sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

The Go-Between*

Tenho resistido a escrever sobre o Wikileaks e Julian Assange. Por duas razões. Em primeiro lugar,porque a estória ainda agora começou. Aquilo que por ora veio a lume reduz-se essencialmente a tricas de comadres, cuja relevância é diminuta. Os assuntos mais "quentes" como, por exemplo, a acusação de que Dilma Roussef terá participado em assaltos a bancos, ou Joaquim Chissano estar ligado ao narcotráfico, não são em si mesmo notícia. Carecem de prova e confirmação. O mesmo se diga em relação aos voos para e de Guantanamo que terão feito escala em Portugal. Enquanto não for provada a factualidade e veracidade do conteúdo dos telegramas a sua importância é, em minha opinião, muito relativa. Têm tanta relevância como as apreciações sobre o carácter de alguns líderes políticos.
Em segundo lugar, porque me provoca uma forte náusea a posição de alguns comentadores que andam sempre com a liberdade de expressão na boca mas agora ou se remetem a um comprometido e esclarecedor silêncio, ou esgrimem os mais variados argumentos para acusar Julian Assange de ser um criminoso. Recuso liminarmente esta acusação uma vez que, até prova em contrário, o vejo apenas mensageiro na divulgação dos documentos.
Devo,aliás, reconhecer que estou mais interessado em seguir atentamente os próximos capítulos desta telenovela ( as múltiplas tentativas de silenciar o Wikileaks e "matar o mensageiro", ou as verdadeiras motivações de Assange) do que em conhecer o conteúdo dos documentos. É que o modo como o caso for tratado, poderá trazer preciosos esclarecimentos sobre o conceito de democracia de alguns países. Com os EUA à cabeça, obviamente… que não tendo sido competentes para proteger os seus segredos, acusam de criminosos e irresponsáveis aqueles que os divulgaram, não hesitando em recorrer a ameaças típicas de regimes que eles próprios acusam de não respeitar a liberdade de expressão.

* Filme de Joseph Losey, com argumento de Harold Pinter, interpretado por Julie Christie e Alan Bates

9 comentários:

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  3. Realmente o título está muito bem escolhido. já que o "Mensageiro" leva e traz mensagens de uma relação amorosa "ilícita"...

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  4. Exactamente a minha posição nesta altura. Nem tive curiosidade de bisbilhotar essa “fuga” de informação! Estou a aguardar pelo desenrolar do acontecimento... Ou são 15 minutos de fama que Assange tanto ansiava... o que duvido... ou então há “valores” muito mais altos por detrás disso tudo.

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  5. Também ainda estou em águas mornas (posição que não gosto muito de tomar) em relação a este assunto...
    Aguardo (des)confirmações!

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  6. Tudo bem,... mas que isto poderá produzir efeitos de Bomba Atómica, receio bem que sim !
    .

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  7. Muito bem colocada a questão, Carlos. Não vejo a culpa de quem divulgou, assim como anunciam.O certo é que alguém repassou essas informações.E acredito que cada informação deva ser analisada em seu contexto. Essa coisa de sair alardeando por aí isso ou aquilo não é bem a minha cara.Eu sempre desconfio de grandes descobertas e detesto sensacionalismos.

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  8. O nosso amigo Lula pelo menos não esteve com meias tintas e já lhe enviou um forte abraço. Veremos o que se segue.

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  9. Inteiramente de acordo.
    É muito mais interessante o folhetim à volta do personagem do que as "novidades".
    E, desconfiado que sou, já começo a achar que há para ali "fugas" a mais.
    Lá volto ao dito do meu amigo - "fica aqui mesmo só entre nós os 50, está bem?!"

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