quinta-feira, 31 de março de 2011

Afinal, quem está mais à rasca?

Cumprida a manifestação da geração à rasca é altura de falar ( mais uma vez...) da verdadeira geração que está à rasca neste país e em risco eminente de pobreza sem retorno.

Os idosos são os mais afectados pela pobreza ( 29%, de acordo com o INE), sendo que muitos se tornaram pobres, porque se viram privados de um emprego numa idade em que a hipótese de reentrar no mercado de trabalho é muito reduzida.

O mercado de trabalho, para quem tem mais de 50 anos, é um deserto de oportunidades, aumentando a angústia de quem vê fugir-lhe o emprego e a reforma mais distante.A agravar a situação, muitas das pessoas que hoje têm mais de 50 anos têm taxas de endividamento elevado, porque contraíram empréstimos a taxa de juros altas e com condições menos favoráveis do que as da chamada geração à rasca.

O problema social destes portugueses ainda não foi encarado de forma frontal. Ficar desempregado com essa idade pode constituir um drama com funestas consequências . Dizem os especialistas que a maioria das medidas para combater a pobreza, existentes em Portugal, são meras panaceias que não resolvem o problema.

Bruto da Costa é de opinião que a maioria das acções atenua a privação, mas não resolve a pobreza, porque não contribui para tornar a pessoa auto-suficiente. Augusto Mateus fala de uma “política de hipermercado” onde “há de tudo para todos”, mas caracteriza as acções desenvolvidas como meras “bengalas” que não resolvem o problema, porque lhes falta transversalidade .

Para a maioria destes “novos pobres”, nem o microcrédito ajuda a resolver o problema de uma pobreza inesperada, pois o desemprego deixou-os sem capacidade de cumprir, sequer, as obrigações resultantes de situações de endividamento que, na esmagadora maioria dos casos, foi a única solução que encontrarem para ter uma habitação condigna.Há que encontrar uma solução equilibrada ... que não pode passar por uma geração que acusa os seus pais de falta de solidariedade geracional.

8 comentários:

  1. Falaste dos 50, mas olha que a partir dos 40 as coisas já dificultam muito e dos 45 em diante é quase impossível conseguir emprego/trabalho de novo, infelizmente conheço alguns casos...

    A geração dos 40 está completamente à rasquinha e ainda sustenta a geração à rasca, com todas as exigências que alguns deles fazem... enfim!

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  3. Carlos
    Infelizmente são várias as gerações à rasca. Eu faço parte de uma delas com 54 anos, trabalho nesta empresa de contabilidade á 26, sou funcionária única o mês de Abril vai ser o último que vou trabalar, eu ainda tenho trabalho apenas não estou a receber, o patrão não tem dinheiro para me pagar, umas empresas fecharam outras não nos pagam, penso que por muito que eu queira trabalhar as portas não vão ser abertas, não com esta idade, sou nova para reforma e velha para trabalhar. É uma sensação horrivel acredite.
    Abraço

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  4. A geração que acusa os pais de falta de solidariedade geracional, é um produto da sociedade que valoriza a juventude em todos os aspectos, como se eles fosses titulares de direitos apenas por serem jovens. É uma vergonha a falta de solidariedade institucional para com os desempregados com mais de 50 anos. Sabemos todos que esses é que estão verdadeiramente à rasca. Quem dera a muitos deles que lhes oferecessem um emprego a passar recibos verdes e a ganhar 500 euros!!

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  5. POis é eu vi nos EUA um monte de idosas trabalhando. Aqui a gente não vê isto.
    com carinho Monica

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  6. Todos conhecemos certamente, caso de pessoas que depois de terem ficado desempregadas com mais de 50anos, nunca mais encontraram trabalho. Esta situação verifica-se há mais de uma década, só que nessa altura a segurança social ainda cobria a situação. Agora é cada um por si, adivinha-se uma catástrofe.

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  7. Excelente post. Vou fazer um link para cá se achares por bem :) Para outros lerem.

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  8. Nunca é boa a idade para se ficar no desemprego mas a partir dos 50 onde é que se vão buscar forças depois de 30 anos ou mais de trabalho?!
    E às vezes com os filhos na mesma situação...

    Abraço

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