quinta-feira, 28 de abril de 2011

Obrigado, RTP

A RTP proporcionou aos portugueses três serões magníficos, com a exibição de uma mini-série documental sobre Zeca Afonso. Não sei qual foi o share da RTP nessas três noites, mas presumo que tenha ficado muito aquém das telenovelas dos canais concorrentes que, à mesma hora, exibiam as habituais telenovelas,verdadeiros Lexotans do capitalismo, que adormecem as consciências e deformam as mentalidades.


Quero agradecer à RTP ter-me permitido recordar um Homem Livre que deveria servir de exemplo à geração à rasca. Talvez esta seja uma das últimas oportunidades de exprimir à RTP o meu agradecimento por tudo o que me tem proporcionado ao longo da sua existência. Séries como “Conta-me como foi”, que retratam o Estado Novo de uma forma didáctica e simultaneamente comovente e divertida, documentos sobre a História portuguesa, que nenhum canal privado está interessado em produzir ( como é o caso de “Maior que o Pensamento” , ou “Histórias da Guerra Colonial” do Joaquim Furtado) só são possíveis enquanto existir uma televisão pública.



No dia 5 de Junho, se Coelho e a sua comandita chegarem ao poder, não perderemos apenas o Estado Social. Perderemos também um pouco da nossa identidade, porque a malta laranja que se prepara para assaltar o poder quer apagar a nossa História recente e construir o futuro sobre os seus despojos. De mão beijada entregará a RTP à Cofina, ou a quem pagar melhor. Depois de vender o que ainda resta do país, venderá aos privados a possibilidade de reescreverem a nossa História. Os nossos netos talvez venham a ler , nos livros de História escritos por um qualquer Correia entronizado como novo Conde de Abranhos, que o 25 de Abril foi um golpe de comunistas prontamente rejeitado pela população portuguesa e que foi graças a um qualquer Alexandre Santos, ou Ricardo Salgado que o país se libertou do jugo dos vermelhos. Perverter a História é uma especialidade dos traidores. Cabe-nos impedir que isso aconteça.

9 comentários:

  1. Se me permite, assino por baixo este seu texto excelente e lúcido.

    O meu grato abraço.

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  2. E se me permite, também eu o assino por baixo...

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  3. Numa democracia, Carlos, cada um tem a liberdade de ver na TV aquilo do que mais gosta, quer sejam telenovelas ou documentários sobre o nosso Zeca Afonso.

    Neste momento a TV alemã só apresenta programas sobre o casamento da Catarina e do Guilherme, uma vez que a maior parte dos espectadores estão interessados no maior acontecimento do ano.
    Não fico nada chateada com isso, pois como há muitos canais, tenho a possibilidade de ver o meu "Krimi".
    Caso não tivesse essa possiblidade também não me importava, há tanta coisa interessante para fazer.

    Acalme-se, Carlos, o Coelho não ganha as eleições!!!
    Apesar de todos os defeitos, o Sócrates é o melhor político.

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  4. Adorei os Programas que segui atentamente. Em todo o caso a RTP, no seu bom estilo, andou com o horário do programa em bolanas, nunca foi transmitido à mesma hora, provavelmente para ver se os mais distraídos se desmobilizavam.
    Enfim é o costume. Quanto ao resto deixo-lhe aqui este link: http://economico.sapo.pt/noticias/troika-vai-demolir-proteccao-de-trabalhadores-portugueses_116905.html
    Os portugueses vão chorar a bom chorar o PEC IV..., mas vai ser tarde.

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  5. Foi óptimo ver tanto o "Conta-me como foi" como o programa sobre o Zeca Afonso!
    Ao contrário do que é costume, a RTP Internacional teve os horários certinhos!

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  6. Eu gostei de ver esses programas!
    Claro que tudo está nas nossas mãos!
    Porque "Com as mãos se faz a paz se faz a guerra
    com as mãos tudo se faz e se desfaz..."

    Abraço

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  7. Concordo.
    O share? Baixo... dá muito trabalho ver estas coisas... e à mesma hora há telenovelas e séries na FOX e no AXN!

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  8. Carlos,

    Associo-me a ti nos parabéns à RTP. Só ela mesmo para nos dar um retrato verdadeiro do nosso passado e do nosso presente.

    Parabéns também a ti pela oportunidade e lucidez do post.

    Beijosssss

    PS - Soube tão bem rever Zeca Afonso e os três cantores felizmente ainda vivos!

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