sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Coveiros

Chegou o momento de assumirmos que fomos os coveiros da sepultura em que atascámos o país. Uma justiça regendo-se com fequência por critérios políticos, amancebada com um jornalismo serôdio, uma opinião dita e publicada prenhe de conotações partidárias, sem um rasgo de inovação de pensamento, um sector empresarial ganancioso, uma classe política que pensa mais no seu futuro do que no futuro do país e um povo embrutecido pelos prazeres do consumismo, incapaz de reagir a outros estímulos que vão além das Redes Sociais e dos noticiários feitos à medida, são os responsáveis pelo estado deplorável a que chegámos.
Não há inocentes neste crime de auto-destruição insana a que nos propusemos e conseguimos almejar com pleno sucesso.

8 comentários:

  1. Claro que não há inocentes,Carlos, e é muito triste dizê-lo...Todos embarcamos neste vertigem que nos há de consumir...

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  2. Coveiro, eu?
    Era!
    Fui despedido...
    Com tanta gente eficaz
    não fazia qualquer sentido
    continuar
    também eu a afundar...

    Agora mais a sério, compreendo-lhe o sentido e as palavras quase certas. Mas sou menos pessimista e acredito que as pessoas vão percebendo...

    Bom texto

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  3. Não haverá inocentes não, mas também não serão todos igualmente culpados e é disso que nos querem fazer crer.

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  4. Pois é Carlos.
    Apontar ao vizinho não resolve nada.
    De uma maneira, ou outra, todos estamos envolvidos na bandalheira.
    Nem que seja por omissão.

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  5. Este texto bateu em pleno no centro do meu cérebro, deixando-o incapaz de pensar em algo mais que não seja: congratula-te! Há alguém que pensa como tu, bolas! Pessimista eu? Qual quê!
    Compreendi a generalização do texto que, obviamente não pode ser levado 'à letra', contudo, estamos inseridos num todo e não podemos, simplesmente, dizer: "Eu cá 'num' fui".
    Isto faz-me recordar uma grande amiga, pessoa muito conhecida no meio artístico e cultural português (e não só). Tinha vários filhos e quando algum fazia uma maldade ela perguntava: Quem fez isto? O primeiro que respondesse - "Eu não fui, Mãe", era o primeiro a ser castigado porque, ao fazê-lo, estava a culpar todos os outros. Ora eu não creio que aqueles que continuam na sua férrea luta por um bom futuro (não posso dizer por um futuro melhor, neste presente catastrófico!), gostem de ver apontarem-lhes o dedo e, ainda por cima, pagarem a percentagem do valor da factura pesada que lhes está a cair em cima.

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  6. Carlos
    Travo diáriamente uma luta comigo próprio para não cair em pessimismos, que no meu caso seria desastroso, pois sou responsável pela sobrevivência de um numero razoável de familias.
    Esta luta não está a ser fácil, pois as razões para estar pessimista, são cada vez mais.
    Mas tem razão...

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  7. Tento fugir dessa realidade mas tens razão Carlos, todos lançamos para o buraco um punhado de terra.

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  8. Tens razão. Não há inocentes e os que não foram coveiros vão ser gatos-pingados.

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