quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Um Cálice de Porto


Desculpem lá, mas de vez em quando não resisto a enaltecer a cidade onde nasci e deixei, pelo menos, metade do meu coração. Já vos expliquei, diversas vezes, as razões que me levam a gostar mais do Porto hoje em dia, do que no tempo em que lá vivi. Continuo a lamentar que a cidade esteja praticamente esquecida e em nítida recessão, muito por culpa do centralismo obsessivo dos sucessivos governos, mas também por demissão de quem lá vive.
A verdade, porém, é que a cidade do Porto continua a merecer a atenção do mundo e a ser mais apreciada lá fora, do que em Portugal. Depois das distinções mundiais concedidas à livraria Lello, à Casa da Música ou ao restaurante Buhle, de que vos falei aqui, chegou a notícia de que o aeroporto Francisco Sá Carneiro tinha sido eleito o segundo melhor da Europa. Ontem, a cidade foi distinguida com mais três prémios mundiais de arquitectura. Os de maior prestígio mundial.
Nos últimos anos, o Porto foi distinguido com mais prémios mundiais, em diferentes áreas, do que todas as cidades portuguesas juntas. Como me dizia há tempos uma amiga chilena, de visita a Portugal, é difícil perceber a razão de o Porto ser tão pouco promovido internacionalmente. Concordo em absoluto. Até porque, para além da sua beleza arquitectónica e do calor das suas gentes, é um excelente ponto de partida para visitar duas das maiores maravilhas paisagísticas de Portugal Continental e da Europa: o Parque Nacional Peneda/Gerês e o Vale do Douro.
Pois, lá diz o povo que mais vale cair em graça do que ser engraçado…

13 comentários:

  1. Carlos,

    Imperdoável!!!! Como é possível ter feito um post sobre a cidade do Porto, as suas gentes, os seus encantos, a região envolvente, e não ter sequer mencionado o seu clube?????
    Todos aqueles que dizem q o grande FCP não passa de um regional, mereciam uma palavrinha da sua parte, não acha??

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  2. Apenas fui ao Porto uma vez. Apesar de lá ter ficado pouco tempo, recordo-me de ter ficado encantada. O que acontece com a cidade do Porto acontece com muitas cidades portuguesas: negligenciadas e pouco valorizadas. Nada de novo.
    E por falar em vinho do Porto, talvez tenha certas propriedades que me ajudem a ver-me livre desta constipação. Sai um cálice de vinho do Porto!

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  3. Fui pela primeira vez ao Porto, a lazer, este ano e vim de lá absolutamente rendida. Só é pena que muitas zonas estejam ao abandono e que a degradação esteja a tomar conta de uma baixa tão linda.

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  4. Eu gosto do Porto, apesar de ser "moura"!
    É uma cidade com múltiplos encantos mas com um tecido imobiliário urbano a precisar de muita atenção!

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  5. Parece-me bem que o Carlos sabe a resposta melhor que ninguém. O Porto deixou-se capturar por lógicas tribais e ressentimentos sem sentido, guerras Norte/Sul, que no fundo não são do seu interesse, ainda para mais protagonizadas por quem menos tinha legitimidade para as travar. É preciso que o Porto deixe de olhar para o seu umbigo.

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  6. Deve ser feitio, mas nunca consegui que o Porto me seduzisse... E eu bem que tento.

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  7. Também lamento Carlos que o nosso Porto esteja secundarizado em quase tudo mas acredito que as coisas mudem. E também há a Foz, a Casa da Música, há Serralves, o Parque da Cidade, a Ribeira, mas o Porto tem muito mais para oferecer. Sou um fã incondicional do Porto mas eu sou suspeito. Aqui nasci, aqui trabalho e moro. É na mistura dos tempos que esta cidade me inspira, ou melhor, se inspira. É nela que respira a gente que aqui habita e que faz sentir a quem o visita quase como se sentisse em casa.

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  8. E que os portuenses tenham a paciência necessária para esperar no Porto aquilo que em Lisboa é mais fácil de conseguir.A desertificação das gentes do Porto para a capital tem contribuído para retirar a cidade do mapa, felizmente tudo se está a compôr.

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  9. Um Parabéns ao Porto ( aqui dos confins dos algarves...) por todas estas belíssimas referências. Orgulho nacional é o que deve servir a qualquer cantinho do rectângulo. :)

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  10. CARLOS, eu nasci em Vila Nova de
    Gaia, onde vivi até os meus sete
    anos de idade. Ainda me lembro de
    ter ido a cidade do Porto algumas
    vezes. Também lá voltei nas duas
    vezes que regressei a Portugal.
    A famosa ponte sempre me traz lem-
    branças.

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  11. Também sou uma portuense que vive fora há muitos anos, nos quais tenho vindo a combater essa ideia de que a beleza de Portugal está em Lisboa e no Algarve. O Porto é, e vai ser sempre, o eterno esquecido do centralismo português porque é incómodo, porque produz, porque é reivindicativo.

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