quinta-feira, 15 de julho de 2010

Esquina da memória (7)


Bater na mulher é o que está a dar. Aproveitem, machos latinos!
Nas primeiras horas, após o meu regresso a Lisboa, leio alguma imprensa requentada. A experiência é traumática e ponho em dúvida se Lisboa não será agora capital de um outro qualquer país, que não Portugal. Leio com um sorriso as notícias sobre os confrontos verbais no seio do PP e a hipotética agressão de um deputado a Maria José Nogueira Pinto. Mas a boca abre-se-me de espanto, ao ler uma pequena notícia. Diz o “Expresso” que um juiz absolveu um homem que era acusado de sovar a mulher, por considerar que sovar a mulher duas vezes não é crime... trata-se de bater na medida certa!
O Governo gasta dinheiro em campanhas contra a violência doméstica, incita as mulheres a denunciarem os maridos agressores e depois há uma que se atreve e o juiz profere esta douta sentença? Não, isto não pode ser Portugal... Estarei eu no Botswana?
Uma notícia do “El País” avoluma a minha desconfiança. Mais uma vez, uma notícia sobre a Justiça, mas desta feita com origem na Alemanha. A acusadora era também uma mulher que se queixava de maus tratos por parte do marido. A juíza absolveu o homem, com um fundamento irrepreensível: “à luz do Corão ( o marido é muçulmano...) o homem não pode ser condenado por tratar a mulher de forma violenta”... Estou esclarecido! A Justiça alemã julga um caso de violência doméstica, ocorrido no seu território, à luz da doutrina do Corão. Provavelmente é a isto que se chama integração o que, levado a extremos pode conduzir a que um destes dias, um juiz de um qualquer país europeu, invoque o Código de Hamurabbi para proferir uma sentença. Quem me desmaterializa?

( Não me recordo se este texto algum dia virou post, mas foi escrito depois de uma estadia prolongada em terras longínquas e pareceu-me oportuno recordá-lo, a propósito disto)

7 comentários:

  1. Bater na medida certa looooooooooooooool..
    Já estou a ver o decreto lei..

    Medida certa= 3 biqueiros, 2 selos e uma valente chapada.
    OU
    Medida certa= 3 arremessos ao chão seguido de 2 biqueiros.

    Nota: Em nenhum dos casos os conjugues repreendidos podem perder mais de 1 litro de sangue.


    LOOOOOOOOOOOOOOOL

    O país que temos..

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  2. Qualwue tipo de violência viola os direitos de quem é violado.

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  3. Possivelmente essas mulheres não voltaram a denunciar o marido, porque devem ter sido assassinadas quando chegaram a casa.
    Acho que isto tem mais a ver com a podridão da nossa justiça do que com outra coisa.

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  4. É que há quem não tem mesmo juízo nenhum.

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  5. Quando via sua imagem, perdão, queria dizer quando vi a imagem que postou. Um juiz com ar de quem tem os poderes que realmente tem... pensei que fosse escrever sobre o Isaltino.

    Mas não, limitou-se a postar sobre uma justiça que usa as mesmas leis...

    Tá bem, pronto!
    (por acaso eu enveredei por caminho similar
    e o título que dei, foi só p´ra enganar)

    Abraço

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  6. Sovar é bater na medida certa, segundo um juiz.
    É que se isto fosse frase ouvida por aí, no cacilheiro ou na fila da caixa do supermercado, diria que "arrepiava"... mas de quem espero seja o fiel da justiça no meu país...

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  7. Cito-o: "Bater na Mulher é que está a dar. Aproveitem Machos Latinos"
    Desculpe a ousadia, mas não acha que tinha ficado melhor por ex. "Bater na Mulher é que está a dar. Aproveitem, Selvagens"?
    O conceito de Macho Latino é vago, e como tal passível de várias interpretações, mas parece-me exagerado atribuir a tal 'género' a exclusividade das agressões, que é o que acaba por ficar explicito no titulo do seu 'post'.
    Sou aldeão Alentejano e tenho ainda, segundo o meu conceito, algumas caracteristicas da dita espécie. Não é por as querer ter, mas são fruto da educação e da vivência que tive e garanto-lhe que a violência doméstica (fisica) não fez parte delas.
    Quem bate em alguém mais fraco, em especial numa Mulher, é um ser desprezivel... e esses existem em todas as 'sub-espécies' e 'géneros' de Homens, ou melhor, de homens (com h).
    Quanto aos casos que referiu, chocam-me os dois, claro (estes e todos), mas talvez mais o passado na Alemanha, que julgo ser o mesmo de que ouvi falar. A sra. que se queixava dos maus tratos queria o divórcio alegando-os, o que até ao abrigo da lei Islâmica é possivel.
    Mesmo o Conselho Muçulmano da Alemanha condenou o caso, dizendo que o que deveria ter sido seguido era a Constituição alemã e não o Corão.
    A Juíza em questão foi afastada do caso por um tribunal de recurso, mas não sei qual o desfecho final do mesmo.

    Muito bons os seus textos.

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