terça-feira, 22 de março de 2011

Brutus e Pilatos

De regresso a Lisboa fico a saber que Sócrates não está disponível para governar com o FMI. Parece-me uma atitude sensata. Já Pedro Passos Coelho não só parece estar disponível, mas também ansioso por o fazer. Ao inviabilizar o PEC IV, recusando qualquer negociação, PC assume-se definitivamente como o "betinho" de vida fácil que passa a vida a lamentar-se e a culpar os outros da má-sorte, mas quando lhe perguntam se quer trabalhar apenas responde "arranjem-me um emprego", porque não sabe o que quer fazer na vida, excepto ter um bom ordenado.

É verdade que o PEC IV revela a insensibilidade de Sócrates em relação aos trabalhadores, a quem são pedidos todos os sacrifícios, enquanto continua a manter intocáveis os privilégios da banca, mas alguém acredita que PPC irá proteger os interesses dos desempregados e de quem trabalha? A entrada do FMI em Portugal permitir-lhe-á arranjar desculpas para ser o coveiro das derradeiras esperanças dos portugueses e mitigar a sua visível falta de preparação para conduzir os destinos do país. Enquanto expõe Portugal ao ridículo, salva a pele, satisfazendo a gula dos seus correligionários interessados em ir rapidamente ao pote e prontos para o apearem no caso de o PSD continuar a assistir, na oposição, ao desenrolar dos acontecimentos.

A atitude de PC não revela apenas a traquinice de um catraio que passa uma rasteira ao inimigo da turma, para ficar bem visto junto dos colegas. Revela também irresponsabilidade que tresanda a traição. Além de recusar qualquer negociação, não apresenta alternativas e duvido que as venha a apresentar na campanha eleitoral, porque confia numa vitória nas eleições. Não pelo mérito, mas pelo cansaço dos portugueses em relação a Sócrates. Votar em PC será um suicídio colectivo dos trabalhadores portugueses, dos desempregados e mais desfavorecidos. Como disse um dia Marcelo Rebelo de Sousa, o líder do PSD é uma versão de Sócrates...mas pior!

Enquanto PC se comporta como Brutus, Cavaco continua a portar-se como Pilatos. Permanece em silêncio, como se não fosse nada com ele. Não é tão estranho como possa parecer este conceito de magistratura activa do PR. Afinal, não escreveu na ficha da PIDE que estava integrado no regime do Estado Novo? Talvez sinta saudades...

Gostava que as próximas eleições, com o país mergulhado numa crise em que PS e PSD não estão isentos de culpas, fossem aproveitadas pelo povo português para dar um correctivo a ambos. Infelizmente não tenho ilusões. Os portugueses não vão aproveitar as eleições para escolher um governo que mude a política ruinosa do país. Vão apenas escolher entre dois gestores da coisa pública, meros executores das ordens da senhora Merkel.

Quanto ao PR, inerte e inapto para a função, co-responsável na crise pela inação e pelo teor dos seus últimos discursos, deveria ter a dignidade de se demitir. Mas para ter dignidade também é preciso ter vergonha, por isso, vai tudo ficar na mesma. Aliás...pior, porque os custos de eleições para o país apenas contribuirão para agravar a crise e não para nos tirar do fosso que Cavco começou a cavar quando foi Primeiro Ministro.

4 comentários:

  1. Boa noite, Sr Carlos

    Cito-o: 'Vão apenas escolher entre dois gestores da coisa pública, meros executores das ordens da senhora Merkel.'

    Não podia estar mais de acordo. Perdemos a nossa autonomia. E valerá a pena continuar na moeda única e na CE? Começo a duvidar, tantos são os sacrificios que nos são impostos...

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  2. Por acaso acho que são os eleitores que se vão demitir da função de eleger os políticos, o que de maneira nenhuma é solução...

    E sim, é mais que certo que o Cavaco não se demite! Resumindo; estamos feitos!

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  3. Carlos,
    Não sei se Passos Coelho é a solução.
    Provavelmente não será.
    Mas Sócrates já temos a certeza que não é.
    Pior, temos a certeza que é um tiranete parvo e mentiroso.
    Que precipitou esta crise.
    Não vamos ser ingénuos, Carlos.
    A actuação de Sócrates tinha esse objectivo.
    Para agora se vir fazer de vítima e tentar obter votos com essa vitimização.
    Recooro ao sábio Tiririca - "pior que tá num fica".

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