quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Azar ao jogo


Nunca foi jogador. Nunca tinha entrado num Casino. Naquela noite, porém, um apelo sussurrava com insistência ao seu ouvido. Indeciso, encaminhou-se para o Parque das Nações. Ficou durante uns minutos a olhar, inebriado, as luzes do Casino. Entrou. Avançou para a roleta. Apostou 10 euros no 17. Ganhou. Apostou mais dez no 23. Voltou a ganhar. Tinha 700 euros. Decidiu fazer uma última jogada. Indeciso, apostou 50 euros no 4. Ganhou uma vez mais.
No dia seguinte foi ao médico, mostrar os resultados das análises. Quando saiu, destroçado com a sentença, lembrou-se que o 4 em chinês significava MORTE. Passou pelo centro comercial e comprou-lhe um presente. Quando chegou a casa surpreendeu-a com um convite para jantar. Depois foram a uma discoteca. Ela sentiu que estava a ser abraçada como nunca. Chegados a casa amaram-se com uma intensidade que ela jamais sentira. No dia seguinte, depois dela sair para o trabalho, deixou-lhe um bilhete onde dizia: “Hasta Siempre!” . eteu meia dúzia de peças de roupa numa mala, fechou a porta de casa e partiu.

22 comentários:

  1. Um "hasta siempre" é sempre tão triste...
    Não nos vai deixar, outra vez, pois não?

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  2. Como a Helena, também não percebi esta...

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  3. O meu comentário saíu assim, acredite ou não, da minha cabeça:
    "Cosa è successo a Carlos, per scrivere um testo così deprimente?"
    Porquê em italiano? Haverá aqui qualquer paralelo entre o facto de sair-me a frase em italiano e ao personagem sair-lhe um 4 fatídico?
    E ..., também vim aqui 'iluminada' pelos bons textos que o Carlos costuma escrever ... enquanto ele foi seduzido pelas luzes do casino.
    Hoje não estou bem aqui.
    "Vado via."

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  4. Mal o encontrei e já o vou perder?! : )

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  5. Só conheço os seus textos e todod os dias passo por aqui, com ou sem " faladura ". Gosto do que escreve, gosto de o ler. Por vezes não o entendo muito bem, como agora, mas não invalida que goste do texto e de o ler. Se for o que estou a pensar, acho que é um direito que lhe assiste, escrever ou não, ter um blogue ou não, agradar ou não. Fico triste se nos deixar. Mas o Carlos lá saberá da sua vida, do tempo disponivel e se quer continuar a agradar a quem o lê ou se isso lhe é indiferente. O Carlos é livre de fazer o que lhe apetecer. Eu só lhe peço que continue a escrever, que nos continue a deliciar com o que escreve. Se assim não poder ser.... " Hasta Siempre ".

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  6. bem... eu ia dizer uma imbecilidade qualquer do estilo "sorte ao amor", mas confesso que não percebi a cena.

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  7. Afinal o quê que se passa? Sempre detestei estórias de casinos...

    Beijo.

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  8. A todos:
    Esta cena ( real) felizmente não se passou comigo, mas sim com um amigo de longa data, que faleceu há umas semanas. Por isso está escrita na terceira pessoa...
    Estejam descansados. Continuarei por aqui enquanto sentir vontade para isso e vocês me derem o prazer das vossas visitas e comentários.

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  9. "hasta siempre"

    Um final triste no texto e pelo que li no seu comentário na realidade.
    É preciso coragem para partir numa altura em que precisava tanto de estar acompanhado, mas quem sou eu para julgar o seu amigo.
    Apesar de tudo, apreciei bastante este seu texto.

    Beijinhos

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  10. Mesmo a terceira pessoa gerou o pânico por aqui! A terceira pessoa nem sempre se refere a outrém... pode ser um estilo! : )
    Fico feliz por continuar connosco!

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  11. Carlos
    Tenho habito (deve ser uma costela Arabe) de ler do fim para o principio. Daí ter encontrado o seu esclarecedor comentário...Ufa...

