quinta-feira, 31 de março de 2011

Fomentar a iniquidade no Estado

O governo decidiu premiar com cinco dias de férias os funcionários públicos com classificação de excelente e com três os que tiverem muito bom. Em contrapartida -afiançaram –me, mas não pude ainda confirmar - o governo retirou os cinco dias de bónus aos funcionários públicos que gozassem férias apenas entre Setembro e Junho.

Independentemente de saber que a avaliação dos funcionários públicos continua a ser ( pelo menos em alguns serviços) uma farsa, não me repugnaria este prémio se ele viesse acompanhado do cumprimento de outra promessa feita pelo governo, mas nunca cumprida: redução do horário de trabalho, ou aumento dos dias de férias, para funcionários públicos com mais de 60 anos.

Reduzir o horário de trabalho desses funcionários seria uma medida do mais elementar bom senso susceptível, inclusivamente, de contribuir para aumentar a sua produtividade, mas o governo optou por manter tudo na mesma. Com a agravante de, em muitos casos, os funcionários públicos mais idosos serem emprateleirados, desaproveitando-se a sua experiência e aumentando a sua desmotivação.

Ao não contemplar um regime laboral mais favorável para funcionários que tinham a expectativa de se reformar aos 60 anos, mas que foram defraudados com o aumento da idade da reforma , o governo também está a contribuir para o aumento das despesas no sector saúde, mas sobre isso escreverei noutra oportunidade. Por agora, quero apenas lembrar que não basta elogiar os funcionários públicos e depois reduzir-lhes os salários. É necessário incentivá-los e tomar medidas que aumentem a sua produtividade.

5 comentários:

  1. Carlos
    Sou dos que estou de acordo que um trabalhador do publico ou privado, esteja sujeito a processos de avaliação.
    Agora pelo que conheço do publico a avaliação praticada é mais a do "amiguismo" e a da graxa.
    Naturalmente que há excepções.

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  2. Eu trabalho no sector privado. As avaliações são uma "palhaçada". Tal como refere a "folha seca", premeiam o graxismo, a incompetência e as "cunhas" (jobs for the boys")...Haveria tanto para dizer...

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  3. Essa ideia de dar mais uns dias de férias aos funcionários mete-me um bocado de impressão.
    Primeiro porque, na actual conjuntura económica, não faz sentido nenhum.
    Depois porque, como bem nota o Rodrigo, os processos de classificação são muito pouco transparentes e têm, em muitos casos, muito pouco a ver com mérito do avaliado.

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  4. Essa ideia de dar mais uns dias de férias aos funcionários mete-me um bocado de impressão.
    Primeiro porque, na actual conjuntura económica, não faz sentido nenhum.
    Depois porque, como bem nota o Rodrigo, os processos de classificação são muito pouco transparentes e têm, em muitos casos, muito pouco a ver com mérito do avaliado.

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  5. Promessas que não são cumpridas? Qual é a novidade? já foram várias as ocasiões em que os funcionários públicos foram alvo de promessas, que não se vieram a registar. Devia haver um movimento cívico anti-promessas!! Ficaríamos todos menos frustrados...

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