segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Privatização da RTP e direito à informação

A televisão pública holandesa ( NOS) não foi privatizada. No entanto, por iniciativa do partido de extrema-direita que integra a coligação governamental, vai deixar de ter site na Internet a partir de 2011. O pretexto invocado pelo PVV é que a NOS está a fazer concorrência desleal aos jornais on line.Provavelmente sou muito burro e não percebi o argumento, mas a motivação para esta medida é bem perceptível.
Pedro Passos Coelho já se declarou favorável à privatização da RTP sendo essa, muito provavelmente, uma das primeiras decisões que tomará quando se instalar em S. Bento. Compreendo que a direita rejubile com a medida. Vejo com mais apreensão que haja jornalistas que a apoiem fervorosamente. É que privatizar a RTP significa coarctar o direito dos portugueses à informação. Por muitos argumentos que alguns jornalistas invoquem, em defesa da privatização da RTP, não poderão ignorar que a televisão pública é o único canal aberto que dá aos portugueses uma programação alternativa às telenovelas em horário nobre. Desde documentários a seriados sobre a nossa História, passando por debates políticos, programas sobre ambiente, questões sociais e solidárias, a RTP oferece um leque agradável de opções a quem não tem televisão por cabo. Poder-se-á questionar se programas como “Quem quer ser milionário” ou “ O Preço Certo” devem fazer parte da programação de uma televisão pública. Pessoalmente, penso que sim, pois o entretenimento não deve ser afastado da programação de um canal público.
As audiências demonstram que os portugueses vêem na RTP uma alternativa. A televisão pública aparece de forma quase constante à frente da SIC ( terminará o ano no segundo lugar, a seguir à TVI), o Telejornal da RTP é, quase sempre, o mais visto pelos portugueses e, se somarmos as audiências dos dois canais públicos, a RTP é a televisão com mais audência quase todos os dias.
A RTP África e a RTP Internacional desempenham um papel importante na lusofonia e são um elo de ligação dos PALOP. A RTP Memória ( embora não disponível em canal aberto- o que em minha opinião é lamentável) é um manancial de memórias de bons momentos de televisão que se fez em Portugal . Claro que eram dispensáveis aqueles jogos de futebol de há 40 anos, mas isso é outra história... Finalmente, vários estudos de opinião têm demonstrado que a RTP é uma das marcas que merece mais confiança dos portugueses.
Por tudo isto tenho alguma dificuldade em entender ( ou talvez não…) as razões que levam alguns jornalistas, tão preocupados com a liberdade de expressão, a fazer uma defesa acérrima da privatização da RTP, esquecendo que é o único canal que assegura o direito à informação. Será porque convivem mal com o anonimato e vêem na privatização da RTP uma janela de oportunidade, que essses jornalistas tanto pugnam pelo fim da televisão pública?

6 comentários:

  1. Discordo apenas do facto de ter chamado jornalistas a esses candongueiros e passadores de droga...

    O resto está condizente com o que nos habituou (e por isso o coloquei ao lado do Baptista Bastos...)

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  2. Por isso é que não se compreende porque batem tanto no ceguinho.
    Será que quanto pior melhor?
    Ou será que o nojo da TVI, que tem as maiores audiências, justifica que os portugueses têm realmente aquilo que merecem?

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  3. Concordo com a generalidade da postagem. Mas uma RTP a fazer publicidade ( não gratuita, não é para isso que existe ), o Estado a investir grandes quantias todos os anos, mesmo sendo uma TV que nos informa, não é merecedora ou dos investimentos que o estado faz ou da publicidade. Não é privada e age como tal? Há alguma coisa de errado nisto.

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  4. Falo na minha área de trabalho, pois é a única certeza que tenho. Se a RTP for privatizada as comunidades surda e cega de Portugal deixarão de ter acesso aos serviços de legendagem fechada e audiodescrição. A RTP é a única que cumpre as exigências da ERC a este respeito. A partir do momento em que se tornar privada, começará a palhaçada de tentar impugnar decisões da ERC, ainda que isso signifique tornar Portugal num país ainda menos justo.

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  5. Posso dizer que são os canais da RTP (até o Memória) os meus preferidos da oferta televisiva nacional.

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  6. E não se pode privatizar a Patrícia Galo da RTPN? Ainda hoje fiz queixinhas da menina ao provedor.

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