quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tão diferentes...tão iguais?







Há dias, Alexandre Soares Santos, o senhor Pingo Doce, aproveitava uma entrevista televisiva para carpir mágoas sobre o estado do país e manifestava o seu receio de eclosão de convulsões sociais em Portugal. O segundo homem mais rico do país manifestava o seu desconforto e a sua preocupação, perante a miséria que grassa entre as famílias portuguesas. Fiquei comovido e tive de arranjar uma dose suplementar de Kleenex para enxugar as lágrimas. Quando comecei a ouvir as suas receitas para combater a pobreza tive de mudar de canal .

Quando fui para a cama a sua imagem de beato voltou a povoar-me os pensamentos, provocando-me uma insónia. Foi então que me lembrei dos ditadores que chegaram ao poder com discursos semelhantes. E isso levou-me, irremediavelmente, a compará-lo com Fernando Nobre, o homem preocupado com a pobreza e as desigualdades em Portugal que está disposto a tirar-nos do Inferno se os portugueses o elegerem presidente da Assembleia da República. Não faz a coisa por menos. É pegar ou largar. Ele só está disposto a lutar pela melhoria das condições de vida dos portugueses, se nós aceitarmos perverter as regras da democracia.

Temo que os portugueses se deixem embalar pelo canto da sereia e lhe dêem o seu voto, esquecendo que estão a ceder a um chantagista que, com a cobertura de um partido, quer satisfazer, apenas, o seu desígnio pessoal.

Confesso que tenho medo. A ignorância do povo português já nos conduziu, mais do que uma vez, a o longo da nossa História, a soluções que nos coarctaram a liberdade. Fernando Nobre é apenas mais um vendedor de banha da cobra, que veste a pele de salvador da pátria. Com as falinhas mansas que foi beber a Alexandre Soares Santos e tendo como cartão de visita, em vez de dono do Pingo Doce, o de proprietário de uma organização humanitária. Que desprestigiou, por não resistir à vaidade. Espero que os portugueses tenham memória, no momento de votar.

5 comentários:

  1. O "merceeiro" é o tal que compra tudo fora do país para encher as prateleiras dos seus "estabelecimentos" e depois chora lágrimas de crocodilos porque a nossa economia não sai da cepa torta.
    Quanto ao outro, palavras para quê? É um sonso!

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  2. Sábio conselho!
    Um nobre Lobo com pele de cordeiro.
    Bjos

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  3. Eheheh, gostei do "merceeiro" da Rosa! :)

    Nem quero imaginar que "bons" conselhos tal criatura deve ter dado ao povo!

    Quanto a Fernando Nobre, pese embora a sua obra, não me convenceu nas presidenciais e agora só me tem convencido cada vez mais que é um poço de vaidade... Ai, ai!

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  4. Infelizmente a memória dos portugueses é curta, bem curta.

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  5. O Carlos está melhor do que eu, só está com medo... eu estou em pânico.
    Bem vi como o Nobre conseguiu aqueles votos todos...
    Por cá, basta um tocador de flauta e, nem precisa de ser de Hamelin, para, imediatamente, enfeitiçar... um enorme rebanho ;)

    Bjos

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