nesses toques gosto de ser conservadora:):):)

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  2. Quando leio crónicas como esta, meu caro amigo, fico imediatamente com vontade de visitar a nossa cidade.

    Ao visitar familiares e amigos procedo da mesma maneira que o Carlos, os meus filhos até me dizem, que em Portugal me visto como uma menina do coro da igreja.

    Em Setembro vou até lá, embora todos me digam que a vida em Portugal está muito mais cara do que na Alemanha. Vamos lá ver!

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  3. Eu chamar-lhe-ia mais tradicionalismo,preservação de costumes familiares - e isso é bom!

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  4. Eu estou com a Justine! :-))
    Deste conservadorismo gosto!

    Abraço

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  5. Ui... o que para aí vai de nostalgia :)))mas sim, o Porto sendo uma cidade profudamente burguesa, é claro que é conservadora. É uma pescadinha de rabo na boca, porque essa sua força é também a sua fraqueza...
    :))

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  6. Carlos

    Conservar as tradições e o respeito é estar de bem com as raizes.
    Mas me ajude amigo. O que quer dizer: sou mais alfacinha do que tripeiro?
    Beijinhos

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  7. Não sei se são mais conservadores ou não, a bem dizer não conheço ninguém do Porto, a não ser bloguista (o que não é bem a mesma coisa)...

    Do norte sim, lembro-me dos meus primos tratarem o pai e a mãe por "senhor" e "senhora", enquanto nós tratávamos por mamã e papá. Eles por você, nós por tu, tal como aos meus avós. Agora mais respeitosos não eram, porque às vezes a entoação do "Qué que quer senhora?!", não deixava margem para dúvidas sobre o pouco que ligavam ao que a minha tia dizia...

    De uma coisa estou certa, o meu marido, também alfacinha, que veste fato e gravata quase todos os dias para ir trabalhar (contrariado, mas tem de ser), não o vestiria para uma reunião familiar, visitas a pais de antigos amigos, etc. Para ele, isso é fato de trabalho e mainada! Se calhar casei com um modernaço e não sabia...:D

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  8. Luz:
    Quer dizer que sou mais lisboeta ( alfacinha) do que portuense (tripeiro). Regionalismos...

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  9. Teté:
    Na Faculdade de Direito era obrigado a ir às aulas de gravata, o que me deixava exasperado.
    Felizmente já não preciso de usar gravata para ir trabalhar, excepto quando vou entrevistar algumas pessoas. Em reuniões de família também raramente uso e devo dizer-lhe que, em determinada época da minha vida usei sucedâneos da gravata, para me rebelar contra ela. Bem, mas mais não digo, porque um dia destes escrevo um post onde contarei tudo :-)

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  10. Carlos

    Obrigada pelo Rochedo Translator!
    Ah...homens de gravata são sexy!
    beijo

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  11. Pois Carlos , sou da sua opinião em relação ao Porto, eu uma figueirense, radicada na linha há 37 anos... apaixonada por Lisboa .
    As gentes do Porto têm para mim algo de diferente que me coibe de aqui escrever..
    Mas estive em Julho uma semana em Moledo, e vi como as famílias tradidicionais do Porto se cpmportam... E, uma coisa me encantou. O sentido d família ainda tribal muit mais dessiminado cá para o sul...

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  12. Acho que esse tipo de conservadorismo entra bem no conceito de tradição, portantos...

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