terça-feira, 19 de outubro de 2010

Imparcialidade incómoda para Lula

Sem surpresa, Marina Silva anunciou, ontem, que não apoia Dilma nem Serra na segunda volta das presidenciais brasileiras, a realizar no dia 31.

Com as sondagens a aproximarem os dois candidatos, a neutralidade de Marina Silva e do Partido Verde que a apoiou, irá provavelmente acabar por beneficiar Serra. Para um europeu, pode parecer que os brasileiros são mal agradecidos, se não elegerem a candidata de Lula, o presidente que transformou o Brasil. Em minha opinião, não é isso que efectivamente se passa. Na verdade, muitos brasileiros não vêem em Dilma uma sucessora de Lula e encontram poucas diferenças entre os dois candidatos. Para os 20 por cento de brasileiros que votaram em Marina, seria ela a sucessora natural de Lula e não Dilma. Perante os candidatos que se apresentam ao segundo turno, a escolha é-lhes mais ou menos indiferente, mas há pequenos pormenores, como a despenalização do aborto ( defendida por Dilma e rejeitada por Serra) que numa sociedade muito católica e, malgré tout, bastante conservadora, poderão fazer pender a balança para Serra. Penso que Lula menosprezou o peso de Marina Silva e talvez a esta hora tenha percebido que desprezar os votos na surpreendente outsider foi um erro. No entanto, a eleição de um ou outro candidato não deverá pôr em risco a imparável ascensão do Brasil no panorama internacional. As pequenas diferenças entre ambos é que poderão marcar rumos divergentes nessa caminhada ascendente. E isso, convenhamos, pode fazer toda a diferença num futuro próximo.

11 comentários:

  1. Havia de ter piada, que a Marina Silva apoiasse a Dilma na segunda volta das presidenciais brasileiras, uma vez que, foi por causa da dita Dilma, que a Mariana saíu do governo de Lula.
    Como eu gostava que a Mariana Silva fosse num futuro próximo a Presidente do Brasil. Toda a minha simpatia vai para ela.
    Quanto ao próximo dia 31 de Outubro: Dilma ou Serra?
    C'EST TOUT LA MÊME CHOSE...

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  2. Carlos,

    Como brasileira, não posso deixar de comentar o acerto com que você coloca as coisas.
    Acredito realmente que, quem fez a diferença nesta sucessão presidencial foi a candidata Marina Silva, que conquistou, nas duas últimas semanas, uma grande parte do eleitorado que estava em dúvida, o que acabou levando a disputa para o segundo turno.
    Certamente a questão do aborto foi muito forte aqui no Brasil, nesta campanha. O que, a mim, parece extremamente triste, pois não se resume uma pessoa ao que ela pensa ou deixa de pensar sobre o aborto. Claro que é uma questão importante, mas centralizar a eleição para presidente da República, como estou vendo ocorrer, é muito pequeno.
    Concordo com você. A eleição de um e de outro não vai estancar o ritmo brasileiro. Ambos têm biografias, não "folhas criminais", se é que me entende. Depois de tantos políticos sujos que por aqui passaram.
    O que mudam são os pormenores, mas aí, só o tempo dirá como...

    Beijo - e obrigada.

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  3. Ao defender e depois constatar a neutralidade de Marina, fui alvo de críticas e não foram poucas. Escrevi um pouco sobre isso lá no blog, como forma de desabafo. Para mim, tanto faz que ganhe Dilma ou Serra, porque afinal não é Marina quem ganha.
    Assisti à toda a plenária do PV e concordo com a postura de praticamente todos os integrantes do Partido que tiveram a oportunidade de se expressar.
    E ganhando um ou outro eu só espero que o meio ambiente(aquele que deveria ser inteiro) seja visto como outros olhos, com bons olhos.

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  4. Por norma não aprecio os "neutros". A vida faz-se de convicções e de opções e porque Marina Silva sabe disso muito bem mal lhe fica a neutralidade, porque a remete para questões meramente pessoais, longe das suas convicções. O ambiente por exemplo não é uma questão neutra, mas a vida não se pode também resumir só a ele.

