quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Caderneta de cromos (30)

Marcelo Rebelo de Sousa





Marcelo Rebelo de Sousa já adquiriu há muito tempo o estatuto de cromo da vida política portuguesa. Concedo-lhe agora a honra de entrar nesta caderneta de cromos, como prémio pelo discurso ziguezagueante com que nos tem brindado ultimamente, num exercício esforçado para lançar uma candidatura abrangente às presidenciais de 2016.
Nunca é demais lembrar que o professor dizia, em tempos, que Pedro Passos Coelho era uma versão de Sócrates… “piorada”.
Ora desde que este governo tomou posse, Marcelo tem alternado umas ferroadazinhas a diversos ministros, com a repetida declaração de que Passos Coelho é uma pessoa honesta.
O professor deve ter um conceito de honestidade tão peculiar, que lhe permite transformar os defeitos de Sócrates em virtudes de Coelho! Só assim se explica que um primeiro-ministro que já ignorou mais de uma dúzia das suas promessas eleitorais e tem sido apanhado em sucessivas mentiras, seja considerado um modelo de honestidade.
Começo, aliás, a pensar que o mensageiro das noites domingueiras da TVI tem um problema com o dicionário. Ainda no último domingo o ouvi dizer que, por muito gravosas que sejam as medidas tomadas por este governo, os portugueses nunca se revoltarão nas ruas, porque têm “consciência cívica”!
O professor confunde “consciência cívica” com “molenguice”. Se o povo português tivesse consciência cívica , não cuspia no meio da rua,limpava os cocós do cão quando o leva a passear, não atirava o lixo para o chão, era disciplinado no trânsito, respeitava as filas nas paragens dos autocarros, cedia o seu lugar às grávidas, quando está a ocupar os lugares que lhes estão reservados nos transportes públicos, não estacionava em segunda ou terceira fila, não aparcava em lugares destinados a deficientes…


Podia dar-lhe muitos outros exemplos, mas creio que estes são suficientes para lhe explicar que se os portugueses não se revoltam nas ruas, não é por terem consciência cívica, mas sim por serem molengões e ficarem à espera que outros se revoltem “por” e em nome deles. Depois vêm para a rua gritar vivas, fazer a festa e deitar foguetes mas, 48 horas volvidas, regressam a casa para tratar da vidinha e acatam, resignados, todos os esbulhos.
O povo português não se revolta porque é um povinho foleiro, professor… não é por ter consciência cívica.

15 comentários:

  1. E também apanham as canas:):):)
    Estou a começar a deixar-me envolver demasiado nesta "loucura" do disse e depois já não disse...para bem da minha saúde mental tenho que desligar o botão...o que me vai tornar molengona (que chatice!)

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  2. Cada dia gosto mais ler o que escreve.

    Chapeau !!!

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  3. Caro Carlos
    Não diria que é por ser um “povo foleiro” mas sim por tudo aquilo que escreveste antes, principalmente por ser um povo acomodado à espera que os outros resolvam os problemas.
    No entanto a coisa pode mudar, como já mudou outras vezes na nossa História e, se a sangria se mantiver por muito mais, ainda pode ser que venham a haver surpresas.
    Era preferível que não esticassem tanto a corda. Quando ela se partir vai ser à bruta, como já foi antes de se inventar a expressão “brandos costumes”.
    Abraço

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  4. Subscrevo e assino por baixo. Nem mais. Quanto ao prof Marcelo já estamos habituados: umas vezes é e outras deixa de ser. É conforme quer calçar melhor a forma do sapato de defunto!Até eu já me cansei de lutar por este povo de molengões e oportunistas, sempre à espera do esforço e da luta de uns poucos para melhorarem a sua triste e apática vidinha!

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  5. Deixei de o ouvir!
    Quanto ao povo português...a ver vamos!

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  6. Se alguns portugueses tivessem "consciência cívica" não para a TVI dizer aldrabices.

    Carlos Fonseca

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  7. Que grande texto escreveu. Parabéns , é isso mesmo que eu penso.
    Ainda vou ouvindo o Prof. apenas para averiguar a minha lucidez.
    M.A.A.

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  8. Barbosamigo

    Sem tirar nem pôr, é mêmaçim. Não vejo, nem sequer oiço o Maquiavel-de-trazer-por-casa, mas gosto tanto dele que todas as noites durmo descalço. Vidas. Feitios.

    Já o escrevi, reescrevi, enescrevi: NÓS, OS TUGAS, NÃO PRESTAMOS. Claro que temos muitas e excelentes excepções; para citar os vivos, desde a Paula Rêgo até ao Cristiano Ronaldo há um ror delas, felizmente. Mas...

    Olha, na Travessa publiquei umas coisas sobre o Reino Maravilhoso nas palavras de Miguel Torga. Resultado das voltas que a Raquel e eu demos pelo nordeste transmontano. E não podia faltar a gastronomia. Abordei, sem rebuço, um lombo de javali e constato que nunca comi nada igual em manjares do sublime animal. Acompanhado de batatas a murro, feijão verde salteado e, castanhas fritas, uma delícia. Prato limpo à força de pão.

    Um destes dias, se sobreviver, hei-de falar de mais manjares, das postas, das alheiras - e doutros locais de enfartar. Ponto final – por agora. E nada de excessos; gula é pecado…

    Abç

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  9. Sobre esse estrume não me pronuncio!

    Pelo menos hoje, que já estou farto de me lamentar da rapinagem...

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  10. Sempre que estou no Porto vejo o programa do Marcelo Rebelo de Sousa na RTP, e até gosto de o ouvir, é que eu tenho uma certa simpatia por todos cromos da vida política portuguesa e alemã.

    Caso o programa dele tenha mudado de canal, então já não o posso ouvir, porque no Porto só tenho 2 canais: a RTP1 e a RTP2.

    A consciência cívica do nosso povo é uma história muito longa e triste, no entanto, fico furiosa quando a família alemã me fala disso: cuspir no meio da rua, atirar o lixo para o chão, não ser disciplinado no trânsito, não respeitar as filas nas paragens dos autocarros, não ceder o seu lugar às grávidas (aconteceu isso no ano passado, e a minha familiar alemã é que deu o lugar).

    Pois bem, uma coisa é certa, o Marcelo Rebelo de Sousa não comete tais desacatos.

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  11. Também deixei de ver o programa, que não tenho pachorra para esses ziguezagues do "mestre", mais notórios nos últimos tempos. A bem dizer, já tinha reparado que por vezes retorcia os argumentos para defender as suas causas, num exercício discursivo em que é perito. Mas agora?! Please, não preciso que me atirem (mais) areia para os olhos... :P

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  12. Também eu deixei de ver o programa. "Cansava-me". Concordo inteiramente com o que escreveu acerca da "consciência civica", ou melhor, a falta dela. Abraço

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  13. Caro Luis
    Começaram por apalpar o pulso e agora começaram a esticar a corda. Não sei até onde isto vai, mas não estou nada optimista quanto às reacções dos portugueses. Por metade disto, já os gregos andavam à trolha. Sem resultados práticos, é verdade, mas um povo calado é um povo submisso.
    Espero que a partir de Outubro as coisas mudem...
    Abraço

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  14. bom post e bons comentários... espero mt de si este inverno.

    Obg!

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