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  12. Muito obrigada pela sua visita.
    Depois de ter lido o esclarecimento do Carlos, devo - também eu - esclarecer que não brinquei. Passou-se, exatamente, como referi. Fiquei a pensar no eterno tema das coincidências e senti-me triste. Afinal, aquilo que eu imaginei ser uma invenção, passou-se realmente. Talvez porque estou frágil, ainda, por não ter estado muito bem, há poucos meses, o texto deixou-me apreensiva e quis esquecê-lo,deixando "Crónicas do Rochedo" para outra visita. Isto só prova, Carlos, que os seus textos provocam reacções.

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  13. Ai, que susto!!!Estava a ver que perdíamos um dos melhores advogados de defesa do nosso querido primeiro ministro, para além de um óptimo escritor e contador de histórias.
    Mesmo sendo uma história trágica, fico mais descansada.
    Bjs ( e afaste-se dos casinos)

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  14. "Hasta siempre" para voltar costas e não regressar , a mim deixar-me-ia magoada...e furiosa!

    Detesto mentiras, mesmo as piedosas!

    Prefiro um "adeus" duro e limpo.

    Uma noite serena.

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  15. A 3ª pessoa, pode ser para despistar.
    Mas já se despistaram as dúvidas.
    É uma história triste, para alguns, com um final cobarde, mas nada que também eu não tivesse já pensado.
    Se algo de mal me "bater à porta" é provavelmente esse o desfecho que terá por aqui também.
    Abraço Amigo Carlos.
    Obrigado pelo esclarecimento.

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  16. Há pessoas assim
    que me fazem lembrar de mim.
    No meu livro virtual
    "Caminhos do Meu Navegar"
    tenho assim uma despedida
    pois recei não regressar com vida


    (Carlos, também eu fiquei assustado
    pois pensei que teria sido consigo que tal se tinha passado...)

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  17. Ana:
    Olhe que não, olhe que não! Se ler o link do post "Cheira-me a esturro" ( publicado ontem) verá que está a fazer um juízo precipitado. Mas depois eu explico.

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  18. Não é aturá-lo (sabe a que me refiro ) é sempre um prazer lê-lo. Obrigado pelo esclarecimento.mas na realidade pensei que fosse uma despedida.

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  19. As narrativas baseadas em factos reais´dão-nos uma noção exacta da capacidade de o escritor ser verosímil, pois os factos narrados são passíveis de terem acontecido ou acontecerem.E o leitor sente ou pressente isso.
    Veja quantas interpretações dos seus leitores: plurais, ricas, emotivas... Os seus leitores são leitores implicados. Nenhum deles fica indiferente às suas palavras. À sua palavra certa!!!

    Que estou eu para aqui a dizer? Estou a divagar. Até parece que sei muito de teoria da lityeratura...

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  20. Carlos,
    Claro q eu li o "Cheira-me a esturro" e olhe que me cheirou mesmo a esturro, tal foi o espanto que me causou a sua incontida rebelião.
    Não me leve a mal, please, juro q sou boa rapariga, ADOROOOOO-O ler, ADMIRO-O imenso pelo sua frontalidade, pelo seu humor e pela destreza com que diz certas verdades inconvenientes.

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  21. CARLOS,um texto bastante intenso.É
    uma forma de despedida.
    Gostei de ¨hasta siempre¨.Quero, de
    maneira fantasiosa, pensar que se
    trata de um espanhol. E, em se tra-
    tando de um espanhol, me dá o que
    pensar(a razão de ser do meu blog)

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  22. Chego cá já numa fase adiantada da "discussão" sobre a interpretação deste post. Acompanho o Rochedo desde algum tempo o que me leva a dizer que já conheço o suficiente para o entender e perceber as entrelinhas deste texto. O amigo Carlos tem aqui uma turma de indefectíveis leitores que muito o apreciam e as suas magníficas crónicas. Eu sou um deles, desde o primeiro momento, e acredite Carlos que em nenhum momento na minha leitura pensei que estivesse implicito nas suas palavras um adeus ao blogobairro.

    Hoje tivemos sorte ao jogo contra os espanhóis, finalmene.

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