terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Mea culpa...

Todos os vizinhos sabem que, por vezes, faço juízos precipitados e maquiavélicos. Foi o que aconteceu recentemente, quando me insurgi com as associações de pais que pretendem as escolas a funcionar 12 horas por dia. Erradamente, atribuí essa pretensão ao egoísmo de alguns pais que, não tendo tempo para conviver com os filhos, nem para os educar, optam por entregar essas tarefas aos professores, certamente pensando nas virtudes das escolas de Esparta.
Enganei-me redondamente e peço desculpa. Aliás, se não fosse precipitado nos meus julgamentos, essa ideia nunca me teria ocorrido, porque sei bem que a maioria dos pais nunca poderia desejar aos seus filhos jornadas de trabalho de 12 horas, quando exigem para eles próprios uma jornada que não ultrapasse as oito.
Afinal, o que os pais pretendem é que a escola ministre quatro horas diárias de aulas e, durante as restantes oito, providencie instalações adequadas para as crianças dormirem. As escolas passariam a funcionar em tempo lectivo das 12 às 16 e depois, até às 24, os alunos seriam convidados a dormir. A essa hora seria o despertar, porque a partir da 1 da manhã os miúdos têm de ir para as discotecas, pelo menos até ao nascer do sol.
Alguns pais aceitam a hipótese de tomar o pequeno almoço com os filhos, desde que eles cheguem a casa antes das 10 da manhã. Os outros garantem estar com os filhos, pelo menos no dia do casamento.

Última hora: Entretanto, pais mais evoluídos preferem que sejam os juízes a decidir a educação dos seus filhos. Alegadamente, noticia o DN, com o propósito de salvarem os casamentos.

16 comentários:

  1. quanto à primeira parte do post já opinei e até escrevi, um caso muito concreto, que por vezes é o que falta, sobre o tal eventual alargamento horário .. de qualquer forma dou-lhe os parabéns pelo humor obtido ;)

    Em relação à notícia do DN, Caro Carlos, é assim de facto, infelizmente e mais vezes do que se poderá supor.
    E a nova lei do divórcio com o desaparecimento do poder parental só vem agravar esse recorrer ao tribunal por tudo e por nada. Quase posso garantir.

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  2. 12 horas?!
    Numa cidade como São Paulo, 8 horas seria o máximo concebível, considerando que a criança entre às 7h e saia às 15h, com o prejuizo de toda a familia se posicionar contra a "crueldade dos pais", apesaar dos mesmos só poderem sair do serviço às 18h e conseguirem chegar em casa às 20h. Ou seja, ainda tem que contratar uma empregada para receber a criança em casa e tomar conta dela até seu retorno.
    Conheço casais que a criança não fica o dia inteiro na escola, mas os pais só a veem dormindo (em alguns casos é uma benção!) e aos finais de semana.
    Eu, que fui criada com liberdade e procurei essa liberdade na criação dos meus, lamento o rumo que tomou a nossa sociedade (global) - o que é importante não são os laços que criamos, mas castelo de pedras que construimos, que muitas vezes nem é para nossa utilização.

    abraços

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  3. As coisas estão a chegar a um ponto de ruptura, tanto na educação como na sociedade. Nem queira saber o clima que se vive neste momento nas escolas. Acabei de ler a notícia a que leva o seu link e só lhe posso dizer que é absolutamente verdade a forma como o artigo termina. Infelizmente.

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  4. pois eu simplesmente acho que está tudo doido! locos de remate, !como cabras!
    Não há senso comúm, só isto e já não pedía mais
    Nem me extendo mais porque...
    (tenho lido um monte de notícias sobre como em Espanha alguns pais abdicam dos seus filhos em favor do Estado por já não terem mão neles, andava a ver qdo surgiram noticias idénticas por cá...)

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  5. Esta tudo doido, parvo ou que?
    Mas alguma vez eu ia deixar de estar com a minha filha?
    Ir a um tribunal decidir que tipo de escola e a melhor?
    Acho que me enganei no planeta, vou voltar para a minha nave espacial.
    Sinecramente acho que ha pessoas que nao deviam ser pais.
    Depois queixam-se que os filhos sao isto e aquilo, pudera quando o mau exemplo vem de cima nao ha nada a fazer.
    Esta noticia ate me deu volta ao estomago, vou tomar um cha.
    Beijinho.

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  6. Os sarilhos! Os famosos sarilhos que o 'outro' falava e estas, por razões completamente vulgares.

    Onde é que vamos parar?

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  7. Há pais e pais; se nós estamos longe dos filhos,como querem que os filhos estejam perto de nós?

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  8. Safa que por aqui se destila humor corrosivo quanto baste!
    E ainda bem ...

    Penso que infelizmente os bons pais começam a ser uma minoria e que, de facto, uma larga maioria gostaria de ter os petizes 24 sobre 24 horas na escola, ou outro sítio qualquer. Só para que não chateassem!

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  9. No caso da notícia do DN eu seria mais salomónico, pais internados compulsivamente.

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  10. Sarava!


    enfim... novos tempos e assustadores...


    beijinhos

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  11. Não há pachorra para esse tipo de pais. A demissão do seu papel de educadores é simplesmente abominável e está a pôr em causa todo o futuro deste país.

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  12. Colégios internos, já ouviram falar? Ouviram pois, internem-se esses pais maníacos que não sabem ser pais, que discutem se o menino deve vestir azul ou vermelho!

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  13. Ontem do 30 minutos na RTP mostrou a vida de "tia Preta" que é tipo ocupação dos tempos livres de alguns meninos no bairro de chelas, aconselho a visualização deve estar no multimédia da RTP a certa altura os meninos diziam que a casa da "tia preta" é melhor que a nossa porque aqui temos carinhos,brincamos e até me engano e lhe chamo mãe.

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  14. Antes de se condenar todos os pais que "deixam" os filhos em escolas, ATL's e actividades, e que estão pouco tempo com os mesmos, gostaria que os ditos "juizes" me explicassem, como é que um casal que sai de casa ás 7h15 da manha para conseguir deixar o filho na escola às 8h30 e depois seguir para o seu trabalho, donde só irão sair ás 18h30, e que levam cerca de 1h30 a chegar novamente a casa.

    Tendo em conta que a escola é só até ás 16h00, como é que se vai gerir o tempo desta criança até ás 20h00??que é quando os pais chegam??

    Pois é meus caros amigos, é muito bom de se falar quando se é rico ou patrão e que se pode de dispôr do tempo como se quer. Infelizmente não é essa a situação da maioria das familias portuguesas, que na sua maioria é com muito esforço, que tentam dar aos seus filhos a melhor vida possivel.

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  15. A Vera tem toda a razão. Mas é legitima a preocupação do Carlos ao colocar o post. As consequências nas crianças, são tremendas. Falando como avô (e lembrando-me do meu), pergunto se o que está aqui em causa, em grande parte das situações, não será a distancia cada vez maior do conceito e dos valores da família? (se acham que com isto estou a ser conservador, vejam o meu blog)

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