quarta-feira, 27 de abril de 2011

Jardim- a grande fraude



Aproveitei o fds prolongado para terminar a leitura do livro de Ribeiro Cardoso “ Jardim- a grande fraude”. Se outros méritos não tivesse, a sua leitura permitiria, pelo menos, recordar alguns episódios da saga madeirense que ao longo dos anos fomos lendo de forma avulsa. RC porém , une as pontas de cada um desses episódios e ao longo de quase 500 páginas traça-nos um retrato da Madeira que é um verdadeiro filme de terror.

As ligações de concubinato entre o PSD-M e a Igreja, a submissão de alguns agentes da justiça aos ditames de Jardim, o enriquecimento escandaloso de membros do governo ( cujo expoente máximo é Jaime Ramos, um vendedor de sifões para retretes que hoje é o braço direito de Jardim e administrador e accionista de dezenas de empresas) a constante manipulação dos media, são apenas alguns dos aspectos que põem os cabelos em pé a qualquer leitor.

Não me vou alongar na análise dos diversos aspectos que merecem destaque no livro.Apenas deixo uma pergunta: como é possível que perante tantas barbaridades, nenhum Governo tenha tentado pôr cobro a todas as irregularidades que ali se relatam, assentes em documentos e factos? Como é possível que Cavaco Silva continue a dizer que a Madeira é um exemplo de democracia e que os sucessivos líderes do PSD nacional não tenham vergonha de ir à Madeira para receber a bênção do chefe? Que razões terão levado Jaime Gama, outrora crítico feroz de AJJ- a quem chegou a chamar Bokassa- a tecer rasgados elogios ao líder madeirense, apelando-o de exemplo de democracia?

Muitas outras perguntas coloquei enquanto lia o livro, mas não vos vou maçar aqui com elas.Remato apenas com a certeza que Portugal não pode ser uma verdadeira democracia, enquanto uma parte do seu território ignora as mais elementares regras democráticas , perante a passividade de todos os poderes sedeados em Lisboa.

4 comentários:

  1. É na Madeira, como em menor escala, se passa em diversas autarquias... enquanto este for o comportamento tacitamente aceite, perante a passividade do poder central e da justiça, não há de facto democracia verdadeira. Abraço

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  2. Por mim dispenso a Madeira enquanto território português. Gosto muito da Madeira mas não me importo nada de ir visitá-la ao estrangeiro.

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  3. O povo da Madeira, está provado, aceita de bom grado as garotices do Chefe Jardim!!!

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  4. Segundo li em tempos, o Bokassa Madeirense usa métodos pidescos aprendidos no tempo do fascimo com aquela Polícia Política.
    Assim, fazendo-se chantagem com as suas investigações jornalísticas, de que também teve formação, está aí a resposta.
    Fácil, fácil, né?

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