quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O senhor Procurador


Era uma vez um procurador adjunto do Mi(ni)stério Público que procurava na Madeira. Por razões não explicadas, mas certamente relacionadas com a solidão que ataca muitas pessoas que vivem em ilhas, o procurador-adjunto gostava de frequentar à noite casas de alterne e de se (ad) juntar às raparigas que ali ganhavam a vida.
Tudo parecia correr bem, até ao dia em que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) efectuou uma rusga ao bar e algumas das raparigas brasileiras que lá trabalhavam identificaram o procurador como cliente habitual, com direito a bebidas e sexo grátis, em troca de informações sobre um processo que corria contra um dos proprietários do bar.
Consequência imediata da denúncia, foi levantado um processo disciplinar ao procurador que, face à evidência das provas, foi suspenso pelo Conselho Superior do Ministério Público por 210 dias e obrigatoriedade de transferência para uma comarca do distrito judicial de Lisboa.
Pena leve para tão torpe crime de um agente da justiça, pensarão alguns. Diferente, porém, foi a opinião do procurador. Inconformado com a pena, recorreu para o Supremo Tribunal da sua área que considerou a versão das raparigas “inverosímil” e “fantasiosa”, porque “o procurador nunca tinha sido alvo de um processo semelhante”.
Ora aqui está um argumento inteligente e bem fundamentado, que poderá vir a ser utilizado por advogados perspicazes, no dia em que lhes couber defender um energúmeno que matou à pancada a mulher.
“ O meu cliente culpado, senhor dr. Juiz? Ele nunca matou nem sequer uma mosca, nunca atropelou cão nem gato e trata com desvelo a amante, como é que pode ser acusado de tão nefando crime?”
Mas e o testemunho dos filhos?- retorquirá o juiz.
Confortado com o argumento dos doutos magistrados, de que não seria admissível que uma alternadeira estivesse à altura de extrair de um magistrado informações secretas, o perspicaz advogado reiterará:
“ Ora, os filhos, Meritíssimo! Gente nova que gosta de passar as noites em discotecas, beber uns shots , por vezes até fumar o seu charrozito e deitar-se quando o Sol vai alto, que credibilidade pode ter? Nos tempos que correm os filhos perderam o respeito pelos pais, se eles não os cumularem de presentes, são muito bem capazes de fazer chantagem. Deveremos dar-lhes credibilidade, Meritíssimo?"

13 comentários:

  1. Mais uma vez e como no Processo da Casa Pia estará em causa o valor da prova testemunhal...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Claro que não!!! Não se pode dar crédito a nenhuma prova que incrimine semelhantes pessoas, intocáveis, defensoras da imoralidade e da traição a um povo cansado de escandalos de vários tipos.
    Deus meu! Todos os dias tomamos conhecimento de novos nomes interligados em acções de 'promíscuas irregularidades' e o que (não) me surpreende é que todos eles estão protegidos por um 'background' bem montado, que continua a protegê-los, o qual é possível manter, na mentalidade dessa gente, enquanto o povo se mostrar ignorante, passivo ao que está acontecendo, duma indecência que se tornou insuportável para os que, sózinhos, pouco ou nada estão a conseguir fazer. Nessa lógica convicção, vão continuando nesta situação ..., sempre na esperança de que o povo continue a dormir.

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  4. Carlos...

    É a desfaçatez que permeia as relações, desde as mais simples às mais complexas. Esse se achar acima do bem e do mal, intocável e reto. Seu texto me lembrou um dito popular que minha vó vivia dizendo: "Por fora bela viola; por dentro, pão bolorento"

    Beijos

    Carla

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  5. Por favor veja e divulgue este vídeo

    http://videos.sapo.pt/JoFz521LdtWURRpTF1YY

    Muito obrigada
    Ana

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  6. Meu amigo, não sei se ria se chore.
    Parece anedota, mas infelizmente vivemos num país cheio delas.

    beijinhos

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  7. Ó Carlos, mas ainda se espanta com estas coisas?
    As leis só forma feitas para os fraquinhos, que na maior parte das vezes nem dinheiro têm para um reles advogado, quanto mais um dos bons.
    O dia que um destes intocáveis for preso por x anos, por ter cometido os crimes de que foi acusado, aí sim.
    É caso para espanto.
    Até lá, é só fumaça para turvar os olhos.
    Abraço

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  8. Sem comentários!!!!

    Fiquei, uma vez mais, sem fôlego, sem visão momentânea, sem palavras.

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  9. Depois da decisão do juiz de Alenquer ter reduzido o seu próprio horário de trabalho, nada me espanta nessa gente..., uma vergonha.

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  10. Não me espanta ! Mais uma vez a culpa vai morrer solteira, como se diz. Houve um apito dourado ou prateado ou lá o que era, porque é que não pode haver um juiz que arbitrava as brasileiras e outras num joguinho sem mal nenhum. Até apetece dizer....comntários para quê! è um juiz português!!!!

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  11. Às tantas ainda tinham que lhe aumentar o subsídio para a renda de casa...

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  12. Não sei porquê, cada vez há mais juízes armados em psicólogos, que sem mais decidem quem mentiu ou não num processo, só "porque sim". Mais grave ainda é a sensação de se protegerem todos uns aos outros. Será que o intuito é proteger a dignidade e o prestígio da classe?

    Desta maneira só se enterram...

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  13. Um tipo sério, Carlos.
    Também é dos que se ri pouco, não é?
    O que é que podemos esperra se a Justiça está entregue a estes anormais?

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