terça-feira, 31 de maio de 2011

Vai ser um despertar doloroso

Será razoável a saída de Portugal da zona Euro, como admite o PCP? Penso que não. A questão que se coloca é se algum dia deveríamos ter entrado.

Quando faço esta afirmação lembro-me imediatamente da Argentina. Já aqui falei, várias vezes, sobre a forma como Buenos Aires solucionou a crise. Conheci a Argentina no seu período de esplendor económico. Vivi de perto a amargura de muitas famílias que, durante o Corralito, passaram de uma vida confortável à miséria e conheço Argentina actual que cresce sete a nove por cento ao ano.

Ultrapassar a crise foi um processo de extrema violência para os argentinos e ainda hoje muitas famílias lambem as feridas provocadas pelo neoliberalismo de Menem.

Quando vejo imagens da crise grega, estou a ver ao espelho o nosso futuro muito próximo. Mas vejo também imagens da crise argentina. Sei que a cura será mais ou menos dolorosa, consoante a receita que for aplicada. A Argentina teve um Kirchner que uniu os argentinos. A Grécia tem um governo e uma oposição de candeias às avessas, incapazes de se porem de acordo.

Nós, quase de certeza, vamos ter Passos Coelho. Um ultra-liberal elitista e que aceita, sem um remoque, os tiques xenófobos de alguns dos seus correligionários. Os portugueses vão votar na mudança, porque têm esperança que um novo rosto a dirigir o país lhes devolva a esperança.

Não serão precisos mais do que seis meses para perceberem o erro. Será muito mais dolorosa a cura prescrita por um médico estagiário ultra-liberal, do que por um médico que, apesar de alguns laivos de liberalismo, tem experiência e crédito no Hospital de loucos em que se transformou a União Europeia. Quando perceberem a diferença será tarde. Mas talvez os portugueses precisem de passar por essa experiência dolorosa para se recomporem. Felizes dos que se puderem pirar daqui, a tempo de evitar a ressaca.

11 comentários:

  1. Carlos
    Oportuno post.
    Acredite que depois de 36 anos a votar nunca tive tanta dúvida em relação ao meu voto. Tenho esperado pelo tal "clik" que me diga que "é neste". Não que seja eleitor "catavento" mas estou a viver uma grande inquietação sobre a utilidade a dar ao meu voto. Ainda por cima nunca me irei abster e muito menos votar em branco e claro que tambem nunca votarei na direita.
    Vou esperar para decidir.

    ResponderEliminar
  2. folha seca, postou exactamente as minhas palvras e o meu sentir.
    OBG!

    ResponderEliminar
  3. Também agora me tenho questionado se a nossa entrada na zona Euro foi uma boa política...
    E ainda questiono outras coisas...
    Se o partido ou partidos vencedores já têm delineada toda a táctica de arranque para iniciar a subida ao Calvário, via que todos nós teremos que subir sem sabermos quantos aguentarão sem serem crucificados!
    Também me parece que há gente que ainda não acordou, continua a dormir e a sonhar com o paraíso...

    ResponderEliminar
  4. E claro que nunca votei nem votarei na direita!

    ResponderEliminar
  5. Estou totalmente de acordo que só piorando a situação, os Portugueses se vão sentir na necessidade de mudar mesmo e perceber o erro... quase como um toxicodependente, que por vezes tem de cair no poço e bater mesmo lá no fundo, para querer saír dele... entretanto, tudo indica que será mesmo o PSD a fazer governo e daqui a um ano, estaremos como a Grécia... Pessoalmente, e já o disse muitas vezes, penso também que nunca deveriamos ter entrado no euro...

    ResponderEliminar
  6. Há alturas na vida em que temos de engolir sapos e ter bem identificado o inimigo principal. E o inimigo principal hoje chama-se ultra-liberalismo, tem voz de tenor e falar brejeiro para confundir as massas. Eles estão-se borrifando para o Sócrates, o que eles querem é esfrangalhar de vez o PS como partido do arco do poder, que irá congregar um forte fatia de oposição contra a razia que aí vem. Só que não contavam que o homem fosse duro de roer. Com todos os defeitos que tem, se não fosse ele a segurar o barco o PS já se tinha pulverizado completamente para contentamento tanto dos partidos à sua direita como dos partidos à sua esquerda. contra factos....

    ResponderEliminar
  7. Caro folha seca... posto isso, restam-lhe poucas opções. A não ser que noves fora nada... :)

    ResponderEliminar
  8. Caro folha seca
    Também continuo com dúvidas e estou convencido que só no próprio dia tomarei a decisão. Como diz a Ariel ( secundando,aliás, Álvaro Cunhal) há momentos em que temos de engolir um sapo.
    A direita do agricultor e do líder de Massamá, que aspira a ser betinho da Av de Roma, vão esfrangalhar o país e destruir todas as conquistas de Abril. Penso que, por uma vez, preciso de ter os pés bem assentes no chão e dar o voto a quem efetivamente, o possa combater.
    Não vou esquecer, por muito que isso me custe, que foi a esquerda que lhes entregou o poder.
    Olhe, meu caro, afinal parerce-me que já sei em quem vou votar.
    Depois tomo uma Alka Seltzer e a digestão do sapo fica mais fácil.
    Abraço

    ResponderEliminar
  9. Quatro partidos viraram as costas à Democracia, à Justiça, (quando a há) e à pluralidade.
    Adivinhem quais são... o meu voto ficou ainda mais decidido agora. É que isto demonstra muito.
    Quem não deve, não teme.
    http://xatoo.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  10. Cara Fada do Bosque
    Sou apologista de que em tudo deve ser feita a prova dos nove ou outra. O meu voto até estava práticamente decidido. Mas acho que defender a saída do euro está para o PCP como a repetição do referendo para o PSD. Há demasiadas coisas em concreto para discutir do que estar a desenterrar fantasmas. De facto nunca devíamos ter entrado no Euro e mesmo na CEE. Mas agora, não me parece essa discussão fazer sentido. Não rejeito que essa questão um dia venha a ser posta... mas até lá não vale a pena queimar etapas?

    ResponderEliminar
  11. Caro Carlos
    Já estive nessa. Mas acho que o Sapo tem inchado tanto, tanto que acho que já não é uma questão de digestão. Já é o de caber ou não no estômago.
    Tambem só vou decidir lá para sexta feira. Faço questão (já que me meti no assunto) de dar a conhecer a minha posição antes do período de reflexão.
    No fundo já se está a desenhar uma opção. Votamos para deputados. Talvez vá contribuir para a manutenção de um deputado isolado no meu Distrito. Que fez um excelente trabalho.

    ResponderEliminar