quarta-feira, 31 de março de 2010

Portugal no feminino (23)

Catarina Eufémia
(1928-1954)
Era uma “simples” e anónima ceifeira portuguesa, cuja história não podia deixar de ser aqui lembrada. Foi assassinada de forma cobarde pela GNR quando reclamava ao feitor de um latifúndio, juntamente com outras ceifeiras, um aumento de dois escudos na jorna.
Catarina Eufémia ficou na História como um símbolo das vítimas do Estado Novo que ignorava a miséria dos trabalhadores assalariados do Alentejo, lutando pela subsistência trabalhando à jorna nos latifúndios. Inclementes, as autoridades agrediam quem lutava pelo seu ganha pão.
Sophia, Zeca, ou Ary, foram apenas alguns dos muitos poetas e compositores portugueses que lhe dedicaram poemas e canções.
Ao escolher Catarina Eufémia para encerrar esta rubrica, pretendo também homenagear todas as mulheres portuguesas que continuam a ser vítimas de desigualdades laborais, ou alvo dos maus tratos domésticos que, não raras vezes, terminam com a sua morte às mãos dos companheiros que escolheram para partilhar o futuro. Só em 2009, quase meia centena de mulheres portuguesas foram assassinadas nestas circunstâncias. Centenas ou mesmo milhares continuam a ser alvo de maus tratos no seio familiara. Retrato triste de de um país que progrediu em riqueza, mas parece apostado em manter-se na cauda da Europa no respeito pelos direitos das mulheres.

6 comentários:

  1. A Catarina Eufémia é ainda hoje uma ícone da Esquerda Feminina.

    Ontem publiquei no "ematejoca azul" um texto do Raúl Brandão, que os meus leitores acharam antiquado. Principalmente os leitores masculinos acham, que a mulher portuguesa tem os mesmos direitos que o homem.
    Eu cá sou da sua opinião, Carlos, há ainda mulheres que continuam a ser vitimas de desigualdades laborais, e muitas delas são alvo dos maus tratos do companheiro.

    O Carlos nem calcula como eu vou ter muitas saudades destas crónicas!!!

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  2. Não resisti: fiz uma hiperligação deste texto para o "ematejoca azul". Uma espécie de resposta para quem pensa, que a mulher portuguesa tem mais direitos agora do que no tempo da Catarina Eufémia.
    Obrigada!

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  3. Meu amigo:
    Quero felicitá-lo, por através deste seu blogue, ter homenageado as mulheres, da maneira completa e bem estruturada como o fez.
    Todas as mulheres que aqui mencionou marcaram a nossa sociedade de diferentes maneiras todas elas dignas de valor.
    Obrigada uma vez mais!
    Um abraço

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  4. 'Conheci' a Catarina logo após o 25 de Abril quando apareceu lá em casa um livro sobre ela... a capa era a foto deste post ( pelo menos mto parecida).
    lembro-me de ver na TV imagens do amrido e de familiares em romagens aos sitios onde ela viveu e morreu.

    Nunca fui a favor de igualdades entre homem e mulher, mas sim que cada um tem o seu lugar na sociedade, com o devido papel.

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  5. Catarina Eufémia era apenas uma ceifeira a lutar pelos seus direitos, concordo que ficou como símbolo da injustiça e desprezo pela classe trabalhadora do regime salazarista, mas o ridículo é que depois do 25A muitos partidos de esquerda vieram afirmar que ela era uma revolucionária, lutadora anti-fascista e mais umas patacoadas do género! Suponho que ela merecia mais respeito!

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  6. Cara Teté, por muito que lhe custe ela foi uma revolucionária, lutadora anti-fascista e mais umas patacoadas do género, exactamente equelas que a fazem relembrar, ser cantada e alvo deste post. Obrigado Carlos, agradecimentos extensivos à amatejoca pela projecção que deu lá no seu blog

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