terça-feira, 19 de abril de 2011

Do Tachele a Christiana, ou o apagão da História europeia













Em apenas uma semana, duas notícias me fizeram estremecer tanto como a chegada do FMI, ou os ataques à Líbia. No entanto, ambas estão intimamente ligadas com estes factos e numa diferente perspectiva de abordagem da que os media insistem em impingir-nos, são também um sinal da decadência da Europa.
A primeira veio de Berlim. Falava-me do Tacheles, ( à esquerda) o edifício da contra –cultura europeia que vai desaparecer . Um milhão de euros foi quanto alguém (sem rosto) pagou aos okupas para abandonarem o local. Um milhão de euros foi o preço para apagar uma parte da História berlinense, mas também da História da Europa, cada vez mais despida de referências que a façam orgulhar-se do seu passado.
Um dia ainda hei-de escrever sobre este edifício que simboliza(va) a liberdade daqueles que insistiam em manter-se à margem de um modelo social que aniquila a criatividade. Hoje, porém, limito-me a fazer referência à segunda notícia que me fez eriçar os pêlos e aguar os olhos. Christiania, a cidade da Liberdade e da Utopia, às portas de Copenhaga, que simboliza(va) a revolta contra o capitalismo, paraíso de hippies , artistas e músicos, está à beira do extertor. Mais uma vez, o establishment venceu. A aldeia global dominada pela economia de mercado, onde a ideologia é o capitalismo selvagem, está a um pequeno passo de enterrar mais um pedaço da sua cultura, em nome dos sagrados direitos do dinheiro.

Sobre Christiania e a visita que lá fiz em 2009, podem ler o que então escrevi. Estive a reler e senti-me bem a recordar aqueles dias. Sobre o Tachele, escreverei noutra oportunidade .

4 comentários:

  1. Quando era mais nova, costumava dzer que queria ir para Katmandu... hoje apetece dizer que o melhor era ir para El Bolsón...
    Já tinha lido sobre o fim de Christiana... enfim, acabou esse sonho, mas já tinha acabado há muito...as gerações mais novas já não partilhavam os ideais dos seus pais... experiências destas, apenas mostram como é difícil remar contra a maré do capitalismo...
    Eu sou, assumidamente, uma hippie sem coragem para me aventurar numa comunidade dessas e largar tudo... mas o romantismo e os ideais continuam os mesmos...aliás, cada vez mais...

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  2. Concordo que é triste, mas na verdade as gerações seguintes à dos hippies não saiu a ela, muito mais competitivos e consumistas: os tais yuppies...

    Não é pois para admirar que as autoridades tenham conseguido levar a sua avante!

    Tenha uma boa estada no Porto, Carlos! :)

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  3. Fico triste por Christiana...porque afinal meu espírito sonhador ainda acredita nos ideiais hippies.
    Paz e amor, meu amigo!

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