quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O que tem de ser tem muita força...

Ao início da tarde dirijo-me a um serviço público. A entrada está obstruída, porque um grupo de jovens decidiu sentar-se nas escadas de acesso. Não satisfeitas com isso, as jovens espalharam mochilas, sacos e malas em frente à porta de entrada, dificultando a marcha de quem passa na rua. Peço licença para entrar, mas nenhuma delas faz menção de se afastar. Engrosso a voz e repito o pedido. Finalmente, enfadada, uma das jovens levanta-se.
Entro no edifício e de imediato sou barrado por um segurança.Pergunta ao que vou, pede-me identificação e dá-me um papel para ser assinado pela pessoa que vou entrevistar.Não resisto a indagar a razão da presença das jovens na escadaria. obstruindo a entrada. Recebo como resposta um encolher de ombros. Insisto.
- Desculpe, mas não é sua função desimpedir a entrada?
- Não. Só se elas estivessem cá dentro.
- As escadas não pertencem ao edifício?
- Sei lá! Devem pertencer, mas elas estão na rua, não posso fazer nada…
-Não pode porquê? Se estivessem ali a insultar o director desta casa, não as obrigava a sair dali?
- Ah, se fosse assim tinha de ser.

6 comentários:

  1. Antes do mais, retribuir o beijinho.
    Tenho andado muito arredada da blogosfera - e até Segunda-feira estou em férias: como será depois, com uma agenda tão preenchida, nomeadamente com tratamentos de fisioterapia, que começaram antes das férias, e foram agora interrompidas? No lo se :)

    A cena que relata é
    mais uma daquelas cenas maradas que nos põem fora do sério.

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  2. Aberto como o Carlos é para todos os problemas sociais, já pensou ter mais paciência com a juventude... como um barco sem rumo, agora, é o nosso potencial no futuro!

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  3. Funcionalismo publico é assim mesmo. Eu tinha um amigo que quando havia uma luta próximo dele, dizia " O sangue ainda não me chegou aos pés ", enquanto não lhe chegasse aos pés não se movia do mesmo lugar, nem tomava partido por ninguém. Isto para me referir ao funcionário publico que o recebeu. Enquanto não o incomodarem, tudo bem, só quando se sentir incomodado é que toma alguma atitude. Quanto à juventude é assim, umas vezes mal educada, a que alguns chamam irreverência, outras vezes são irreverentes, mas quase sempre mal educados.

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  4. Ematejoca: Não deve ter lido bem o meu post. Não sou intolerante com a juventude, mas sim com a falta de educaçao. Seja qual for a idade...
    E também sou intolerante com quem não cumpre os seus deveres, lá isso é verdade...

    Cristina: Que bom vê-la por aqui!
    Espero que tudo corra bem com os tratamentos.

    Zeparafuso: Não se trata de funcionalismo público. Esta cena poderia também ter ocorrido numa empresa privada. O problema é mesmo o que refere Enquanto o mal não nos bate à porta, tudo bem... quando coemça a chamuscar-nos, aqui-d'el Rei!

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  5. A falta de educaçao da juventude é mais uma falta de maturidade. Outro dia na S-Bahn um grupo de jovens estava a fumar. Quando lhes disse que é proíbido fumar nos transportes públicos, eles responderam que eram anarquistas e que não aceitavam proibições.
    Tudo bem!
    Só que passado algum tempo comecei a tossir convulsivamente. Então, os jovens não sabiam o que me haviam de fazer: deixaram de fumar, abriram as janelas e ofereceram-me de beber.
    A única coisa que me desagrada na juventude de hoje é não fazer parte dela, mas ainda não esqueci, que no meu tempo de jovem, eu era o "desterro da louça".

    Ser intolerante com quem não cumpre os seus deveres, lá isso é outra história...

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  6. Carlos, tenha pena de não concordar inteiramente consigo. Pena porque se o funcionalismo publico fosse, para nos servir, pode ter a certeza que mesmo que o funcionário não fosse afectado, teria zelado pelo publico utente dos serviços, que é para isso que lhes pagamos. Só mais um àparte, fui funcionário publico e criticado muitas vezes por, diziam eles, meter-me onde não era chamado.

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