terça-feira, 6 de abril de 2010

À boleia da indignação alheia


Os vencimentos e prémios pagos pela EDP a António Mexia são um ultraje a todos os portugueses que, em época de crise, ainda se vêem obrigados a contribuir com os seus impostos para pagar as mordomias dos gestores públicos? São.
As reacções indignadas de António José Seguro ou Mira Amaral merecem o meu aplauso? Não. Custa-me a crer que ambos tivessem tido conhecimento desta situação pelos jornais. Já a conheciam há muito e agora aproveitaram a boleia da imprensa para se indignarem e capitalizar simpatias. A ambos dou uma sugestão: divulguem o que sabem sobre casos similares antes de virem a público e indignem-se com as reformas milionárias permitidas pelos governos do Centrão. Insurjam-se contra as penalizações às reformas perpetradas pelo governo de Sócrates, na esteira da prática iniciada por MFL. Exijam que os governos reponham a legalidade e denunciem publicamente a batota da alteração das regras das reformas que atingiram milhares de funcionários públicos que, a escassos anos de se aposentarem, viram as suas reformas cortadas drasticamente, sem terem possibilidade de recorrer aos PPR que lhes permita completar o que o governo lhes roubou. Exijam a reposição da fraude. Denunciem as situações de escandaloso favorecimento que são as reformas dos deputados. Apresentem propostas para acabar com os salários e prémios escandalosos de gestores públicos. Ganhem credibilidade pela acção e recusem o caminho fácil de alinhar nas críticas da comunicação social, procurando o apoio de alguns incautos, crentes na boa fé da vossa indignação.
De indignados estamos todos fartos. Queremos pessoas que ajam!

7 comentários:

  1. E quando irá surgir essas pessoas?
    Não entendo como só nós, "pobres mortais" é que temos a solução da crise no nosso bolso...

    ResponderEliminar
  2. Já nem tenho palavras para descrever a minha indignação perante estas notícias.
    Simplesmente obscenas!
    Um abraço

    ResponderEliminar
  3. "De indignados estamos todos fartos. Queremos pessoas que ajam!" Força, Carlos. Diga-me o que fazer e eu vou nessa...
    Não espere muito dos indignados. Esses, pensam que a vida é como os interruptores (umas vezes para baixo, outras pra cima). Cheios de indignação, vão-se a todos os dispositivos electricos lá de casa e pimba, tudo pra cima. Assim se vão confortando. Papalvos, o que fazem é consumir mais energia. Nem pensam que mexendo nos interruptores, estão enchendo os bolssos do Mexia.
    (isto é capaz de não ter piada nenhuma, sobretudo para quem acredita que a vida é, de facto, como os interruptores)

    ResponderEliminar
  4. Pois, apanhar boleias é fácil, agir é que está quieto!

    Que cambada!

    ResponderEliminar
  5. Assistir aos telejornais é pior que um filme de terror!
    Sinto-me envergonhada ao ouvir as declarações de uns e outros, sempre falando como se não tivessem nada com o assunto e atirando as culpas para trás das costas!
    Estes, prémios, ordenados, reformas deixam-me profundamente desanimada, perplexa e enojada.
    Tenho a sensação que não há nada a fazer...

    ResponderEliminar
  6. Como é que dizia o Artur Jorge?
    É tudo absolutamente normal, absolutamente normal....

    ResponderEliminar
  7. Num "Parabéns" do H.J. era entrevistada aquela senhora jornalista bonita e de porte aristocrático, salvo erro Sanches Osório, que a dada altura declarou algo como « ...fugir aos impostos é algo que todos devemos fazer...». Não seriam exactamente estas as palvras mas era este o sentido, sem margem para dúvidas. Fiquei siderado com a ousadia e indignado. Vejam lá as voltas que o mundo dá!:- Agora concordo inteiramente, sem margem para dúvidas, com a senhora.

    ResponderEliminar