segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Caderneta de cromos (8)


Foi difícil a escolha do cromo da semana. Tanto poderia ser um tal Ricardo, do PS, como Maria José Nogueira Pinto, ex- líder do PP, eleita deputada pelo PSD. Optei por MJNP porque ela simboliza melhor a figura do deputado do Estado Novo, convertido à pressa em democrata. Na AR democrática, os apartes são tão vulgares como beber um copo de água, mas MJNP não os suporta. Ela gosta mais dos apartes à moda antiga, onde apenas se ouvia dizer “Muito bem!”. MJNP convive mal com o confronto, como já todos sabíamos desde aquela cena macabra no Congresso do PP em que Paulo Portas retomou a liderança. Por isso achou bem chamar palhaço a um deputado que lhe lançou uns apartes numa Comissão Parlamentar. Não é que palhaço seja insulto, como já em tempos um juiz do Porto sentenciou, mas a linguagem não é própria de deputados da Nação que deveriam elevar o debate e ser um exemplo para os portugueses que lhes pagam os ordenados e as mordomias.
MJNP ( como MFL e alguns mais) estão na AR por engano. O seu perfil adequa-se mais a chazinhos com a D. Supico Pinto, onde se exalta a obra do Movimento Nacional Feminino. Numa AR democrática, fica muito mal na fotografia. Não só denigre a instituição, como as mulheres portuguesas. Há excelentes deputadas jovens na AR, em todos os partidos, e depois há cromos como a Zezinha, sempre prontas a demonstrar que não basta ter a aparência de senhora fina e nome com pedigree para se ser respeitada. Não é possível respeitar uma mulher que afirma, cheia de convicção, que dar 80 euros a um velho de 80 anos "é um insulto e um ultraje, porque vão beber cerveja e comer doces e depois são roubados pelos filhos". Eu diria que um ultraje e um insulto é ter de pagar os ordenados e mordomias a gente como MJNP mas, claro, é só uma opinião. Mesmo assim, aconselho-a a aprender alguma coisa com a figura da semana.

10 comentários:

  1. Já estive na mesma sala de espera num aeroporto de uma cidade europeia onde estava ela e o seu marido, e posso dizer que são mesmo do tipo de pessoas armadas ao pingarelho.
    Uma caderneta bem recheada, lol

    ResponderEliminar
  2. E ler isto aqui deu-me vontade de ir chamar o agressor do Berlusconi (que quanto a mim foi encomendado, agora já é vítima...)

    ResponderEliminar
  3. Depois de alguma ausência provocada, basicamente, pela gripe, aquela tal malvadazinha ..., vim até aqui, porque gosto muito do que se escreve cá por estes lados. Gostei do texto, muito bem escrito.
    Estou de acordo com tudo, sobretudo gostei da frase "Ela gosta mais dos apartes à moda antiga, onde apenas se ouvia dizer “Muito bem!”.
    Uma boa semana!
    Maria Letra

    ResponderEliminar
  4. Fico muito triste quando vejo cenas como as que têm sido protagonizadas por esta senhora. É pena! Em pequena tomou bastante chá mas deve ser alérgica ao mesmo...
    Abracinho

    ResponderEliminar
  5. se há cromo a Maria José... é uma grande croma, não há dúvida qualquer nisso.

    A Maria José, em parte reflecte a ala mais tradicional e clássica da "Sra. de Bem", a "tia", claro que como nos outros, também às tias estala a tinta, e lá nós vemos que tudo aquilo não é mais que fachada.

    ResponderEliminar
  6. Talvez croma seja um elogio a esta senhora que é uma figura desprezível.

    ResponderEliminar
  7. A senhora dona Maria José "Nojeira" Pinto é o quê? Uma pretensa iluminada, mais nada!

    ResponderEliminar
  8. Vi o vídeo desta discussão e e uma tristeza.
    É o país que temos e pelos vistos queremos.
    Veludinhos

    ResponderEliminar