quinta-feira, 19 de maio de 2011

Inimigo Público: casting para um novo thriller

O Ocidente não consegue viver sem inimigos.
Derrubado o muro de Berlim e afastado o fantasma do perigo comunista, teve de inventar outro. Fez um ensaio com a China, depois de Tian An Men, mas Pequim olhou a Europa e os Estados Unidos com o mesmo desprezo com que um pastor alemão olha para o chiuhahua que o desafia num ladrar furioso, mas impotente.
Bush percebeu que um homem misterioso, sem paradeiro certo, seria ideal para recuperar o inimigo público de que os Estados Unidos necessitavam. Bin Laden era a pessoa ideal mas, para que todo o Ocidente tivesse medo dele e os cidadãos estivessem dispostos a abdicar de uma fatia da sua liberdade, em troca da sua segurança , era preciso que Bin Laden fizesse alguma coisa terrível. Assim sacrificou Bush mais de três mil vidas, no dia 11 de Setembro de 2001.
Michael Moore tentou explicar isso ao mundo com o seu documentário Farenheit 9/11, mas logo a comunicação social o classificou de louco e o mundo voltou a dormir descansado.
Uma década depois, o efeito Bin Laden estava a esfumar-se. Desde o ataque ao metro de Londres que não fazia nada para empolgar os cruzados ocidentais. Apesar dos esforços em manter vivo o ódio contra o infiel, com guerras no Iraque e no Afeganistão, ou na aposta em derrubar o ex-amigo Kadhaffi, os líderes ocidentais não conseguiam empolgar os cidadãos.
Foi então que Obama teve uma ideia ( já todos começamos a perceber como as ideias de Obama são desastrosas): ressuscitar Bin Laden, matando-o. A ideia inicial seria exibir as imagens da morte ao mundo, para que os cidadãos exultassem e se rojassem aos pés do presidente americano em ritual de agradecimento. As manifestações parolas dos americanos e o receio de que a exibição das imagens desencadeasse uma tempestade no mundo islâmico, refrearam os intuitos de Obama.
Os Estados Unidos têm pressa em encontrar um novo inimigo que empolgue o Ocidente. Kadhaffi não serve, porque é demasiado fraco.
Na Casa Branca decorrem os “castings” para encontrar um inimigo credível. Do júri fazem parte a União Europeia, o FMI e os grandes grupos financeiros. Afiançam-me que o anúncio do vencedor está para breve. Aguardemos.
Entretanto, aproveitem para dizer que enlouqueci. Talvez tenham razão…

3 comentários:

  1. Olha, imaginando-me em amena cavaqueira contigo e sem necessidade de casting's, que tal José Socrates?
    Sempre ficava a esperança de ser exterminado, irradicado, eclipsado, sei lá!
    Abraços
    Janita

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  2. Imagine a quantidade de inimigos da liberdade que é preciso combater.
    Quanto à cruzada ocidental, está a ver o filme ao contrário. Quem seria a pessoa que o aconselhou a ver o documentário-filme do Michael Moore?

    Persiste dúvidas quanto ao actual presidente norte-americano? Então ele não vinha redimir a América?

    Cumprimentos.

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