quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A greve geral e o Pato Donald


Não me vou debruçar sobre as manobras das administrações de algumas empresas, para impedirem os trabalhadores de fazer greve. Não me vou pronunciar sobre as declarações da ministra do trabalho, pois uma sindicalista que aceita exercer essas funções, pondo-se ao lado do patronato, faz-me lembrar aqueles comunistas arrependidos, como Pina Moura, que assim que se desvincularam do PCP correram para os braços do capital, como Patos Donald deslumbrados com a fortuna do Tio Patinhas. Reconheça-se, porém a diferença entre a reacção deste governo e a reacção abjecta de Cavaco Silva em 1988 ( que a TVI fez o favor de reproduzir, para que não nos esqueçamos...)
Não vou perder tempo a comentar as declarações do secretário de estado da administração pública, porque não perco tempo com pessoas irrelevantes.Não vou fazer links para aqueles blogs de direita onde figurinhas das jotas em bicos de pés fazem perguntas idiotas sobre a greve geral, demonstrando uma ignorância confrangedora.
Vou-me centrar na resposta que uma parda funcionária pública, promovida a dirigente, pela Rede de conluios onde se move dentro do PS, me deu quando lhe perguntei a razão de não fazer greve:
“ Eu agora sou dirigente, não posso fazer greve, porque os dirigentes não têm esse direito”.
Os funcionários públicos, como todos os trabalhadores, têm o direito de fazer ou não fazer greve, de acordo com aquilo que lhes dita a consciência. O cargo que desempenham é irrelevante. O problema é que, tal como acontece com esta dirigente ( que conheço de longa data e cuja incapacidade para dirigir seja o que for, foi diversas vezes reconhecida) há muitos funcionários públicos que têm a consciência pesada e não fizeram greve, porque consideram isso uma desfeita a quem lhes arranjou o lugar, através de concursos públicos feitos à medida, onde apenas faltou a identificação da cor dos olhos e o peso, para se perceber quem era o candidato que se pretendia recrutar para determinado posto de trabalho.
Estes casos são mais notórios em organismos pequenos, inicialmente criados cheios de boas intenções, mas que se transformaram, com o decorrer do tempo, em albergue de militantes do Centrão, imprestáveis e ineficazes. Servem apenas os interesses de famílias, não o dos cidadãos ou do país. Resultado: ninguém tem coragem de acabar com eles, porque são o asilo das clientelas partidárias que alimentam os partidos do Centrão.

5 comentários:

  1. Ah! que curiosididade de saber o nome desses "chefes"...
    Bem sabia que lhes fazer...
    :))Faziam-se aos porcos, na aldeia dos meus avós...

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  2. há muitos funcionários públicos que não têm a consciência pesada e fizeram greve, porque consideram isso uma desfeita a quem lhes arranjou o lugar,que manterão até deixar de haver dinheiro para pagamentos tal como nos idos de 77

    e assi vamos

    os desempregados que alimentavam até à pouco as exuberâncias do sector estado
    já não têm esse luxo grevista

    um mestre pode dar-se ao luxo de perder 100 euros num dia de greve
    pois quando vier o corte
    perderão 300

    idem para os chefes de estação

    para os que ganham 500 ou 600
    os 30 que se foram....

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  3. Carlos,

    eu não podia deixar de comentar esse texto. Mais pra dizer da minha história do que de qualquer outra coisa, saiba.
    Eu sou funcionária pública, aqui no Brasil. Trabalho em uma Câmara de Vereadores. Há quinze anos. Sou concursada. Ninguém mexe comigo. Só que,ao contrário de uns tantos (todos) que têm aqui, eu manifesto a minha opinião, sempre. Trato a todos os políticos de forma igual. Mas torço pra alguns, detesto outros, dou minha opinião, deixo aliás bem claro. Me manifesto e faço as minhas escolhas, não consigo não ser assim.
    Três anos atrás, entrou aqui na Câmara um cara que me ressaltou essa forma de opinião, de me manifestar. O cara (um político) me julgou pela minha capacidade!
    Fiquei encantada, isso não é comum. As pessoas, no mundo político, te julgam por suas opiniões políticas.
    E esse cara me deu uma oportunidade além do meu cargo efetivo. Um cargo de confiança, um cargo bom. E ele nunca me pediu nada por isso e nem me fez fazer coisas contrárias ao que eu penso, por causa disso. Nunca me pediu que beneficiasse alguém ou fizesse alguma falcatrua por causa da alguém.

    Esse cara é um cara que eu admiro na política, Carlos. Uma pessoa que não encheu e não vai encher os bolsos dele de dinheiro por causa da política. Aqui na minha cidade, ele tem poder. Mas não se encanta com esse poder. Continua sendo um cara simples e bom. Eu nunca imaginei que isso fosse possível.
    Por isso eu sou fã dele e ainda acredito nas pessoas. Só por isso. Pelo ineditismo do fato. Porque chegam empresários e fazem umas propostas inacreditáveis.
    E, da parte dele, nada. Não tem como, sabe?
    Resultado disso: perseguição, ódio, guerra, até.
    Mas, vamos que vamos.
    Eu acredito nessa pessoa! E pra mim, isso é um fato inédito
    Enfim, Carlos,
    Eu acho que ainda é possível

    Um beijo

    Carla

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  4. Bom seria é que toda a gente fizesse ou não greve de acordo com as suas razões e consciência.
    Claro que quem não fez, também terá as suas razões: não estar descontente, não poder por coação... motivos vários.
    Só tenho pena que não tivesse sido muito feita mais cedo, antes de estarmos com a corda na garganta, nas mãos dos agiotas e o país enterrado em dívidas.

    Bjos

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