sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Por Baco e Dionísio!


Com o fim de semana à porta lembrei-me que, depois da tensão dos últimos dias, poderia escrever sobre o vinho, para animar as hostes.
Já experimentou pedir num desses bares que animam a noite lisboeta, uma garrafa de vinho? Se nunca o fez, experimente! Vai ver a cara da pessoa a quem fez o pedido e sentir-se como um bêbado que se enganou na porta da taberna.
Na noite lisboeta corre a insípida cerveja, o social whisky, o altaneiro gin, a democratizada vodka, ou o empertigado rum. Volteiam no ar os “shots”, integra-se, sorrateiro, o absinto, acampou a folgazona caipirinha, mas a entrada está vedada ao bom vinho.
Sendo entre todas estas bebidas, com excepção de algumas cervejas, a de mais baixo teor alcoólico, o bom vinho foi proscrito da noite e deixou de ser considerado “bebida socialmente correcta”- a não ser que venha seguido dos qualificativos Porto ou Madeira, esses sim com direito a acompanhar outras bebidas estrangeiras.
Mas se o leitor for daqueles que não desistem à primeira e obstinadamente procurar beber bom vinho num desses locais de culto da noite lisboeta, fica desde já avisado de dois pequenos pormenores: a oferta é pouco variada, de fraca qualidade e os preços avassaladores.
Na Bíblia podem encontrar-se 450 citações sobre o vinho, todas elas em defesa do precioso néctar, considerado bebida sagrada que todos devem ter direito a usufruir. Então, porque razão anda por aí gente a querer tirar-nos esse direito?

6 comentários:

  1. Não faço a mínima ideia...será porque a margem de lucro não pode ser grandeeeee????

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  2. Oi Carlos!

    Sabe, adoro vinhos! Inclusive estou fazendo um curso de vinhos, muito bacana. É uma bebida histórica, aliás, cada garrafa traz em si uma história, desde o plantio, terroir, colheita, produção, etc. É uma coisa interessantíssima. E deliciosa, aliás, né? Eu elegi, há muito, o vinho como minha bebida preferida, não o troco por nada. No ano passado fiz uma viagem à terra dos vinhos brasileiros, o sul do país, região mais conhecida como serra gaúcha. Visitei vinícolas e mais vinícolas, foi apaixonante. Visitei e degustei, rsrsrs.
    Agora me pergunto, se aí em Portugal, que tem tradição no vinho, está difícil encontrá-lo, que dirá no Novo Mundo? Rsrsrs.
    Lá no Sul, eles bebem o vinho diariamente, como se fosse água. Muito bom!!!

    Beijos

    Carla

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  3. Meu amigo, nunca bebi vinho na vida ;-) portanto ainda ficavam mais surpreendidos se eu pedisse água simplesmente.
    Mas nunca é tarde para começar ;-)

    beijinhos e bom fim de semana

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  4. O vinho deixou de se vender a copo...Se quisermos beber servem a copo de uma garrafa, Mas a cerveja pode ser vendida a copo.
    Tudo contra a pequena produção,não é?

    [existe por aí um cavalheiro que percebe à brava de economia e que levou os pequenos produtores do Douro à insolvência, com a proibição da compra da Quinta das Carvalhas pela Casa do Douro, o que contribuiu decisivamente para a falência desta...ele anda aí]

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  5. Pois também não me parece que o vinho seja um exclusivo das tascas e das tabernas. E um copo de maduro tinto, não precisa de ser palhete, faz bem ao coração.

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  6. Como bem lembrou a Carla, aqui no Sul servem ainda um bom vinho caseiro(colonial) nas jarrinhas de vidro.
    Que os enólogos me crucifiquem, mas eu acho uma delícia!
    Lembro-me de ter tomado algo parecido pela primeira vez em Fátima, quando ainda menina, num dia frio e chuvoso. Meu pai dizia que era para esquentar o corpo, esquentou-me acho que foi a alma.

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