quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Na era das novas tecnologias...


...Uma larga percentagem da população mundial não tem acesso às velhas tecnologias, que lhes permitiriam usufruir de bens tão essenciais como água potável, ou electricidade.Mais preocupante, ainda, é que 40 por cento da população mundial não tenha acesso ao saneamento básico, como revelou um recente estudo divulgado pela ONU.
Mais de 500 milhões de pessoas - a maioria em África e na Ásia - continuarão, dentro de 10 anos, privadas de saneamento básico o que, para além de tornar impossível cumprir até 2015 os Objectivos do Milénio ( cobertura de 75% da população mundial) continuará a causar "epidemias e surtos de doenças, resultando na morte de milhões de pessoas".
Para a UNICEF e OMS, duas agências das Nações Unidas, só é possível combater o "grave impacto humano e económico" das carências de saneamento se os governos reforçarem o empenho "em diluir as diferenças entre as zonas rurais e urbanas" e apostarem na educação para a higiene.Porém, a tendência para a urbanização continua a marginalizar as populações mais pobres das zonas rurais, pressionando igualmente as infra- estruturas das cidades que, nalguns casos, já se mostram insuficientes. Como resultado, "famílias em aldeias e em bairros de lata urbanos vêem-se num ciclo vicioso de pobreza e deficientes condições sanitárias.As crianças são as primeiras a sofrer devido à má qualidade da água e à má higiene", explica o relatório.
Enquanto no mundo ocidental, se discute a importância do acesso das crianças à Internet, para que não se tornem no futuro info-excluídos, no resto do mundo a falta de acesso a serviços básicos causa diariamente a morte a 4.000 crianças.
Segundo a OMS, as diarreias são responsáveis por 1,8 milhões de mortes anualmente, a maioria crianças com menos de cinco anos. Milhões de outras ficam permanentemente debilitadas.
No concernente a redes deficientes de saneamento básico, o relatório lista 27 nações onde a cobertura é bastante fraca, incluindo São Tomé e Príncipe (24 por cento/12º lugar), Moçambique (27 por cento/16º lugar) e Timor-Leste, com 33 por cento de cobertura.
Assim vão aumentando as desigualdades sem que, aparentemente, os países ocidentais se preocupem. Não seria mais sensato investir em melhores condições de vida nestes países, criando condições para que as populações aí se fixassem, em vez de explorar a mão de obra que ruma à Europa em busca de melhores condições de vida, sendo abandonada quando já não faz falta?

4 comentários:

  1. Se os governantes nem se preocupam com as condições que dão ao povo do seu país, iam lá preocupar-se verdadeiramente com as crianças que morrem no Terceiro Mundo? Fica bonito fazer uns discursos desses e tal, para dar um ar do de ser humano sensível, mas depois até dá jeito ter uns escravos à mão, para desempenhar aqueles serviços que ninguém gosta. Enfim, a hipocrisia do costume...

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  2. Tenho a cabeça "cheia" de histórias dramáticas de outras vidas bem perto de mim, que lidam diáriamente com as falhas de todo um sistema negligente para com a deficiencia dos seus filhos. São muitos os relatos que também chegam até mim, de vidas que apenas sobrevivem em piloto automático, aqui mesmo no nosso país. Dificuldades de trabalho, consequentemente de falta de dinheiro, de comer e tantas outras mísérias, que nem sei o que sinto ao ouvir e saber de coisas como a que aqui expressou Carlos...
    Às vezes sinto-me cansada, impotente... Às vezes parece-me tudo tão incrívelmente errado na humanidade!

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  3. Querido Carlos...que pobreza? Aos olhos do mundo globalizado, civilizado e informatizado, essas pessoas não existem. Fazem parte, quando muito, de estatísticas.
    É como quando, pelo menos por aqui, as pessoas que passam pela rua fingem não ver o mendigo catando lixo.São incapazes de um sorriso, uma palavra gentil, ou mesmo de um olhar, curioso que fosse.À começar pelas pessoas que transitam pelas mesmas ruas que nós, precisamos realizar que elas existem e que , independentemente de usos,circunstâncias, oportunidades e costumes, são gente como a gente.
    A mudança começa de dentro para fora, do menor para o maior.

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