segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Rua dos Cafés (1)


Em quase todas as cidades e vilas portuguesas existiu um Café que se tornou ex-libris da resistência ao Estado Novo, local de tertúlia vigiado pelos pressurosos agentes da PIDE, estabelecimentos que serviram de mote para a magnífica trilogia de Álvaro Guerra ( Café Central, Café República e Café 25 de Abril).
Pertenço a uma geração que convivia, tertuliava, conspirava e estudava em cafés. O Velásquez ou o Piolho no Porto, o Monte Carlo ou o Gelo em Lisboa, são apenas alguns dos cafés cujas cadeiras contribuíram para puir as minhas calças e arejar a minha mente.
Talvez por isso, quando visito qualquer lugar, procuro descobrir cafés ligados à História desses locais. Hoje, em Portugal, são poucos os cafés simbólicos. A maioria deles virou local de roteiro turístico, como o Majestic no Porto, a Brasileira em Lisboa, o El Greco em Roma ou o Tortoni em Buenos Aires. No entanto, qualquer um deles faz parte da minha história de vida. Foi sentado nas mesas do Majestic que convivi com jovens da minha idade que anos mais tarde se tornariam figuras proeminentes da vida portuense e nacional. Foi no Monte Carlo a ouvir as conversas dos mais velhos, como o Carlos Oliveira, ou o Zé Cardoso Pires, que me fui moldando. Foi nas mesas do Tortoni, da Confiteria Ideal  e do Café de La Paix que aprendi a amar a América do Sul e especialmente a Argentina.
Embora este mês o CR não tenha um tema específico, vou aqui trazer alguns dos cafés que fazem parte da minha memória. Ou porque fazem parte da minha história, ou porque através deles conheci melhor a história de outras pessoas.
Não vou abusar da vossa paciência, desafiando-vos a escrever sobre os cafés que fazem parte da história das vossas vidas, ou de algum café que vos tenha marcado particularmente, mas quem quiser contar uma experiência vivida num café, ou falar de um café que o tenha marcado de forma muito especial e queira partilhar connosco essa experiência, pode comunicar isso aqui ao CR e eu terei o maior prazer em fazer um link para o vosso post.
Por falta de tempo não vou trazer aqui histórias vividas em cafés. Apenas imagens e, sempre que possível, links que vos permitam conhecer a sua história. Foi o que se pôde arranjar...

9 comentários:

  1. Os cafés podem até não fazerem parte da história de minha vida, mas certamente sempre foram parte de meus sonhos...
    Tenha um bom dia, Carlos.

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  2. Olá Carlos,
    Cafés e café é um tema que me interessa muito e do qual tenho falado no desvios assiduamente.
    Entretanto dê uma espreitadela neste blogue:
    http://caferepublica.blog.com/

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  3. Carlos,
    Não tenho nenhum café de referência pois em África não tinha esse habito.
    Quando vinha a Portugal de férias, ia com primos e amigos para um na Foz, mas confesso que não me lembro do nome.
    Viana, Beja, Macau nunca fui frequentadora mas faço parte do grupo dos amigos do Piolho, no Porto.
    Beijo

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  4. Pois acho interessante essa ideia de trazer aqui cafés importantes.

    Uma feliz semana.

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  5. Num café conheci o meu marido e tornei-me na musa inspiradora de um famoso pintor da localidade. Gosto de cafés, mais não digo :)

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  6. Já estive no Velásquez no Piolho e no Majestic. Até aos seis anos, também ia com o meu ao café em Paços de Ferreira, depois ao Velásquez e ao Bom Dia, também com ele. Gosto de cafés.

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  7. Ah, em tempos também estudei num café e muitos dos meus amigos actuais ainda são desde essa época estudantil. Acho que já escrevi sobre o assunto, vou procurar.

    Se não faço um post novo! Desta vez fica prometido! :)

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  8. O Carlos não abusa nada da nossa paciência, desafiando-nos a escrever sobre os cafés que fazem parte da história das nossas vidas. Todos nós seguimos o seu desafio com GRANDE entusiasmo.

    O café da minha vida é o PIOLHO no Porto!!!

    Vamos lá ver se me lembra de alguma experiência vivida num café na Alemanha ou outro sítio.
    Até fim de Maio, o Carlos pode tomar um "cafézinho" muito quente no "ematejoca azul".

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  9. Claro que o Piolho será sempre a referência e ainda hoje de vez em quando, sem que a Dona Irene do vizinho Universidade se aperceba, eu vou lá roer umas batatinhas fritas à maneira e regalas com um fino bem tirado para o almoço. Mas o café da minha vida estava mais perto de minha casa e é uma lanchonete, isso mesmo, a Lanchonete Brasil , nome e tradição trazidas de um emigrante das terras de Vera Cruz e que fazia cá umas francezinhas de fazer dançar o samba.

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