    Há grandes diferenças entre Serra e Dilma e essas diferenças o povo brasileiro não pode dizer que as não sentiu entre os governos de FHC e de Lula. Serra estava num Dilma estava no outro.

    Pena é que, como sempre acontece na América Latina, sejam os meios de comunicação, maioritariamente controlados pelos apoiantes de Serra tenham feito campanhas insidiosas contra Dilma e Lula.

    Por mim continuo a pensar que é possível continuar com a libertação da América Latina do seu passado favorável às oligarquias militares ou outras.

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  5. Carlos,
    Lula e Dilma menosprezaram todos.
    Estavam convictos que, com maior ou menor dificuldade, a eleição estaria garantida.
    Surprise!!!

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  6. Meu amigo:
    Estou muito feliz por estar novamente no "activo" por aqui.
    Traz assuntos que embora eu não esteja à altura de comentar, pois desconheço esta realidade, fico sempre mais esclarecida e informada.
    Desejo como é óbvio o melhor para o Brasil.

    Beijinhos

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  7. O que interessa é que o Brasil está imparável e irreconhecível, como dizes.
    Serra ou Dilma não irão "estragar" o trabalho já feito...
    Après, on verra!

    Abraço

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  8. Também não me agrada muito esta "abstenção" de Marina Silva. Acho que o apoio dela a um dos candidatos faria toda a diferença para a eleição de um deles.
    Em todo o caso acredito que Serra vá ganhar, embora, seja quem for o vencedor também acredite, que com nuances, o Brasil está imparável.
    Veludinhos

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  9. Penso que Marina estará a pensar, e bem, no seu futuro político. Se quer vir a ser no futuro presidente do Brasil, é esta equidistância que lhe garante o espaço que necessita para futuras batalhas.

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  10. De acordo com um estudo sobre atitudes públicas em 22 países, divulgado, recentemente, pelo Pew Center for the People anda the Press, de Washington, o Brasil é o país onde a maior proporção da população (85%) considera as mudanças climáticas um tema “muito sério”. Na China 41% assim o entendem, e nos Estados Unidos apenas 37%.
    A par do excelente trabalho desenvolvido por Marina da Silva enquanto foi ministra do Ambiente do Governo de Lula da Silva, este sentir dos brasileiros terá estado na origem do voto de vinte milhões de eleitores na senadora,(segundo analistas brasileiros, pertencentes ao grupo dos "mais esclarecidos")preocupados com a sustentabilidade do meio ambiente. Ponho de lado questões ligadas à religião e a temas sociais tão polémicos como o aborto, sempre provocadoras de roturas, particularmente em sociedades conservadoras como ainda é a brasileira.
    Vinte milhões de eleitores, cerca de 20% do universo eleitoral, é cheque pesado que os brasileiros passaram a Marina. Capital político importante, que ela optou por guardar, na minha opinião, para investimento em futura incursão política – talvez nas próximas presidenciais.
    Não sei se os brasileiros assim o entenderão. Mas creio que a neutralidade de Marina anunciada para a segunda volta é, como dizem do outro lado do Atlântico, um ficar em cima do muro. Julgo, também, que a opção pela neutralidade criou em muitos dos seus eleitores uma sensação de vazio.
    Dilma ou Serra?
    Um futuro igual para o Brasil? Não acredito que Serra seja capaz de prosseguir a rota traçada por Lula da Silva no combate à pobreza e às desigualdades sociais, e que, independentemente das críticas que lhe possam ser feitas, colocou o Brasil no grupo das grandes potências, respeitado e admirado no mundo.
    Um abraço

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  11. Lamento que o povo brasileiro não
    tenha votado na Marina. Acredito
    que ela faria um bom governo.Agora,
    dos males, o menor: que vença o
    Serra.
    Abraços

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